
Crédito, AFP via Getty Images
- Author, Thayz Guimarães
- Role, De Brasília para a BBC News Brasil
- Há 38 minutos
- Tempo de leitura: 8 min
Pressão sobre a Venezuela, bloqueio do petróleo iraniano no estreito de Ormuz , movimentações no entorno do estreito de Malaca. Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram sua atuação em pontos estratégicos das rotas globais de energia e comércio, ampliando sua presença em diferentes frentes da disputa geopolítica atual.
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Mas o que parecem ser, à primeira vista, crises distintas, com dinâmicas próprias, pode indicar um padrão observado em conjunto: o uso crescente do controle sobre gargalos marítimos, fornecedores de petróleo e corredores comerciais como instrumento de pressão na disputa estratégica com a China.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em 1º de maio que sua viagem a Pequim nesta semana, entre 13 e 15 de maio, será "incrível". Será a primeira viagem de um presidente americano à China em quase uma década.
Em sua bagagem, porém, Trump levará mais do que uma agenda diplomática: a visita de Estado será, inevitavelmente, marcada por um cenário de tensões ampliadas que se estende do Oriente Médio à América Latina e ao Sudeste Asiático. Leia também: A crise que coloca em risco o cargo do primeiro-ministro britânico
Após um primeiro ano de governo marcado por uma escalada da guerra comercial com Pequim, a primeira viagem de Trump à China desde seu retorno à Casa Branca tende a funcionar como um teste para a capacidade dos dois países de administrar tensões crescentes sem romper canais de diálogo.
Na véspera das declarações de Trump, autoridades dos dois países já haviam sinalizado essa preocupação.
Em 30 de abril, o chanceler chinês conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos sobre os preparativos da visita, além de discutir temas sensíveis como Taiwan e o Oriente Médio.
O gesto foi interpretado como uma tentativa de manter a comunicação aberta em um momento de incerteza crescente e de evitar que crises paralelas contaminem diretamente a relação bilateral.
O que conecta Venezuela, Ormuz e Malaca
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, esse contexto ajuda a entender por que os movimentos recentes dos Estados Unidos vão além de episódios isolados e incidem diretamente sobre um dos pontos mais sensíveis da economia chinesa: o abastecimento de energia.
Antes da crise mais recente no Golfo Pérsico, cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã tinham como destino a China. Ao interferir nesse fluxo, os Estados Unidos não apenas pressionam Teerã, mas também ampliam a volatilidade em um mercado cujos efeitos são sentidos muito além da Ásia, com impacto sobre preços globais de energia, cadeias de abastecimento e inflação em diferentes regiões do mundo. Leia também: Turista ganha indenização após perder 'corrida por espreguiçadeiras' em hotel
A pressão sobre a Venezuela, em uma ofensiva que culminou na captura de Nicolás Maduro, segue lógica semelhante ao atingir outro fornecedor relevante de petróleo para Pequim, enquanto as movimentações no Sudeste Asiático ampliam a atenção sobre rotas marítimas críticas para o abastecimento chinês.
A questão central é até que ponto essas ações refletem uma estratégia deliberada de pressão sobre a China ou se são, sobretudo, respostas a crises regionais que acabam produzindo efeitos colaterais globais.
Para o cientista político Mauricio Santoro, as duas interpretações não são excludentes. Segundo ele, os Estados Unidos vivem há pelo menos uma década um período marcado por instabilidade política interna, polarização e decisões frequentemente erráticas. Ainda assim, há um elemento que atravessa governos e partidos: a percepção de que a ascensão da China representa uma ameaça estratégica.
"Existe realmente um tema de política pública que une o Partido Democrata e o Partido Republicano: a preocupação com a China", afirma.
"A ascensão chinesa é vista como uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos, e isso tem levado a uma série de iniciativas para criar obstáculos ao desenvolvimento econômico da China."
Quando a disputa sai do comércio e vai para as rotas de energia

O 'dilema de Malaca' e a vulnerabilidade chinesa

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Entre pressão e negociação
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