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O que a crise de 1929 pode nos ensinar sobre os perigos que a economia enfrenta

O que a crise de 1929 ganha peso no noticiário por causa dos desdobramentos mais recentes.

O que a crise de 1929 pode nos ensinar sobre os perigos que a economia enfrenta
O que a crise de 1929 pode nos ensinar sobre os perigos que a economia enfrenta hoje?
Foto em preto e branco mostra mensageiros de corretoras aglomerados em torno de uma pessoa lendo um jornal.

Crédito, Getty Images

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    • Author, Tim Harford
    • Role, More or Less, BBC World Service*
      e
    • Author, Nathan Gower
    • Role, More or Less, BBC World Service*
  • Published Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 7 min

Para muitos economistas, os indicadores atualmente registrados pela Bolsa de Valores de Nova York— e já há algum tempo— são desconcertantes.

Leia no AINotícia: Mundo em foco: panorama

Apesar de vários anos de conflito na Ucrânia e no Oriente Médio, com o fechamento repentino do estreito de Ormuz, que causou caos no mercado global de energia, o mercado de ações continua em alta.

Em fevereiro, o índice Dow Jones— que representa a média do valor das 30 maiores empresas americanas— ultrapassou sua máxima histórica de 50 mil pontos e agora em junho já havia ultrapassado os 52 mil.

No final de maio, o índice S&P 500 conseguiu manter uma alta sustentada no preço de suas ações por nove dias consecutivos— algo raro em Wall Street— e, graças à explosão da inteligência artificial, o índice Nasdaq continua a atingir recordes históricos. Leia também: Quem o Brasil pode enfrentar no mata-mata da Copa do Mundo? Os cenários de cada

Embora esse aumento possa, teoricamente, ser um bom sinal para a economia americana, alguns começam a traçar paralelos com os anos que antecederam a maior crise financeira da história: a quebra da Bolsa de Valores de 1929.

O podcast da BBC More or Less conversou com Andrew Ross Sorkin, autor de 1929: Por dentro da maior crise da história de Wall Street- e como ela abalou o mundo (Companhia das Letras) e Too Big to Fail (Grande demais para quebrar, em tradução livre) para analisar as semelhanças e diferenças entre a situação atual e o período anterior à quebra de 1929.

Andrew Ross Sorkin.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Sorkin ressalta como pessoas estavam se endividando para investir antes do crash de 1929

BBC- Para aqueles de nós familiarizados com a história das finanças, nenhuma data é mais significativa do que 1929. Mas para aqueles que, felizmente, se esqueceram: o que foi a Grande Quebra da Bolsa de Valores de Wall Street?

Andrew Ross Sorkin- A Grande Quebra da Bolsa de Valores de 1929 é considerada a primeira e mais severa quebra da bolsa de valores dos EUA. Mais de mundo

A década de 1920 foi uma época de grande prosperidade e dinamismo. Leia também: Os 4 processos judiciais nos EUA que podem mudar a forma como as redes sociais

Surgiram os automóveis, o rádio e todo aquele entusiasmo pelas novas tecnologias que iriam mudar o mundo.

Além disso, foi a primeira vez que pessoas comuns puderam investir na bolsa de valores. Elas observaram o mercado subir constantemente. E, em outubro de 1929, ele quebrou; e quebrou com uma força tremenda.

BBC- Eu queria ter uma ideia da magnitude dessa quebra. Ela é chamada de "Grande Quebra". É correto dizer que foi a maior crise financeira da história? Existe alguma maneira de quantificá-la?

Sorkin- Acredito que, se analisarmos não apenas o ano de 1929, mas o período entre 1929 e 1933, observaremos uma queda de aproximadamente 90% no valor total do mercado.

Vale ressaltar que, curiosamente, em 1929— apesar de todos nos lembrarmos daquele ano como uma grande quebra —, a bolsa de valores fechou com uma queda de apenas 17%.

Em outubro de 1929, milhares de pessoas se aglomeraram na entrada da Bolsa de Valores de Nova York em busca de informações sobre seus investimentos.
Legenda da foto, A quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929 teve um impacto imenso nas economias dos EUA e do mundo
Dezenas de corretores da bolsa estão de pé, expressando preocupação.
Legenda da foto, Em outubro de 1929, o terror tomou conta dos investidores na Bolsa de Valores de Nova York
Muitas pessoas estavam em frente à Bolsa de Valores de Nova York, aguardando notícias sobre seu dinheiro.
Legenda da foto, 'As pessoas vieram a Wall Street para tentar descobrir pessoalmente o que tinha acontecido com o seu dinheiro', explica Andrew Ross Sorkin.
Em 1974, pessoas fazem fila no departamento de assistência social em Nova York, na esperança de conseguir um emprego.
Legenda da foto, Uma forte reavaliação dos preços das ações durante a década de 1970 levou à temida 'estagflação': alta inflação, baixo crescimento e desemprego em disparada.
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