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Ler matéria →O que um tubarão que vive 400 anos pode nos ensinar sobre a longevidade

Crédito, Lars von Ritter Zahony/ Ocean Image Bank
- Author, Sophie Hardach
- Role, BBC Future
- Published Há 34 minutos
- Tempo de leitura: 10 min
Corpos de animais marinhos mortos costumam aparecer nas praias castigadas pelas tempestades da costa oeste da Irlanda. Mas, em abril de 2026, um grupo de pesquisadores e voluntários que caminhava pelo litoral do condado de Sligo se deparou com uma cena rara: um tubarão-da-Groenlândia morto, uma espécie que nunca havia sido encontrada encalhada naquela região.
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Pelo tamanho— cerca de 3 metros de comprimento —, o animal encontrado nas áreas de maré tinha mais de 150 anos. Ele teria nascido na época da rainha Vitória e do presidente americano Abraham Lincoln, quando navios à vela de três mastros ainda cruzavam os mares e o automóvel sequer havia sido inventado.
Para os padrões de um tubarão-da-Groenlândia, porém, essa idade é considerada relativamente jovem.
"É uma pena. Esse animal levou 150 anos para chegar ao estágio em que poderia se reproduzir, contribuir para a recuperação da população e talvez nem tenha tido essa oportunidade", afirma Emilie De Loose, bióloga marinha do Grupo Irlandês de Baleias e Golfinhos. Leia também: O templo budista milenar na Coreia do Sul onde monges ajudam jovens a encontrar
O tubarão-da-Groenlândia, o vertebrado mais longevo conhecido no planeta, pode viver cerca de 400 anos.
Alguns que nadam pelos oceanos hoje podem ter sido contemporâneos de Shakespeare quando ainda eram filhotes— embora a duração exata da vida da espécie ainda seja motivo de debate, com estimativas que variam de aproximadamente 300 a 500 anos.
Apesar da tristeza causada pela morte do tubarão e pelo impacto para a espécie, o encalhe e a necropsia realizada em seguida ofereceram uma oportunidade de lançar luz sobre uma criatura ainda cercada de mistérios.
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"Existe algo muito íntimo quando se trabalha com animais mortos, porque você realmente passa a conhecer a espécie", afirma Jasmine Stavenow Jerremalm, doutoranda em ecologia marinha na University College Cork, na Irlanda, que participou da necropsia do tubarão.
"Animais mortos podem nos revelar muitas informações sobre os animais vivos."
O primeiro desafio foi levar o tubarão até um laboratório. Leia também: Mundo em Destaque: IA, Longevidade e Finanças no Panorama Global
Os tubarões-da-Groenlândia estão entre os maiores do mundo e podem chegar a 5 metros de comprimento. O que foi encontrado na praia pesava mais de 200 quilos.
No local, o grupo cobriu o corpo com algas marinhas para impedir que gaivotas e outros animais o bicarem.
No dia seguinte, em uma operação de resgate coordenada pelo Museu Nacional da Irlanda, um guindaste içou o animal, colocou-o na carroceria de um caminhão e o levou até um laboratório veterinário regional.
Um dia depois, protegidos por máscaras, luvas e macacões, um grupo de pesquisadores de diferentes organizações e instituições, incluindo o museu, começou a examinar o tubarão em um espaço bem ventilado.
"Quando se trata de um animal que pode ter algumas centenas de anos, pode haver qualquer coisa dentro dele. Por isso, por questões de saúde e segurança, você precisa garantir que está seguindo os protocolos adequados", afirma Stavenow Jerremalm.



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