"Bem-vindos ao Paraguai", repetia alto o chefe do serviço de imigração em Ciudad del Este, no Paraguai, enquanto caminhava entre cadeiras de praia, bancos de plástico e cangas. "Amanhã, às 7h, começaremos a distribuição de fichas. Às 8h, começa o atendimento para quem quer tirar residência."
A mensagem era destinada a centenas de brasileiros organizados em uma longa fila que faziam silêncio — pontuado por aplausos — para ouvir as orientações em espanhol, após um dia inteiro acampados sob o sol forte, no chão de terra vermelha da cidade paraguaia que faz fronteira com o Brasil.
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Era noite do penúltimo domingo de março. Só dali a 12 horas começaria de fato o mutirão itinerante do governo paraguaio para agilizar a emissão de documentos para quem quer se mudar para o país.
A fila, porém, já quase dobrava a esquina, e os brasileiros ainda tinham pela frente várias horas extras de calor, chuva e mosquitos para garantir atendimento no dia seguinte.
Em 2025, o Paraguai bateu recorde ao conceder 40,6 mil autorizações de residência a estrangeiros. Mais da metade (23,5 mil) eram brasileiros, muito mais do que os argentinos (4,3 mil), que aparecem na segunda posição. Para 2026, a expectativa é que o número seja ainda maior. Só nos três primeiros meses do ano, foram emitidas 9,2 mil autorizações para brasileiros. Mais de mundo
Os repórteres Vitor Tavares e Fernando Otto, da BBC News Brasil, acompanharam por três dias a fila do mutirão. Todos com quem a reportagem conversou disseram estar ali movidos por suas posições políticas e pela busca de uma vida com mais conforto e menos impostos. Leia também: Hantavírus pode ter se espalhado entre passageiros no navio em que 3 já morreram, diz OMS
Confira no vídeo.
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