
Crédito, CLARENS SIFFROY
- Author, Juan Martínez d’Aubuisson
- Role, De Porto Príncipe (Haiti) para a BBC News Mundo
- 27 abril 2026, 18:14 -03Atualizado Há 31 minutos
- Tempo de leitura: 23 min
Esta reportagem faz parte do projeto "A Queda de Porto Príncipe", da produtora Dromómanos e da organização Global Initiative.
Leia no AINotícia: Panorama Internacional: Ataque em Gala e Repercussão
Importante: esta reportagem traz descrições de sequestros e assassinatos que podem ser perturbadoras para alguns leitores.
O pequeno príncipe Benson está doente.
Seu pai é o rei Micanor, autoproclamado último monarca do Caribe. Ele é o senhor dos cais de Porto Príncipe, "senhor da guerra" do bairro de Wharf Jérémie e da Viv Ansanm, a confederação de facções criminosas que controla a capital do Haiti. Leia também: 'Nunca pensei que estaria gravando': As mulheres filmadas com câmeras secretas e ridicularizadas na internet
Ele está certo de ter descoberto o motivo. Existem na área homens-lobos, uma espécie de feiticeiros anciãos. Eles têm o poder de se transfigurar em animais para atacar à noite e uma capacidade especial de fazer adoecer e matar crianças.
O rei decide, então, que, para salvar seu filho, suas hostes precisam sair à caça desses feiticeiros.
Sébastien é um homem forte e rústico de 32 anos. Em uma das casas, ele está debaixo da cama da sua mãe e observa dois homens a levarem embora.
Em outra, a avó de Evelyn diz: "Que ninguém fale nada. Escondam-se, todos." A anciã abre a porta e é raptada.
O avô de Sheila também é levado embora. Quando ela sai para averiguar sobre seu paradeiro, o ancião já está morto. Mais de mundo
Manú também procura seus pais, que não atendem o telefone. No dia seguinte, ele descobre que seu pai foi desmembrado a golpes de facão.
Os bandidos de Micanor matam ainda o tio e o primo de Dustin. Ele conta a história com dois buracos de bala no corpo.
Durante seis dias, seu pai tira a vida de 207 pessoas. A maioria tinha mais de 60 anos. Ele os corta com facão, faz os corpos desaparecerem com fogo ou os joga no fundo do mar. Leia também: Como atirador conseguiu chegar tão perto de Trump e outras perguntas sobre ataque em Washington
No final de fevereiro de 2025, três meses depois do massacre em Porto Príncipe, consigo agendar uma reunião com a advogada Rosie Auguste Ducéna, chefe da Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (RNDDH, na sigla em francês). Mas chegar até lá é complicado.
A capital haitiana é a cidade mais violenta do país mais pobre e violento do continente americano. E 90% de Porto Príncipe está, há mais de um ano, sob o controle da Viv Ansanm, a maior confederação de gangues criminosas já vista na região.
Desde , os bandidos tomaram posse de um bairro atrás do outro, queimando delegacias de polícia, estações de rádio locais, escolas, edifícios governamentais, cemitérios, estradas... Eles devastaram a cidade.
Os 10% que resistem à ofensiva são defendidos pelo pouco que resta do Estado haitiano, uma missão internacional comandada pelo Quênia, civis e pelos homens comandados por pessoas como o ex-policial Samuel Joasil, o mais conhecido de todos.
Estas brigadas montam barricadas quase todos os dias, colocam carros queimados, portões improvisados, cercas de arame farpado ou fogo em pneus para impedir a entrada dos bandidos e fazer com que eles, se conseguirem entrar, se movimentem com lentidão.


O rei assassino e a maldição dos anciãos

A morte do príncipe e as torturas do rei
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