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O que aprendi fazendo 30 dias seguidos de ioga no outono paulistano

O que aprendi fazendo 30 dias seguidos de ioga no outono paulistano Crédito, Getty Images Legenda da foto, Talvez essa fosse exatamente a sensação que buscava naquela

O que aprendi fazendo 30 dias seguidos de ioga no outono paulistano
O que aprendi fazendo 30 dias seguidos de ioga no outono paulistano
Placa anunciando aula de ioga na praia de Itacaré, na Bahia

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Talvez essa fosse exatamente a sensação que buscava naquela aula e em todas de ioga que venho fazendo há alguns anos: a libertação, mesmo que efêmera, de um estado de prontidão.
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    • Author, Flávia Marreiro
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published 19 junho 2026, 18:57 -03
    Atualizado Há 30 minutos
  • Tempo de leitura: 8 min

Quando a professora anunciou que ia apagar algumas das luzes da sala, eu senti o alívio de quem tinha chegado no limite do atraso, mãos frias do maio gelado paulistano no lado de fora. A partir dali, poderia cair meu filho na escola ou cair o governo de Cuba, e eu só saberia depois do savasana.

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Talvez essa fosse exatamente a sensação que mais buscava naquela aula e em todas de ioga que venho fazendo há alguns anos: a libertação, mesmo que efêmera, de um estado de prontidão.

Mas esse estado mental não dura nem perto de 60 minutos, no meu caso. São só alguns instantes, no meio do todo, em que uma postura ou outra funciona como uma rédea, forçando corpo e pensamentos a andar numa mesma linha.

No mais, eu sigo sendo um cartoon que vi na revista New Yorker, no qual uma mulher coloca a roupa para lavar mentalmente enquanto deitada no tapetinho no savasana (o momento de "entrega" final da ioga, deitado, "quando o seu corpo recebe todos os benefícios da prática"). Leia também: O que tinha a camisa da seleção do Haiti que foi proibida pela Fifa na Copa

Palavras como "entrega" merecem minhas aspas. Mesmo depois desses anos, minha aproximação da ioga é desconfiada, ou tenta ser.

O humor e o cinismo foram sempre meu escudo para não soar ingênua, para não ser enrolada pela vida, para não ser enrolada pelos meus sentimentos.

Como fica tudo isso se eu simplesmente virar new age da ioga?

Eu sei como fica. No emaranhado que sou eu: fazedora de promessa a meu santo e com boletos suficientes pagos em psicanálise (e alguns de mapa astral). A mesma pessoa que se pergunta: isso que insiste na minha cabeça é intuição ou é neurose?

Que outra questão estou querendo resolver me jogando nessa nova onda de ioga? Mais de mundo

'Vai ser transformador'

Ruas de São Paulo num dia chuvoso

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Fiz 30 aulas seguidas de ioga, sem pausa. Aconteceu de tudo, como sempre. Passaram cavalos negros, Casa Branca, uma permanência recorde numa posição de equilíbrio, chuva, a manhã mais fria do ano do outono em São Paulo, afonia, gripe.

A pergunta já me acompanhava, mas foi irresistível quando o professor Lucas disse, no final de uma aula, que seria "transformador" fazer 30 dias seguidos de ioga— de hot yoga, no meu caso, aquela em que os participantes se alongam e se concentram numa sala aquecida. Era o mês do desafio da casa tradicional na rua Mourato Coelho, no bairro de Pinheiros: fazer 30 dias de aula. Seguidos.

Vamos lá, 30 dias, independentemente das notícias, da gangorra hormonal, da chuva, do frio de maio. Vamos lá, 30 dias.

Lembrei do escritor francês Emmanuel Carrère, que começa seu maravilhoso livro Ioga num retiro de 10 dias de meditação desfiando os conceitos e pensando como escrever um livro sobre. ioga. A vida tinha outros planos para ele.

Eu também queria escrever sobre ioga.

Atravessei os 30 dias, pois bem. Aconteceu de tudo, como sempre, no noticiário. Passaram cavalos negros, Casa Branca, uma permanência recorde numa posição de equilíbrio, a manhã mais fria do ano, afonia, gripe.

Capa do livro 'Ioga' de Emmanuel Carrère
Legenda da foto, 'A ioga diz que nós somos outra coisa além do nosso pequeno eu confuso', diz o escritor francês Emmanuel Carrère, no livro 'Ioga'

Músculos fluorescentes? O mais próximo de meditação que já cheguei

O ator chileno Pedro Pascal
Legenda da foto, Em alguns momentos da aula de ioga, é como num filme da Marvel. O cientista aplica uma substância no corpo e ela vai desenhando um caminho fluorescente nos feixes de músculos. Você lembra de que eles, os músculos, estão lá

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