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O que fazer com as crianças que chegaram sozinhas a Ceuta — e que a Espanha não

Crise de Ceuta: o dilema do que fazer com as crianças que chegaram sozinhas e que a Espanha não sabe a quem devolver Crédito, Marcos Moreno / Getty Legenda da foto

O que fazer com as crianças que chegaram sozinhas a Ceuta — e que a Espanha não
Crise de Ceuta: o dilema do que fazer com as crianças que chegaram sozinhas e que a Espanha não sabe a quem devolver
Duas crianças deitadas em uma rua. A da esquerda repousa sobre o peito da outra, que veste uma camiseta do F.C. Barcelona.

Crédito, Marcos Moreno / Getty

Legenda da foto, Centenas de crianças marroquinas estão nas ruas de Ceuta à espera de receber atendimento
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    • Author, Guillermo D. Olmo
    • Role, BBC News Mundo
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 9 min

Aconteceu poucas horas depois da entrada de dezenas de milhares de pessoas do Marrocos em Ceuta, cidade espanhola no norte da África: enquanto agentes e militares espanhóis se esforçavam para conduzir a multidão de estrangeiros até a fronteira para que retornassem ao lado marroquino, uma criança se agarrou ao pescoço de um dos agentes uniformizados e suplicou, entre lágrimas, que a deixasse ficar.

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"Não, Marrocos não", dizia ela, chorando em seu idioma.

Algumas mulheres intervieram e traduziram suas palavras.

"Ela não pode ir sem estar acompanhada", diz aos seus subordinados, conduzindo-a para instalações próximas da Guarda Civil (que integra as forças de segurança de âmbito nacional na Espanha). Leia também: O plano bilionário da China para fazer uma nova revolução industrial

A cena resume um dos desafios que a mais recente crise migratória na fronteira sul representa para a Espanha.

No último dia 30 de julho, cerca de 72 mil pessoas provenientes do Marrocos entraram ilegalmente em Ceuta, nadando ou escalando montanhas.

Embora a grande maioria tenha retornado ao Marrocos em menos de 48 horas, centenas de menores permanecem na cidade, cujo centro de acolhimento ficou totalmente sobrecarregado.

As leis espanholas impedem a deportação de menores estrangeiros desacompanhados quando não há garantias para sua segurança e desenvolvimento no país de origem.

Os menores que continuam em Ceuta perambulam e dormem pelas ruas da cidade, alimentando-se graças à solidariedade de moradores e trabalhadores humanitários, enquanto aguardam uma resposta das autoridades locais— uma situação que o presidente da cidade autônoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, e organizações de apoio à infância classificaram como uma "emergência humanitária". Mais de mundo

Profissionais da Cruz Vermelha estão em pé diante de suprimentos em sacolas que serão distribuídos entre muitas outras pessoas que aguardam em fila em uma praia de Ceuta. Também são vistos veículos da polícia e equipes de assistência humanitária.

Crédito, EPA

Legenda da foto, As autoridades de Ceuta dizem que há uma emergência humanitária diante da chegada à cidade de milhares de pessoas em apenas alguns dias

Tanto o governo espanhol quanto o marroquino expressaram a intenção de devolver as crianças às suas famílias no Marrocos.

Mas os especialistas e os precedentes indicam que, em muitos casos, isso não é possível devido às exigências legais e à falta de colaboração entre os Estados, ou porque os menores não dispõem de um ambiente seguro e adequado para onde retornar em seu país. Leia também: Augusto Cury na Globo: o que disse o candidato à Presidência na entrevista

Enquanto vários parceiros europeus, liderados pela Itália, questionam a política migratória do presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, e diversas regiões do país se mostram relutantes em receber as crianças de Ceuta, a Espanha enfrenta um grande dilema sobre o destino desses menores.

Qual é a situação dos menores em Ceuta

Até terça-feira (11/08), as autoridades espanholas haviam identificado 1.527 menores estrangeiros em Ceuta.

Mas as ONGs que trabalham no local alertam que há mais crianças nas ruas da cidade.

"Ninguém sabe quantas são porque ninguém as contou, e muitas esperam todos os dias em longas filas diante da delegacia de polícia para serem identificadas e poder iniciar o processo de acesso ao sistema de acolhimento", disse à BBC News Mundo, de Ceuta, Jennifer Zuppiroli, especialista em migrações da ONG de apoio à infância Save the Children.

Um grupo de crianças e jovens faz fila sentado no meio de uma rua de Ceuta.

Crédito, Gabriela Sardá Núñez / Getty

Legenda da foto, Os menores estrangeiros fazem fila diante de uma delegacia de polícia de Ceuta para serem identificados e iniciar seu acesso aos serviços de acolhimento
Um grupo de pessoas sentadas no chão ao ar livre. Ao redor delas, um grupo de militares espanhóis em pé as vigia. Entre as pessoas sentadas, uma criança se vira e ergue o olhar para um dos militares.
Legenda da foto, Os menores deveriam ser acolhidos no centro de acolhimento local, mas já não há vagas disponíveis

O que o governo espanhol pretende fazer com as crianças de Ceuta

Três soldados e um agente da Guarda Civil acompanham um menor vestindo uma camiseta vermelha e bermuda. Todos estão de costas. Ceuta, 1º de agosto de 2026.
Um grupo de pessoas, entre elas várias crianças, reúne-se ao lado de um edifício industrial em Ceuta.
Legenda da foto, O governo de Ceuta e as ONGs que trabalham na região descrevem a situação como uma "emergência humanitária"

A alternativa controversa à repatriação

Uma criança em traje de banho caminha de mãos dadas com um soldado espanhol protegido com capacete e máscara, tendo ao fundo o mar e uma enseada rochosa. Sob um céu ensolarado, vê-se ao longe outro militar espanhol uniformizado.
Legenda da foto, Não é a primeira vez que dezenas de pessoas procedentes do Marrocos tentam chegar a Ceuta a nado. Nesta imagem de 2021, um soldado espanhol auxilia uma criança estrangeira que acaba de chegar a Ceuta nadando

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