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Ler matéria →Os quartos de neve que ultrarricos instalam em casa para escapar do calor

Crédito, Divulgação/The SpaButler
- Author, João Caminoto
- Role, De Paris para a BBC News Brasil
- Published 28 julho 2026, 05:35 -03Atualizado Há 6 horas
- Tempo de leitura: 5 min
No verão brasileiro, fugir do calor costuma significar piscina, ventilador ligado a noite toda ou, para quem pode pagar, um ar-condicionado potente o suficiente para enfrentar 35°C na sombra.
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Para um grupo pequeno, mas crescente, de super-ricos ao redor do mundo, a resposta tem sido mais radical: construir o próprio inverno dentro de casa.
Chama-se quarto de neve— uma câmara artificial gelada, o oposto de uma sauna, onde flocos caem do teto e criam a sensação de estar dentro de uma bola de neve.
Enquanto o clima empurra as temperaturas para recordes em boa parte do mundo, proprietários de imóveis de altíssimo padrão estão equipando casas, coberturas e até iates com esses ambientes. Leia também: O que brasileiros pensam de influenciadores que fazem publicidade de bets
Existe algo assim no Brasil?
Aparentemente, não existe algo assim no Brasil. Consultadas pela BBC News Brasil, duas das principais empresas do setor, a italiana TechnoAlpin e a americana Spa Butler, disseram nunca ter instalado um quarto de neve no país— o que não significa que nenhuma outra empresa o tenha feito, apenas que não há registro conhecido de um projeto desses em território brasileiro.
A Spa Butler afirmou já ter recebido "consultas vindas da América do Sul", mas nenhuma delas resultou em projeto concluído.
Já existe algo parecido em São Paulo, mas não é a mesma coisa: a crioterapia, oferecida em spas de hotéis de luxo e em clínicas especializadas. Ela aparece de duas formas: banheiras de gelo por imersão— geralmente entre 4°C e 15°C— e câmaras de corpo inteiro (as "criosaunas"), que usam nitrogênio e chegam a -80°C ou até -190°C, com sessões de apenas 1 a 3 minutos.
Em ambos os casos, a diferença central para o quarto de neve é a mesma: o corpo é resfriado por ar seco ou água gelada— sem neve de verdade, sem flocos, sem a experiência sensorial que os fabricantes de quartos de neve vendem como diferencial.
Quanto custa?

Crédito, Divulgação/TechnoAlpin Mais de mundo
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A TechnoAlpin é uma das maiores fabricantes de canhões de neve do mundo, os mesmos usados para cobrir pistas de esqui. Foi de lá que veio a tecnologia dos quartos de neve, adaptada para uso interno há cerca de dez anos, período em que, segundo a empresa, ainda testava como resfriar um ambiente fechado sem que a neve derretesse. Leia também: 'Minha dor de cabeça de 10 dias era um câncer cerebral terminal'
"Nossos quartos de neve nasceram no setor profissional de bem-estar e spa. Em vários países, eles são usados como uma forma suave de baixar a temperatura do corpo depois da sauna, fazendo parte de protocolos modernos de terapia de contraste", disse à BBC News Brasil Elisabeth Steger, diretora de desenvolvimento de negócios da divisão de neve indoor da TechnoAlpin.
A empresa oferece modelos batizados de Snowroom, mantido a -10°C com neve real produzida todas as noites, e Snowsky, que simula uma nevasca contínua com efeitos de luz.
Nos Estados Unidos, quem tem se especializado em levar esse tipo de instalação para residências, iates e spas de luxo é a Spa Butler, empresa do Texas fundada em 2018.
Segundo Tyler Slater, sócio-fundador e diretor de operações, a empresa já entregou dezenas de projetos na América do Norte, na Europa e no Oriente Médio.
"Recebemos consultas vindas da América do Sul, mas ainda não concluímos nenhuma instalação no Brasil", disse Slater.
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