Antes de entrar para a política, o prefeito de São Gonçalo, Nelson Ruas dos Santos, 68, pai do deputado estadual Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PL, atuou na Polícia Militar do Rio de Janeiro –daí porque adotou o cognome eleitoral de Capitão Nelson. Como oficial, entre outras funções, foi comandante de uma guarnição de Patamo (Patrulhamento Tático Móvel) e chefiou uma seção P2 (de inteligência, em que policiais atuam à paisana) do 7º BPM, na cidade que hoje administra. No relatório final da CPI das Milícias da Assembléia Legislativa do RJ, aprovado por unanimidade em 2008, Capitão Nelson é citado como um dos líderes de uma milícia que atuaria no Jardim Catarina, em São Gonçalo –na época, ele já havia abandonado a farda e era vereador pelo PSC.
Entre moradores de São Gonçalo, circula o rumor de que Capitão Nelson teria integrado nos anos 1980 o famigerado "carro da linguiça" que apavorava a cidade na época. Uma reportagem do jornal O Globo de 2007 informava tratar-se de veículos sem identificação da P2 com homens fortemente armados que aterrorizavam as favelas da vizinha Niterói com torturas e mortes.
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O chefe da P2 do 12º BPM deu na ocasião sua versão para o apelido: " Esse nome surgiu em São Gonçalo e se popularizou em Niterói. Acredito que ele tenha relação com a natureza do trabalho da P2.
Às vezes, numa situação de confronto, somos obrigados a matar". No começo dos anos 1990, o então sargento Nelson foi denunciado como um dos autores de uma chacina em 1988 no morro do Grotão (entre as vítimas estava o filho de uma juíza).
Em entrevista por escrito, o prefeito Capitão Nelson negou todas as imputações. Sobre a menção no relatório final da CPI das Milícias, disse que seu nome surgiu através de denúncia anônima "totalmente infundada, até mesmo porque no bairro citado não há histórico de atuação de milícia" e que não foi indiciado pela CPI. Sobre a participação na chacina de 1988, alega que "houve um confronto violento contra traficantes fortemente armados, oriundos da Rocinha e que estavam homiziados [escondidos] em São Gonçalo.
O caso foi devidamente investigado, como de praxe, e restou provado que agimos em legítima defesa". Quanto à participação no "carro da linguiça", o prefeito afirmou que se trata de "uma lenda". " Mais de politica
Eu usava um carro descaracterizado tipo Veraneio quando atuava na P2 do 7º Batalhão de Polícia Militar e, por coincidência, existia um vendedor de linguiça e salgados que percorria os bairros da cidade com um carro da mesma cor e modelo. E isso virou motivo de brincadeira nas ruas", declarou. " Leia também: Datafolha 2º turno: Lula e Flávio têm 45% das intenções de voto
Tenho muito orgulho da minha trajetória como policial militar, sempre atuei dentro das regras em defesa da população gonçalense, lutei contra a criminalidade e não me arrependo de absolutamente nada", acrescentou Capitão Nelson. Quando já estava na reserva e no segundo mandato de vereador, ele apareceu no noticiário por ser amigo da juíza Patrícia Acioli, assassinada em 2011, e indicar policiais para a segurança da magistrada. Ela atuava numa vara em São Gonçalo, e a morte foi uma retaliação a seu trabalho de condenar PMs criminosos.
Seu nome batiza um fórum na cidade. Comentários
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