← Mundo
Mundo

Os EUA estão mesmo ficando sem armas na guerra contra o Irã?

Os EUA estão mesmo ficando sem ganha peso no noticiário por causa dos desdobramentos mais recentes.

Os EUA estão mesmo ficando sem armas na guerra contra o Irã?
Os EUA estão mesmo ficando sem armas na guerra contra o Irã?
Imagem em preto e branco tratada mostra mísseis alinhados sobre uma mesa por um funcionário de fábrica usando luvas
Legenda da foto, Até agora, o governo dos EUA afirma que a guerra custou US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 208 bilhões), e a maior parte desse valor foi destinada à compra de munições
Article Information
    • Author, Bernd Debusmann Jr
    • Role, Repórter da Casa Branca
  • Published Há 44 minutos
  • Tempo de leitura: 11 min

Quando o presidente americano, Donald Trump, subiu ao palco da Cúpula de Defesa e Inovação da Pensilvânia, nos EUA, no início deste mês, ao lado de CEOs de algumas das maiores empresas de defesa do país, ele tinha uma mensagem: é preciso aumentar o volume e a velocidade da produção de armas.

"Temos as armas de melhor qualidade do mundo", disse Trump aos fabricantes de armamentos reunidos na Escola de Guerra do Exército dos EUA, ao lado do secretário de Guerra, Pete Hegseth. "Mas precisamos produzir mais rápido."

Leia no AINotícia: Japão: Shopping destruído danificado há 10 anos

O governo Trump apresentou a cúpula como parte de uma estratégia com dois objetivos: revitalizar a indústria americana e reforçar a capacidade de combate das Forças Armadas dos EUA e, nas palavras de Hegseth, o "arsenal da liberdade" do país.

No entanto, pouco se falou sobre o enorme volume de armamentos sofisticados, de fabricação complexa, empregado durante os quase 40 dias de intensas operações militares da Operação Epic Fury ("Fúria Épica", em tradução livre), contra o Irã no início deste ano, e nos ataques de subsequentes realizados desde então.

Até agora, o governo dos EUA afirma que a guerra custou US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 208 bilhões), e a maior parte desse valor foi destinada à compra de munições. Leia também: Lavanda, hibisco e outras flores comestíveis que podem ser encontradas

Quando um frágil cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril, as forças americanas já haviam atingido mais de 13 mil alvos no Irã, segundo a Casa Branca. No mesmo período, os sistemas de defesa aérea dos EUA interceptaram mais de 1,7 mil drones e mísseis balísticos iranianos.

Agora, os EUA suspenderam os ataques ao Irã para permitir o avanço das negociações. Segundo uma reportagem do jornal americano The New York Times, Trump foi aconselhado a desistir de intensificar o conflito, já que isso reduziria ainda mais os estoques americanos de armamentos.

Na segunda-feira (27/7), Trump negou que houvesse escassez. Em entrevista ao jornal americano The Wall Street Journal, ele afirmou: "Temos muito mais munições do que qualquer outro país do mundo, e muito mais do que precisamos."

Pete Hegseth gesticula durante uma audiência no Senado. Ele veste terno azul-marinho e gravata listrada em vermelho e cinza

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, Pete Hegseth defendeu a liberação de recursos adicionais para repor os mísseis utilizados no conflito com o Irã

Esse é um tema delicado há algum tempo dentro do governo dos EUA. No mês passado, ao ser questionado sobre o assunto, Hegseth negou que os estoques estivessem caindo rapidamente.

Sua posição parece ter mudado desde então. Na semana passada, Hegseth disse à Comissão de Apropriações do Senado— que define destinações orçamentárias para agências e depatamentos— que o Pentágono precisa de mais US$ 87 bilhões (R$ 482 bilhões) para suprir "carências críticas", incluindo equipamentos. Leia também: Lavanda, hibisco e outras flores comestíveis que podem ser encontradas

Os números exatos sobre o consumo de munições e o volume dos estoques remanescentes continuam sob sigilo. Mas dados públicos compilados pelo centro de pesquisa e debates CSIS, sediado em Washington D.C., revelam um quadro preocupante: os estoques foram reduzidos a um nível que, no curto prazo, é difícil de ser recomposto.

"Depende do tipo de munição, mas o prazo mínimo é de um a cinco anos [para fabricar um único míssil]", diz Mark Cancian, coronel reformado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e assessor sênior do CSIS, que estuda o tema. "E não há nada que possa acelerar esse processo."

Mas será que os EUA estão consumindo munições em um ritmo tão acelerado que poderão ter dificuldades para cumprir suas missões e alcançar seus objetivos militares?

Um arsenal americano desfalcado

As munições mais importantes empregadas na guerra dos EUA contra o Irã se dividem em duas categorias: sistemas de ataque terrestre de longo alcance e sistemas de defesa aérea e antimísseis usados para interceptar os ataques iranianos.

Entre os sistemas de ataque terrestre mais utilizados estava o míssil de ataque terrestre Tomahawk, normalmente lançado de navios ou submarinos contra alvos localizados a mais de 1,6 mil km de distância. Essas armas permitem aos EUA realizar ataques de precisão contra alvos militares fortemente protegidos, como bunkers de comando e instalações militares fortificadas, sem expor aeronaves tripuladas ao risco de contra-ataque.

Gráfico de barras empilhadas intitulado "Reconstruir o estoque de mísseis Tomahawk levará vários anos". Uma barra isolada mostra que os Estados Unidos tinham um estoque estimado em mais de 3.000 mísseis Tomahawk antes da guerra contra o Irã. No terceiro trimestre de 2026, esse estoque é estimado em cerca de 2.000 unidades. As projeções trimestrais indicam que o número de mísseis deve permanecer entre aproximadamente 2.100 e 2.250 durante a maior parte do período entre 2027 e 2030. Os segmentos em roxo claro representam entregas decorrentes de encomendas feitas antes da guerra, enquanto os em roxo escuro correspondem a entregas de encomendas realizadas após o conflito. Com a entrega dessas encomendas, prevista para o fim de 2030, o estoque sobe para cerca de 2.300 mísseis, depois para 2.500 e 2.800, até voltar a aproximadamente 3.000 no primeiro trimestre de 2031. Uma observação ressalta que essas encomendas pós-guerra são estimativas baseadas nos pedidos incluídos na proposta de orçamento das Forças Armadas dos EUA para 2026 e 2027, que ainda não foi aprovada pelo Congresso. principal conclusão é que a reposição dos mísseis empregados no conflito e a recuperação do estoque ao nível anterior à guerra deverão levar cerca de cinco anos. Fonte: Centro para Estudos Internacionais e Estratégicos

Olhares voltados para Taiwan e o Pacífico

Um míssil Tomahawk é lançado de uma embarcação militar dos EUA no mar
Legenda da foto, Os estoques de mísseis, incluindo os Tomahawk, foram reduzidos

E a Europa?

Uma casa destruída por um ataque aéreo russo na Ucrânia. Pessoas estão ao redor do imóvel em ruínas
Legenda da foto, A Ucrânia vem pedindo mais sistemas Patriot para se defender dos ataques russos

As consequências

Navios com velas vermelhas e inscrições em farsi, com mísseis à frente, durante uma celebração militar no Irã
Legenda da foto, Os estoques do Irã também foram reduzidos
Lavanda, hibisco e outras flores comestíveis que podem ser encontradas
Mundo

Lavanda, hibisco e outras flores comestíveis que podem ser encontradas

Ler matéria →

Leia também