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O que café de R$ 34 no Reino Unido revela sobre a turbulenta economia global

O que café de R$ 34 no Reino Unido revela sobre a turbulenta economia global Crédito, Getty Images Article Information Author, Faisal Islam Role, Editor de Economia da

O que café de R$ 34 no Reino Unido revela sobre a turbulenta economia global
O que café de R$ 34 no Reino Unido revela sobre a turbulenta economia global
Café servido

Crédito, Getty Images

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    • Author, Faisal Islam
    • Role, Editor de Economia da BBC News
  • Published Há 57 minutos
  • Tempo de leitura: 10 min

São 9h na Kew Bridge, no oeste de Londres, e turistas, corredores e pessoas passeando com seus cães fazem fila no carrinho de café italiano vintage Dear Coco.

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É um café de alta qualidade feito com grãos arábica, preparado em uma máquina cara La Marzocco— e o preço reflete isso: 4,50 libras (R$ 30) por um café gelado, 4,10 libras (R$ 27) por um latte de 300ml e 3,90 libras (R$ 26) por um café flat white de 300ml.

No passado, esses preços seriam considerados muito altos, mas em grande parte do Reino Unido já é normal se pagar o equivalente a quase R$ 30 em um café— inclusive em cadeias que não usam grãos de alta qualidade. Um café grande no centro de Londres, servido com um leite alternativo, como soja ou amêndoa, está agora mais próximo da marca de 5 libras— ou R$ 34.

No início deste mês, nos EUA, o CEO da Starbucks, Brian Niccol, foi criticado por sugerir que uma “experiência de US$ 9 [R$ 45]” em um de seus pontos de venda era uma “experiência premium realmente acessível”. Leia também: A surpreendente recuperação dos manguezais após décadas de destruição pelo homem

O homem que trabalha no carrinho em Kew não concorda. Ele é relativamente sortudo; os carrinhos pagam taxas de comércio ambulante em vez de altos aluguéis e taxas comerciais. Ainda assim, ele sente a pressão.

“Queremos muito manter o preço de um flat white abaixo de 4 libras pelo maior tempo possível”, diz Anthony Duckworth, enquanto os barcos a remo passam.

“Mas está se tornando cada vez mais difícil, porque cada parte da cadeia de suprimentos se tornou mais cara. Achamos que há um limite psicológico muito importante em torno dessa marca de 4 libras.”

O café não é apenas um ritual matinal repetido em todo o mundo: na verdade, é uma visão da economia global moderna. O café com leite revela tudo— desde a inflação de commodities até o caos comercial; de conflitos geopolíticos e mudanças climáticas aos gostos culturais da geração Z. Ele nos ensina sobre a nova demanda crescente da classe média chinesa e os efeitos econômicos duradouros da Guerra do Vietnã.

Está tudo ali, em cada xícara espumosa. Mais de mundo

Oscilações no setor

A jornada moderna do café começou em Turim, no norte da Itália, em uma estação ferroviária em 1895. Máquinas de café movidas a vapor foram desenvolvidas para atender viajantes com pouco tempo, muitas vezes no trem expresso de Milão— uma das teorias para o nome "espresso". Foi o início do consumo em massa de uma bebida que originalmente era um luxo.

Perto do anel viário de Turim, em uma estrutura de vidro e aço, converso com Giuseppe Lavazza, cujo bisavô lançou a marca de café Lavazza há 131 anos.

"O segredo para sobreviver é ter uma empresa pronta para se adaptar", ele me diz enquanto segura o que espera ser sua próxima grande inovação: um tablete de café, chamado tabli, que ele espera atender ao crescente mercado de café em casa, sem a necessidade de cápsulas de metal ambientalmente problemáticas. Leia também: Queda de helicópteros no Rio de Janeiro deixa 6 mortos; o que se sabe

Giuseppe Lavazza

Crédito, Getty Images

Nos últimos anos, a sua indústria enfrentou sérios contratempos— afetando os dois grãos de café mais importantes do mundo.

Num extremo do mercado, os grãos arábica, conhecidos pela doçura e aroma, são colhidos à mão em altitudes frias no Brasil, Etiópia e Quénia; é um processo cuidadoso, ainda mais intricado do que a colheita de uvas para o melhor champanhe.

No outro extremo, os grãos robusta, conhecidos pelos elevados níveis de cafeína, são colhidos em massa por máquinas. O Vietnã dominou o mercado de robusta desde que ele surgiu da guerra na década de 1970.

A pressão climática

Guerras comerciais

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Café 'premium'

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