Mundo: Panorama Global de Eventos Marcantes da Semana
Ler matéria →O que o Brasil ganha e o que arrisca ao acionar lei para revidar 'tarifaço' dos EUA?

Crédito, Getty Images
- Author, Julia Braun
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published 14 agosto 2026Atualizado Há 7 horas
- Tempo de leitura: 8 min
A decisão do governo brasileiro de iniciar o processo que pode resultar em medidas de reciprocidade econômica contra o tarifaço dos Estados Unidos pode reforçar a posição do país nas negociações comerciais com Washington, mas também tem potencial de desencadear uma escalada de tensões que pode afetar a economia brasileira, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
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O governo deu os primeiros passos para usar os instrumentos previstos na chamada Lei da Reciprocidade Econômica— um novo mecanismo da legislação brasileira para disputas comerciais— segundo um comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto na quinta-feira (13/8).
Nesta sexta-feira (14/8), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil iniciou o processo para mostrar que Brasil "não é pouca coisa" e precisa "vencer os Estados Unidos pela narrativa".
"O que eu tenho? A verdade. A minha consciência e a verdade do meu povo. Eu já disse, com mentiras ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa. Eles taxaram o Brasil com base em mentiras", afirmou. Leia também: Augusto Cury na Globo: o que disse o candidato à Presidência na entrevista
"Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos (.). Ontem [quinta], entramos com a Lei da Reciprocidade para mostrar que a gente não é pouca coisa", emendou.
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O próximo passo é uma análise formal por autoridades brasileiras para entender se o tarifaço dos EUA contra exportações brasileira está enquadrado na Lei de Reciprocidade— e se o governo poderá adotar as respostas previstas na legislação.
Ou seja, o Brasil não está— ao iniciar esta consulta— dando início imediato a retaliações.
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Para Oliver Stuenkel, pesquisador da Universidade Harvard e do Carnegie Endowment for International Peace e professor da FGV, a imprevisibilidade do governo de Donald Trump e o contexto eleitoral dificultam antecipar qual seria a resposta americana, mas tentativas de intervenção no pleito de outubro não devem ser descartadas.
"A curto prazo, não acho que uma resposta dura por parte dos Estados Unidos seja o cenário mais provável", diz. "Mas, mesmo sem a ativação da Lei de Reciprocidade, o governo americano podetomar medidas para tentar influenciar o processo eleitoral." Leia também: Eleição 2026: quais são as propostas dos candidatos?
"Não é uma situação sem riscos, mas não reagir também apresenta risco."
"A economia americana, sob o mandato de Trump, tem se mostrado muito reativa e, em alguns momentos, bastante proativa em se posicionar diante de qualquer ameaça", afirma.

Crédito, Reuters
E um novo anúncio, acrescenta, poderia abrir as portas para ainda mais embates e até uma guerra comercial.
"Donald Trump já havia deixado claro anteriormente que, diante de uma tentativa de reciprocidade, ele subiria ainda mais as tarifas", diz Inhasz.
Mais poder de barganha

O custo de uma eventual retaliação
Quais setores podem entrar na mira?
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