
- Author, Omaima Magdy
- Role, Serviço Árabe da BBC
- Há 2 horas
- Tempo de leitura: 6 min
Atenção: essa reportagem traz relatos sensíveis
Na Faixa de Gaza, o perigo já não se limita ao que cai do céu, mas envolve também o que rasteja silenciosamente debaixo da terra.
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Apenas 10 dias antes do seu casamento, Amani Abu Salmiya está sentada dentro de uma tenda no acampamento do Clube Desportivo, no sul de Gaza, enquanto inspeciona o que restou do enxoval de casamento: uma coleção de roupas, lençóis e outros artigos nupciais, que levou meses para preparar.

"Eu estava mostrando o enxoval para minhas amigas, tudo estava pronto", conta ela ao Serviço Árabe da BBC.
"No dia seguinte, ouvi o barulho de ratos. E, quando fui verificar, encontrei a maioria das roupas rasgadas e comidas." Leia também: Como são as 'prisões para obesos' da China: pesagem duas vezes por dia, exercícios intensos e lanches proibidos
"A perda não foi apenas material, mas também emocional. Trabalhei muito para preparar esse enxoval. E tudo era caro... Mesmo assim, nada foi poupado. Tínhamos planejado levar os itens para minha casa [a tenda] para que a família do noivo pudesse vê-los, mas o que aconteceu foi um choque enorme."

Apesar do cessar-fogo de outubro de 2025, quase oito em cada dez dos 2,2 milhões de habitantes de Gaza permanecem em campos de deslocados, segundo as Nações Unidas.
Muitas casas foram destruídas, e cerca de metade do território permanece sob controle militar israelense.
As tendas deveriam oferecer refúgio temporário, mas o próprio terreno onde estão instaladas tornou-se uma fonte de ameaça diária, com uma proliferação sem precedentes de roedores e insetos em um ambiente deteriorado e superlotado.

"Há pouco tempo, um rato apareceu", conta Amani. Mais de mundo
"Passamos a noite toda colocando tijolos e madeira, mas os ratos ainda conseguem entrar."
Deslocado da cidade de Beit Lahia, perto da fronteira com Israel, Basel Al Dahnoun sofre de insuficiência renal e diabetes.

"Um pé diabético precisa de cuidados, mas as condições são extremamente difíceis", disse o homem de 47 anos à BBC. Leia também: Panorama Mundial: Economia Criativa, Geopolítica e Patrimônio Cultural
"A situação é perigosa, porque esses roedores podem transmitir doenças graves. Eu sofro de alergias severas e tenho um sistema imunológico muito fraco", completa ele.
No início de abril, o ministro da Saúde palestino, Majed Abu Ramadan, alertou que a presença generalizada de roedores na Faixa de Gaza causa riscos crescentes à saúde.
Ele pediu à Organização Mundial da Saúde (OMS) que fornecesse urgentemente materiais para o controle de roedores.
O acúmulo de lixo e detritos facilitou a disseminação de ratos e camundongos, acrescentou o ministro, o que aumenta a probabilidade de propagação de doenças graves por meio de mordidas, urina, fezes e parasitas, como pulgas e carrapatos.

Entre as doenças mais comuns estão:
'Ameaça real'

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