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Os argumentos da Anvisa para manter a suspensão de produtos da Ypê

Os argumentos da Anvisa para manter a suspensão de produtos da Ypê Crédito, Bloomberg via Getty Images Legenda da foto, Com decisão, fabricação, comercialização

Os argumentos da Anvisa para manter a suspensão de produtos da Ypê
Os argumentos da Anvisa para manter a suspensão de produtos da Ypê
Pessoa pega garrafa de detergente Ypê de prateleira de supermercado em Brasília

Crédito, Bloomberg via Getty Images

Legenda da foto, Com decisão, fabricação, comercialização, distribuição e o uso dos produtos afetados continuam suspensos
Published Há 24 minutos
Tempo de leitura: 5 min

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu nesta quinta-feira (15/5) manter parte das restrições impostas contra produtos da marca Ypê, após a agência identificar falhas sanitárias consideradas "graves e sistêmicas" na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo.

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Pela decisão, continuam suspensos a fabricação, comercialização, distribuição e o uso dos produtos afetados.

Já o recolhimento dos produtos seguirá suspenso temporariamente até a criação de um plano estruturado de mitigação de riscos e rastreabilidade a ser aprovado pela Anvisa.

Durante o julgamento, diretores da Anvisa detalharam parte das irregularidades encontradas na fábrica. Leia também: Vazamento 'bombástico' ameaça candidatura de Flávio Bolsonaro, diz a revista

Segundo o diretor Daniel Pereira, os problemas identificados incluíam:

  • Deficiência no controle de garantia da qualidade;
  • Ausência de validação de processos e métodos analíticos;
  • Monitoramento microbiológico inadequado;
  • Fragilidade na rastreabilidade e segregação de produtos não conformes;
  • Falhas na adoção de ações corretivas eficazes.

Ele afirmou ainda que a própria empresa reconheceu a existência de mais de 100 lotes com resultados microbiológicos insatisfatórios.

Segundo a Anvisa, a fábrica atualmente trabalha para implementar 239 ações corretivas relacionadas a exigências sanitárias identificadas em inspeções realizadas ao longo de 2024 e 2025.

O julgamento ocorreu após dias de repercussão política e questionamentos públicos sobre os critérios adotados pela agência reguladora.

Os diretores da Anvisa afirmaram repetidamente durante a sessão que a decisão foi baseada em critérios técnicos e sanitários, e não políticos. Mais de mundo

"Não pautamos e nunca pautaremos em critérios políticos, mas sim na responsabilidade que temos com a sociedade", afirmou o diretor Daniel Pereira durante seu voto.

O caso envolve lotes de detergentes lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes da Ypê cuja numeração termina em 1.

Como o caso começou

A Anvisa confirmou que recebeu denúncias da Unilever contra a Química Amparo — dona da Ypê — em outubro de 2025 e março de 2026.

Segundo a Anvisa, denúncias feitas por empresas, especialistas, entidades da sociedade civil ou consumidores fazem parte do funcionamento regular do sistema de vigilância sanitária e podem desencadear procedimentos de apuração.

A agência ressaltou ainda que a Unilever não solicitou anonimato.

Apesar das denúncias, a Anvisa afirmou que já existia uma fiscalização previamente programada para abril de 2026 na unidade de Amparo (SP), realizada em parceria entre a própria Anvisa, o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Vigilância Sanitária municipal de Amparo. A inspeção ocorreu entre 27 e 30 de abril.

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