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- Author, Alejandra Martins
- Role, Da BBC News Mundo
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 14 min
"Não vamos recuperar, pelo menos em nenhum futuro previsível, o clima e a atmosfera que já perdemos", diz o climatologista equatoriano Raúl Cordero.
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"Mas isso não significa que devemos nos acomodar. Porque ainda podemos perder mais", ele acrescenta, em entrevista à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
Cordero, que trabalhou durante anos no Chile e realiza várias pesquisas na Antártida, é atualmente professor da Universidade de Groningen, na Holanda.
De incêndios a ondas de calor e inundações, "há uma epidemia de eventos extremos ao redor do mundo que estão se tornando cada vez mais intensos e frequentes", em suas palavras. Leia também: Augusto Cury na Globo: o que disse o candidato à Presidência na entrevista
Os 11 anos entre 2015 e 2025 foram os mais quentes já registrados, segundo um relatório de março da Organização Meteorológica Mundial.
Cordero explicou por que o hemisfério norte está se aquecendo quase duas vezes mais rápido que o hemisfério sul, o que esperar do efeito combinado das mudanças climáticas e do El Niño e como, apesar de tudo, ele ainda encontra motivos para ter esperança.
Leia abaixo trechos da entrevista.
BBC— Ao apresentar seu relatório deste ano sobre o estado do clima no Reino Unido, o serviço meteorológico britânico afirmou que "o clima do século 20 já não existe". O senhor concorda com isso?
Raúl Cordero— Sim, concordo plenamente. O clima depende, em última instância, da atmosfera, e a atmosfera na qual nascemos já não existe. O planeta em que nascemos já não existe. Mais de mundo
Nós alteramos a composição atmosférica do planeta com as emissões de gases de efeito estufa. E não a alteramos apenas um pouco: a concentração de CO2, o principal gás de efeito estufa, é hoje 50% maior do que era há pouco mais de um século.
Se alguém modifica em tamanha proporção a composição atmosférica do planeta, o clima vai mudar. E ele nunca voltará a ser o que era até que esse excedente de 50% de CO2 diminua.
Portanto, não é apenas o clima que temos hoje de diferente. A atmosfera é diferente. E há algo ainda pior: não vamos recuperá-los, pelo menos em nenhum futuro previsível. Leia também: A vida em El Salvador 4 anos sob Bukele: 'O medo agora é outro'

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BBC— Quando o senhor diz "nenhum futuro previsível", a que se refere?
Cordero— O futuro previsível costuma estar associado aos horizontes da vida humana. É muito difícil que consigamos reduzir a concentração de gases de efeito estufa em menos de cem anos.










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