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'O STF é um tribunal que julga muito e acaba sempre desagradando alguém', diz

'O STF é um tribunal que julga muito e acaba sempre desagradando alguém', diz ex-ministro Luis Barroso Crédito, Stephanie Rodrigues/BBC News Brasil Legenda da foto

'O STF é um tribunal que julga muito e acaba sempre desagradando alguém', diz
'O STF é um tribunal que julga muito e acaba sempre desagradando alguém', diz ex-ministro Luis Barroso
Luis Roberto Barroso

Crédito, Stephanie Rodrigues/BBC News Brasil

Legenda da foto, Barroso diz que fugiu de 'bolas divididas' enquanto esteve na presidência do STF
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    • Author, André Biernath e Stephanie Rodrigues
    • Role, De Oxford para a BBC News Brasil
  • Published Há 23 minutos
  • Tempo de leitura: 17 min

"Ou você desagrada as comunidades indígenas, ou você desagrada o agronegócio em algumas decisões. Ou você desagrada os evangélicos, ou você desagrada as feministas em outras matérias. Ou você desagrada o governo, ou você desagrada o contribuinte em questões tributárias", diz Barroso em entrevista à BBC News Brasil.

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"O Supremo acaba decidindo quase tudo. Isso o torna, de certa forma, um alvo da política", afirma o ex-ministro do STF, que esteve em Oxford, no Reino Unido, para a 11ª edição do Brazil Forum UK, evento organizado por brasileiros que estudam em universidades britânicas.

Antes de iniciar a entrevista, Barroso disse que não faria nenhum comentário sobre as investigações de fraudes do Banco Master — caso que reacendeu o debate sobre potenciais conflitos de interesse de ministros do Supremo e seus familiares com empresas privadas.

"Isso ainda está sendo investigado, e acho que não é hora de julgar. Não sou dado a pré-julgamentos", justifica ele. Leia também: 'Olimpíadas dos Esteroides': competição que libera uso de anabolizantes e

Mesmo assim, Barroso acredita que a criação de um código de conduta para os membros da mais alta corte do país "é uma discussão importante", apesar da falta de consenso entre os ministros sobre o assunto.

Na visão dele, reformas do tipo devem acontecer "de dentro para fora", porque o "STF não gosta muito de interferências externas".

"Fiz uma opção pelos temas em que eu poderia ter apoio. São opções que a gente faz na vida", afirma Barroso. Mais de mundo

Para o ex-ministro, a polarização política continuará a existir no país, embora considere que "o pior já passou" em termos de extremismo e intolerância. Ele acredita que o excesso de individualismo — e até de protagonismo — do STF tende a diminuir conforme voltamos ao que o jurista considera uma "normalidade plena".

Formado em Direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), com mestrado na Universidade Yale e pós-doutorado em Harvard, nos Estados Unidos, Barroso tornou-se uma das figuras mais influentes do Judiciário brasileiro nos últimos anos.

Ele foi indicado ao STF em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff (PT), quando passou a ocupar a vaga que antes pertencia a Carlos Ayres Britto. Leia também: 'Quando as pessoas ouvem a mesma música, nossos corações e nossa atividade

Visto como um ministro de ideias progressistas e liberais, ele presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 2020 e 2022 e comandou o Supremo entre 2023 e 2025.

A trajetória de Barroso ficou marcada por alguns episódios polêmicos, como quando ele disse a frase "Perdeu, mané, não amola" para um manifestante em Nova York, nos EUA, em 2022, depois das eleições presidenciais.

Já em 2023, ele declarou em um evento da União Nacional dos Estudantes (UNE): "Nós derrotamos o bolsonarismo". Pouco depois, reconheceu que a fala foi inadequada.

Sua aposentadoria antecipada no STF, em outubro de 2025, pegou muita gente de surpresa. Para a vaga aberta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu Jorge Messias, advogado-geral da União.

Mas o nome de Messias foi rejeitado pelo Senado Federal, e a cadeira de Barroso — cujo interesse pós-aposentadoria agora está investido na inteligência artificial — segue desocupada até o momento.

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