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O país vizinho do Brasil que está enriquecendo com a guerra no Irã

Crédito, Bloomberg via Getty Images Legenda da foto, O crescimento econômico na Guiana está resultando em um aumento na construção de moradias e infraestrutura Article

O país vizinho do Brasil que está enriquecendo com a guerra no Irã
Trabalhadores da construção civil na Guiana.

Crédito, Bloomberg via Getty Images

Legenda da foto, O crescimento econômico na Guiana está resultando em um aumento na construção de moradias e infraestrutura
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    • Author, Ángel Bermúdez
    • Role, BBC News Mundo
  • Há 6 horas
  • Tempo de leitura: 7 min

Inflação, aumento dos preços da gasolina e ameaças ao abastecimento alimentar nos países mais vulneráveis. Essas são três das principais consequências geralmente mencionadas quando se discute o impacto econômico da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã.

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No entanto, para a Guiana — provavelmente o mais novo petroestado do mundo — o conflito que bloqueou o estreito de Ormuz significou um aumento significativo no rendimento.

Esses recursos provêm da combinação de dois efeitos: o aumento planejado da produção e o efeito da alta dos preços do petróleo como consequência da guerra no Oriente Médio.

Segundo Sidney Armstrong, professor do Departamento de Economia da Universidade da Guiana, a produção de petróleo bruto do país estava projetada para atingir em dezembro de 2025 em torno de 892.000 barris por dia, enquanto atualmente já ultrapassa 920.000 (e está em tendência de alta). Leia também: O fenômeno Carla Madeira, que domina as redes e divide leitores com seus

Ao mesmo tempo, enquanto o preço do petróleo bruto Brent girava em torno de US$ 62 antes da guerra, a média diária desde o início do conflito tem sido de cerca de US$ 108, segundo dados da Administração de Informação Energética dos EUA (EIA). Mas o que isso significa para a Guiana e qual será o impacto?

O governo da Guiana, liderado pelo presidente Irfaan Ali, não pode dispor livremente dos recursos gerados pelo boom do petróleo

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O governo da Guiana, liderado pelo presidente Irfaan Ali, não pode dispor livremente dos recursos gerados pelo boom do petróleo

Crescimento acelerado

A história do petróleo na Guiana é muito recente. Sua produção de hidrocarbonetos começou há apenas seis anos, mas esse curto período já foi suficiente para torná-la uma das maiores produtoras de petróleo da América do Sul.

"A Guiana é um caso interessante porque se tornou a economia de crescimento mais rápido do mundo. Em grande parte, isso se deve ao fato de ter partido de uma base muito pequena, mas ainda assim é a economia que mais cresce", afirma Roxanna Vigil, pesquisadora do Council on Foreign Relations, um think tank com sede em Washington.

As receitas do petróleo se tornaram o motor do país, cuja economia cresceu a uma média de 40,9% ao ano desde 2020, segundo dados do Banco Mundial. Mais de mundo

Além disso, as receitas da exploração de hidrocarbonetos representaram 37% do orçamento do Estado em 2025, ano em que o país arrecadou aproximadamente US$ 2,5 bilhões dessa fonte. Estimativas do Ministério das Finanças — anteriores à guerra no Irã — apontavam para receitas petrolíferas de cerca de US$ 2,8 bilhões em 2026. Leia também: Beatles vão abrir museu em Londres em 2027 com acesso ao lendário telhado do

Mas a guerra no Irã, e especialmente o fechamento do estreito de Ormuz, alteraram esses cálculos.

"Devido aos preços globais mais altos do petróleo, esperamos que as receitas do governo aumentem em US$ 4 bilhões este ano, em comparação com as estimativas do início de 2026", disse Luiz Hayum, analista sênior de exploração e produção da consultoria Wood Mackenzie, em resposta a uma pergunta da BBC News Mundo.

Ele acrescentou que esperam que a produção média de petróleo bruto do país atinja cerca de um milhão de barris por dia em 2026, após a expansão da produção planejada para este ano. No entanto, Sidney Armstrong alerta que a maior parte da receita gerada pela produção de petróleo na Guiana não vai para os cofres do país, devido à forma como os contratos de exploração são estruturados.

Uma vez que as empresas petrolíferas tenham recuperado o investimento inicial, a Guiana receberá 50% dos lucros mais os 2% de royalties.

A boa notícia para o governo de Georgetown é que, graças ao aumento dos preços do petróleo bruto devido à situação no Irã, o tempo necessário para as empresas petrolíferas recuperarem o investimento está diminuindo.

Uma mulher caminha pelo Mercado Stabroek em Georgetown.
Legenda da foto, A Guiana possui a economia que cresce mais rapidamente no mundo

Fundo de Recursos Naturais

Operários da China Railway Construction Corp. operam máquinas pesadas em uma plataforma temporária usada para concluir uma ponte de várias faixas sobre o rio Demerara.
Legenda da foto, O boom do petróleo levou a um boom da construção civil na Guiana

O outro lado do boom

Sede da ExxonMobil em Georgetown
Legenda da foto, A empresa americana ExxonMobil é a principal acionista do consórcio que opera o bloco petrolífero de Stabroek, o único atualmente em atividade na Guiana
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