Investigação sobre Jaques Wagner aproxima caso Master do governo Lula, diz
Ler matéria →O que tinha a camisa da seleção do Haiti que foi proibida pela Fifa na Copa

Crédito, Leonardo Fernandez/Getty Images
- Author, Giulia Granchi
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 6 min
Nesta sexta-feira (19/06), o Haiti entra em campo contra o Brasil, em Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. Mas antes de pensar em futebol, a seleção haitiana teve que resolver outro problema: dias antes da estreia no torneio, a Fifa proibiu, em cima da hora, a camisa que o time usaria na competição.
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O motivo era uma ilustração discreta, posicionada perto do quadril direito do uniforme.
Ela mostrava silhuetas de combatentes erguendo a bandeira do Haiti— uma representação da Batalha de Vertières, o confronto de 1803 que selou a independência do país.
A Fifa concluiu que a imagem poderia ser interpretada como uma declaração política, o que viola seu regulamento de equipamentos, e pediu a remoção. A seleção já havia usado a camisa original em dois amistosos preparatórios na Flórida, contra Peru e Nova Zelândia, antes da intervenção. Leia também: Mundo: Panorama da Semana - Copa, Diplomacia e História

Crédito, Divulgação
A fabricante da camisa, a colombiana Saeta, afirmou que o desenho nunca teve intenção política— seria uma homenagem aos homens e mulheres que constroem o futuro do país. Já a Federação Haitiana de Futebol, em nota à imprensa americana, classificou a decisão da Fifa como "uma má interpretação". Nenhuma das duas partes entrou em conflito aberto com a entidade: a camisa foi alterada, e a versão revisada já apareceu nas fotos oficiais do time antes do torneio.
Foi com essa nova camisa, sem a ilustração, que o Haiti estreou no último sábado (13/06), em Boston— e perdeu por 1 a 0 para a Escócia. O Brasil, na mesma rodada, empatou 1 a 1 com o Marrocos, em Nova Jersey.
Não foi a primeira vez
A proibição da Fifa não foi um caso isolado. Meses antes, o Comitê Olímpico Internacional já havia vetado um elemento visual parecido na delegação haitiana— dessa vez, uma ilustração do revolucionário Toussaint Louverture, prevista no uniforme da cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, também sob a justificativa de simbolismo político.
A solução encontrada na época pela estilista Stella Jean, responsável pelo uniforme olímpico, foi pintar sobre a figura de Louverture, deixando apenas um cavalo contra um fundo de folhagem tropical. Jean comentou à Associated Press que, de um jeito ou de outro, o Haiti estava prestes a estabelecer um recorde: duas reprovações das maiores autoridades esportivas internacionais em poucos meses. Mais de mundo

Crédito, @Stella Jean/Faces of Haiti
O Haiti garantiu sua vaga nesta Copa do Mundo em, ao vencer a Nicarágua por 2 a 0 nas eliminatórias da Concacaf. A data era simbólica: é o mesmo dia, exatamente 222 anos antes, da Batalha de Vertières, vencida em.
A batalha que fundou um país
A Batalha de Vertières foi o desfecho de um processo que começou doze anos antes. Em agosto de 1791, pessoas escravizadas na colônia francesa de Saint-Domingue se ergueram contra os senhores de engenho em uma revolta que se tornaria a única rebelião de escravizados da história a culminar na fundação de um país independente.
Em menos de dois anos, os revoltosos haviam forçado a França a abolir a escravidão no território— décadas antes de a maior parte do mundo ocidental fazer o mesmo.
O conflito se transformou em guerra de independência quando Napoleão Bonaparte tentou reverter a abolição e retomar o controle da colônia, em 1802.
A resistência, liderada por Jean-Jacques Dessalines, cercou as últimas tropas francesas em Cap-Français— atual Cap-Haïtien —, onde o general Donatien de Rochambeau resistia com cerca de 5.000 homens.
O estádio que não existe mais

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