Inconsistências e contradições têm marcado as declarações do senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) e do produtor executivo do filme biográfico do ex-presidente, Mário Frias, desde que veio à tona a relação entre a família Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo documentos e mensagens obtidos pelo site Intercept Brasil e confirmados pela TV Globo, o dono do Banco Master se comprometeu a repassar cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, que contra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desse valor, ao menos R$ 61 milhões foram pagos.
As negociações envolveram contatos diretos do senador Flávio Bolsonaro, que pedia recursos ao banqueiro. 🔎 Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em São Paulo, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a Polícia Federal.
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As contradições dos filhos de Bolsonaro e de Mário Frias envolvem principalmente a relação com o banqueiro e a gestão financeira do filme. Flávio Bolsonaro vinha tentando associar o escândalo do Banco Master ao governo Lula e ao PT e chegou a dizer que nunca teve contato com Vorcaro. Depois que as mensagens foram divulgadas, ele confessou que mentiu sobre a relação com o banqueiro e alegou a existência de uma cláusula de confidencialidade no contrato do financiamento.
Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. — Foto: Reprodução Eduardo Bolsonaro também alternou versões sobre sua participação no projeto. Primeiro, afirmou apenas ter apresentado um advogado responsável pela estrutura financeira do filme.
Nesta sexta-feira (15), porém, o Intercept revelou um contrato em que ele aparece formalmente como produtor-executivo encarregado também da captação de recursos. O deputado, então, admitiu que assinou o contrato. Já Mário Frias, primeiro contradisse Flávio Bolsonaro e afirmou que não havia “um único centavo” de Daniel Vorcaro no filme, mas ele recuou no dia seguinte e afirmou que o relacionamento jurídico do projeto era com a Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, e não diretamente com o banqueiro. Leia também: Datafolha: governo Lula vai pior em segurança e melhor no combate à fome, dizem
As contradições de Flávio Bolsonaro Antes de serem divulgadas as informações que implicaram a família Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro chegou a usar uma camiseta com a frase “
O PIX é do Bolsonaro; o Master é do Lula” em um evento de pré-campanha em Santa Catarina. Ele também defendia a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo do Banco Master. As mensagens que vieram à tona, porém, mostraram uma relação direta e frequente entre Flávio e o banqueiro, a quem o senador chamava de irmão, irmãozinho e irmãozão.
“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. [...] Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso”, afirmou Flávio em um áudio enviado em setembro de 2025. Para tentar explicar o tratamento, Flávio alegou que chamar alguém de “irmão” seria apenas uma “expressão de carioca”, comparando o uso ao tratamento empregado por vendedores ambulantes na praia.
Um dia antes de Vorcaro ser preso, em , o pré-candidato à presidência escreveu: " Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.
Só preciso que me dê uma luz! ". Após a divulgação dos diálogos, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro e afirmou que se tratava de “patrocínio privado para um filme privado”. Mais de politica
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público.
Zero de Lei Rouanet. ”, disse o pré-candidato. No dia seguinte, em entrevista ao programa Mais, da Globonews, o senador admitiu que mentiu e alegou que existia um contrato de confidencialidade ligado ao fundo que financiava o filme.
“Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, afirmou. Leia também: Crises em série com Master interrompem maré positiva de Flávio e testam
Questionado sobre quem assinou o documento, quem incluiu a cláusula de confidencialidade e se o contrato poderia ser divulgado, Flávio não respondeu diretamente. Outra inconsistência apareceu quando Flávio afirmou que sua relação com Vorcaro era “estritamente profissional” e “monotemática”, limitada ao filme. O conteúdo das mensagens, no entanto, mostra que o senador organizava jantares com o banqueiro.
Em uma dessas conversas, a presença de Bolsonaro foi cogitada, mas não há indícios de que o encontro tenha acontecido. O senador também argumentou que, no período das negociações, “ninguém tinha ideia” de que Vorcaro enfrentava suspeitas envolvendo o Banco Master. No entanto, em julho de 2024, seu pai fez críticas ao Banco Master nas redes sociais, sugerindo que a instituição estava sendo favorecida pelo sistema.
O assunto também era discutido no Senado e o Banco Central já havia se manifestado publicamente contra operações ligadas ao grupo. As conversas e pedidos de dinheiro ao banqueiro foram feitos por Flávio até novembro de 2025, segundo as mensagens divulgadas pelo Intercept. Flávio também apresentou um discurso contraditório sobre sua participação financeira no projeto.
Embora tenha se definido como alguém que apenas “buscou investidores”, demonstrou desconhecimento sobre aspectos centrais da estrutura financeira do filme. O senador afirmou não saber exatamente o nome do fundo de investimento responsável pelo projeto e disse não conseguir precisar o orçamento total do longa. As contradições de Eduardo Bolsonaro
As inconsistências envolvendo Eduardo Bolsonaro começaram após Flávio afirmar que os recursos pagos por Daniel Vorcaro para o filme eram administrados por um fundo nos Estados Unidos, ligado ao advogado de imigração do deputado cassado. A PF investiga justamente se o discurso de financiamento do filme serviu para justificar transferências de dinheiro que poderiam ter sido usadas para manter Eduardo nos EUA, onde ele vive desde fevereiro do ano passado. Os investigadores tentam esclarecer se o dinheiro foi efetivamente aplicado na produção audiovisual, se houve desvio de finalidade ou se parte dos recursos acabou financiando despesas pessoais de do deputado cassado.
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