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O que representa para Cuba a saída das principais multinacionais hoteleiras

O que representa para Cuba a saída das principais multinacionais hoteleiras que operavam no país Crédito, Getty Images Article Information Author, Atahualpa Amerise

O que representa para Cuba a saída das principais multinacionais hoteleiras que
O que representa para Cuba a saída das principais multinacionais hoteleiras que operavam no país
Hotel em Cuba

Crédito, Getty Images

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    • Author, Atahualpa Amerise
    • Role, BBC News Mundo
  • Published Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 7 min

A saída parcial das principais redes de hotéis estrangeiras traz um novo revés para Cuba, que atravessa uma das piores crises da sua história recente.

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A rede espanhola Meliá anunciou na quarta-feira (3/6) o término imediato das operações de 15 dos seus 34 hotéis, especificamente os vinculados à rede turística Gaviota, controlada pelo conglomerado militar cubano Gaesa.

Pouco antes, a Iberostar renunciou a 12 dos seus 16 estabelecimentos operados na ilha. Já a canadense Blue Diamond informou o abandono de todas as suas operações no país, "com efeito imediato".

Somou-se a elas o maior grupo hoteleiro privado do sudeste asiático, a Archipelago International. A empresa retirou sua marca Aston de vários hotéis em Cuba, incluindo alguns dos mais modernos e luxuosos da capital, Havana. Leia também: A espécie de peixe que vive sem machos há 100 mil anos

A saída destas empresas ocorreu após um novo aperto do governo do presidente americano, Donald Trump, sobre a economia da ilha.

Trump assinou, em 1º de maio, uma ordem executiva determinando sanções contra pessoas e empresas que mantiverem vínculos econômicos com a Gaesa. A medida serviu de ultimato para que as companhias estrangeiras encerrassem suas operações com a holding cubana antes do dia 5 de junho.

Sem atribuir a saída exclusivamente aos Estados Unidos, as redes hoteleiras apontaram uma combinação de fatores, que incluem os receios jurídicos, a deterioração das condições de operação e a crise energética enfrentada pela ilha caribenha.

Vista da praia de Havana, com os hotéis dos grupos Iberostar e Meliá ao fundo

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Os modernos hotéis das redes Iberostar e Meliá se destacam entre os edifícios antigos de Havana

Como funciona o modelo turístico cubano

Diferentemente do que acontece em muitos outros destinos turísticos, os hotéis em Cuba costumam ser de propriedade de empresas estatais, como a Gaviota.

As redes estrangeiras fornecem a marca, os sistemas de reservas, a promoção internacional, os acordos com operadoras de turismo e boa parte dos padrões de gestão e qualidade que, até pouco tempo atrás, atraíam para Cuba milhões de visitantes da Europa, Canadá e outras regiões. Leia também: EUA oficializam classificação do PCC e CV como terroristas: a linha do tempo

"A partir daí, define-se qual participação ela terá nos lucros obtidos pelo hotel", destaca o economista Ricardo Torres.

Este é o modelo principal, mas também existem companhias mistas entre o Estado cubano e empresas estrangeiras para desenvolver, gerenciar e explorar instalações turísticas.

Também foi recentemente proposto um modelo de leasing, que permite a uma empresa estrangeira alugar a instalação, dispondo de maior autonomia na operação.

Na verdade, a questão não é só quem irá administrar os estabelecimentos, mas quem conseguirá receber hóspedes.

Em um país com cerca de 80 mil quartos em hotéis que eram gerenciados, em grande parte, por operadoras estrangeiras, a perda das redes comerciais fornecidas pela Meliá, Iberostar, Blue Diamond e Archipelago pode representar um golpe muito forte.

Vista do hotel Grand Aston, em Havana
Legenda da foto, Hotéis como o Grand Aston são operados pela Gaviota, empresa do conglomerado cubano Gaesa

Golpe para um setor quase falido

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, segura uma bandeira cubana vestindo uniforme militar, ao lado de outros oficiais do exército do país
Legenda da foto, O conglomerado militar Gaesa foi considerado um poder à parte dentro do governo liderado pelo presidente cubano Miguel Díaz-Canel.

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