O que acontece com o cérebro ao comer um ovo por dia, cinco vezes por semana Novo estudo americano aponta correlação entre o consumo de alimento e o risco de desenvolver Alzheimer O papel da alimentação como um fator de proteção contra doenças neurodegenerativas tem sido alvo de cada vez mais estudos ao redor do mundo. E, em abril, um novo trabalho conduzido por pesquisadores da Califórnia, nos Estados Unidos, jogou luz sobre mais um integrante de uma dieta equilibrada que poderia ajudar a reduzir os riscos de desenvolver o Alzheimer: o ovo.
Publicado no Journal of Nutrition, da Sociedade Americana de Nutrição, o estudo indicou que um consumo maior de ovos está fortemente associado a uma incidência menor de Alzheimer no grupo populacional que foi alvo da investigação. Em quem comia ovo cinco ou mais vezes por semana, o risco chegava a ser até 27% menor do que a média da população. Mas será que o ovo tem todo esse poder para prevenir o Alzheimer?
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Entenda melhor os achados do estudo e as ponderações que ele exige. O que os pesquisadores descobriram? O trabalho encontrou uma correlação entre o consumo de ovo e uma menor incidência do Alzheimer. Leia também: Risco compartilhado, terapias gênicas e “Netflix”: os planos para o futuro da saúde na América Latina
Quanto mais ovos os voluntários diziam comer, menor o risco de apresentar a doença. O contrário também era verdadeiro: em pessoas que diziam não consumir ovos no dia a dia, o risco de Alzheimer chegava a ser 22% maior do que em quem come esse alimento mesmo em quantidades pequenas (equivalentes a 10 gramas por dia). De forma resumida, o trabalho encontrou a seguinte redução de riscos de acordo com o nível de ingestão de ovos:
Para chegar a esses resultados, o trabalho levou em consideração uma coorte específica da população norte-americana: um grupo de quase 39,5 mil pessoas avaliadas dentro do Adventist Health Study-2, um estudo prospectivo que acompanha Adventistas do Sétimo Dia residentes nos Estados Unidos. O acompanhamento dessa população se deu por um período médio de 15,3 anos, com o consumo de ovos sendo observado de acordo com questionários de frequência alimentar aplicados aos participantes. Já a incidência de Alzheimer foi calculada de acordo com dados do Medicare, o sistema federal de seguro saúde dos Estados Unidos.
Qual o segredo do ovo? Segundo os pesquisadores, a composição nutricional do ovo, de modo geral, é um fator chave para explicar a possível proteção. No entanto, o estudo não se dedicou a investigar as razões para os possíveis efeitos neuroprotetores de um consumo rotineiro de ovos.
Com isso, não há um mapeamento de qual nutriente específico (ou que combinação de nutrientes) poderia ser o principal responsável pelos resultados, caso eles efetivamente sejam causados por esse alimento. Mas se sabe, por exemplo, que o ingrediente oferece colina, nutriente importante para o cérebro. O trabalho também enfatiza que os ovos devem ser parte de uma dieta equilibrada para potencializar os benefícios. Mais de saude
+ Limitações do estudo Apesar dos achados com fortes indícios a favor dos ovos, o estudo tem uma série de questões que precisam ser respondidas por mais pesquisas no futuro. Leia também: Panorama da Saúde: Novidades em Tratamentos e Cuidados Essenciais
Em primeiro lugar, o trabalho demonstra uma correlação, não uma relação de causa e efeito. Não dá para cravar que a ingestão de ovos, isoladamente, é a responsável pela redução da incidência de Alzheimer. Além disso, foram considerados apenas integrantes de um grupo populacional específico (adventistas residentes nos EUA), dificultando a generalização dos resultados para outras populações.
A coorte tem um foco maior na região californiana de Loma Linda, conhecida como uma “Blue Zone” onde a população adota hábitos mais saudáveis do que a média. Os diagnósticos de Alzheimer dependeram exclusivamente dos dados disponibilizados pelo Medicare, o que pode não incluir pacientes que identificaram e trataram a doença em outros sistemas de saúde, falseando as estatísticas. Já o consumo de ovos foi registrado de acordo com um questionário preenchido pelos próprios participantes, o que pode render erros nas quantidades relatadas.
Também não se sabe qual foi o modo de preparação (frito, cozido, mexido etc) mais associado a benefícios, já que o consumo de ovos foi descrito de maneira genérica. Em resumo: há uma boa chance de a ingestão de ovos, associada a hábitos saudáveis, trazer benefícios também para a saúde cerebral. Mas são necessários mais estudos para afirmar isso com certeza absoluta, e para entender de que maneira o ovo pode efetivamente atuar na neuroproteção.
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