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O que aconteceu no país da América do Sul que adotou o 'modelo Bukele'

O que aconteceu no país da América do Sul que adotou o 'modelo Bukele' de combate à violência Crédito, Getty Images Article Information Author, Matías Zibell Role, BBC

O que aconteceu no país da América do Sul que adotou o 'modelo Bukele' de
O que aconteceu no país da América do Sul que adotou o 'modelo Bukele' de combate à violência
Daniel Noboa cercado por altos comandantes militares equatorianos

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    • Author, Matías Zibell
    • Role, BBC News Mundo
  • Published Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 12 min

A militarização da segurança pública conseguiu reduzir inicialmente os níveis de violência, especialmente dentro dos presídios.

Leia no AINotícia: Mundo em Destaque: Imigração, História e Tensões Diplomáticas

No entanto, esse avanço foi revertido e, em 2025, o país registrou 9.216 homicídios— um aumento de 30,48% em comparação com 2024.

Embora a Procuradoria-Geral do Estado tenha registrado uma queda de 40% nas denúncias de extorsão em relação a 2024 e uma leve redução nos casos denunciados de sequestro, o aumento no número de homicídios indica que o Equador viveu um dos períodos mais violentos de sua história.

Diante desse cenário, o governo de Noboa adotou medidas semelhantes às implementadas em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele. Leia também: Mundo em Foco: Trégua no Irã, Tensões com Cuba e Tragédia nos Himalaias

Além da militarização da segurança, o governo construiu uma megapenitenciária, ampliou o uso de estados de exceção e mobilizou forças de segurança para recuperar o controle do território.

Em dezembro de 2025, o presidente afirmou que seu governo havia tomado decisões difíceis ao "encarar de frente o narcoterrorismo", em referência à declaração de conflito armado interno.

Mas os resultados da estratégia oficial têm sido questionados.

Luis Córdova, pesquisador do Observatório Equatoriano de Conflitos da Universidade Central do Equador, disse à BBC News Mundo que o país importou de Bukele uma "estética" da guerra contra o crime, na qual os criminosos são mostrados presos "pior que animais", enquanto os cidadãos que "se comportam bem" permanecem livres.

"Bukele vendeu muito bem essa ideia com a prisão do Cecot [Centro de Confinamento do Terrorismo], e Noboa implementou algo semelhante com a construção da prisão La Encuentro, apresentada ao país como uma penitenciária no estilo Bukele. Mas, enquanto o Cecot foi projetado para abrigar entre 20 mil e 30 mil pessoas, aqui cabem 740; então é muito difícil que cumpra um propósito parecido." Mais de mundo

"Eu diria que implementar essa 'estética do bukelismo' é muito rentável para que Noboa se apresente como o homem que não tem medo de enfrentar 'os maus'. Mas, além disso, ele não conseguiu controlar o crime organizado."

Detentos em Cecot com os braços levantados

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A prisão do Cecot, em El Salvador, tornou-se um modelo de combate à violência que foi exportado para outros países

Especialistas destacam que replicar o modelo salvadorenho no Equador não é uma tarefa simples por diversas razões, entre elas as diferenças sociais e geográficas entre os dois países, além das características distintas dos grupos criminosos enfrentados por cada governo.

"As gangues de El Salvador tinham uma natureza completamente diferente do crime transnacional ligado aos grupos de cocaína inseridos no mercado global, que é o que ocorre no Equador, com um financiamento praticamente ilimitado", explica à BBC Mundo Karen Sichel, doutoranda na Faculdade de Criminologia da Universidade de Cambridge.

O próprio Noboa reconheceu, em abril deste ano, os recursos disponíveis para o crime organizado no país:

Em relação ao território, El Salvador é aproximadamente 13 vezes menor que o Equador em extensão territorial e tem uma população majoritariamente urbana, enquanto as quatro regiões equatorianas— Sierra, Costa, Amazônia e Insular— se destacam pela grande diversidade geográfica e demográfica.

Um inimigo fragmentado e espalhado pelo território

Soldados equatorianos em fila
Legenda da foto, Para o analista Luis Córdova, Noboa adotou de Bukele a estratégia de apresentar os militares como referência moral

O outro inimigo

Mulher em frente ao palácio do governo em Quito
Legenda da foto, O emprego informal no país também tem sido utilizado pela economia ilegal

Segurança privatizada

Arma de fogo e munições
Legenda da foto, Arma de fogo e munições apreendidas em Quito, em janeiro de 2026

Direitos humanos e liberdade de imprensa

Nayib Bukele
Legenda da foto, Nayib Bukele reduziu os níveis de insegurança em seu país, embora tenha sido alvo de críticas pelo caminho adotado para alcançar esse resultado
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