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O que acontece com Bolsonaro após a derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria

O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro chega em casa para começar a cumprir prisão domiciliar, após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de

O que acontece com Bolsonaro após a derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria
O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro chega em casa para começar a cumprir prisão domiciliar, após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, depois de ter sido condenado pela maioria dos ministros da Corte por tramar um golpe para permanecer no poder após perder a eleição de 2022, em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado
O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro chega em casa para começar a cumprir prisão domiciliar, após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, depois de ter sido condenado pela maioria dos ministros da Corte por tramar um golpe para permanecer no poder após perder a eleição de 2022, em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado

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A derrubada do veto do presidente Lula ao projeto que reduz as penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos envolvidos nos atos antidemocráticos de não beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) imediatamente, nem torna ele elegível. A votação do Congresso nesta quinta-feira, 30, reabrirá a discussão sobre o cálculo da pena do ex-presidente, considerando as novas premissas do PL da Dosimetria.

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Após o veto ser derrubado na Câmara, por 318 a 144, e no Senado, por 49 a 24, o texto segue para promulgação do presidente Lula. Caso a lei não seja promulgada dentro de quarenta e oito horas, ficará a cargo do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), fazê-lo. Se este não fizer, ficará sob responsabilidade do vice-presidente do Senado.

Após a publicação da lei, que tem vigência imediata, a defesa do presidente pode entrar com um pedido para que haja um novo cálculo, que será analisado pelo juiz de execução penal e depende de alguns fatores.

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O coordenador da ESPM-SP, Marcelo Crespo, avalia que o principal fator diz respeito à interpretação dos crimes. “Bolsonaro foi condenado em mais de um crime. E basicamente, o que esse veto faz é dizer que a interpretação é assim: em vez dele responder por dois crimes, ele reponde por um só, com uma pena aumentada”, explicou. Leia também: Trump endossa Infantino sobre Irã na Copa, mas desdenha: “Eles têm bom time?”

O ex-presidente foi condenado por 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

Pela regra atual do STF, os crimes de golpe de Estado e abolição violenta são somados, elevando a condenação final. O PL determina que quando praticados no mesmo contexto, eles passam a ser tratados como um único bloco, com aplicação da pena mais grave acrescida de um aumento proporcional, e não mais a soma integral das condenações.

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A derrubada do veto abre caminho para que a defesa de Bolsonaro peça a readequação da pena. Pelas projeções, a condenação de 27 anos e 3 meses poderia ser recalculada para cerca de 20 anos. Atualmente, o ex-presidente está em prisão domiciliar por problemas de saúde. Mais de economia

Com a derrubada do veto, Bolsonaro poderia ter a pena reduzida para 20 anos. “O tempo mínimo para progressão, antes estimado em aproximadamente 6 anos e 10 meses, poderia cair para cerca de 3 anos e 4 meses, chegando próximo de 2 anos e 4 meses apenas se considerados benefícios como remição por trabalho ou estudo”, explica Crespo. A alteração, porém, não opera automaticamente e dependerá de decisão do STF.

Como mostrou o Estadão, o texto também tem potencial para antecipar a soltura de parte dos envolvidos nos atos antidemocráticos de , entre eles Débora Rodrigues dos Santos, a Débora do Batom, que escreveu “Perdeu, mané” na estátua A Justiça no dia da invasão e deixaria prisão domiciliar imediatamente.

“A derrubada do veto ao PL da Dosimetria não absolve Bolsonaro, não apaga a condenação e não restaura seus direitos políticos”, destaca Crespo. Leia também: Estatueta do Oscar desaparece após vencedor ser impedido de embarcar com ela em avião

“O que ela faz é deslocar a disputa para uma nova arena: a execução e revisão da pena no STF. A defesa ganha um argumento poderoso, baseado na retroatividade da lei penal mais benéfica; o governo e seus aliados ganham um argumento institucional, baseado na possível inconstitucionalidade material e formal da medida”, acrescenta.

Como resultado, o PL da Dosimetria deve reduzir a pena, mas não necessariamente a conceder liberdade imediata ao ex-presidente, nem a elegibilidade dele ainda este ano.

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