
Crédito, Getty Images
- Author, Luiz Antônio Araujo
- Role, De Porto Alegre para a BBC News Brasil
- Published Há 5 horas
- Tempo de leitura: 7 min
A crise que resultou no indiciamento do ex-presidente de Cuba Raúl Castro, 94 anos, pelos Estados Unidos, na semana passada, é o pano de fundo para um livro-reportagem filmado para o streaming com o ator brasileiro Wagner Moura em um dos papéis centrais.
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Publicado em 2011, Os últimos soldados da Guerra Fria, do também brasileiro Fernando Morais, revela uma trama emoldurada pela tensão diplomática e militar entre Washington e Havana que se seguiu ao fim da União Soviética.
A escalada teve um de seus pontos culminantes no dia , quando um jato MIG-29 da Força Aérea Cubana, derrubou dois aviões bimotores Cessna 337 de um grupo anticastrista sobre o Estreito da Flórida no dia .
Os quatro tripulantes das duas aeronaves (três americanos de origem cubana e um cubano com visto permanente de residência nos Estados Unidos) morreram, enquanto uma terceira conseguiu escapar. Leia também: Grupo é encontrado com vida após uma semana em caverna inundada no Laos
Na época, Raúl Castro era ministro da Defesa de Cuba, sob a presidência de seu irmão Fidel Castro (1926-2016). Agora, 30 anos depois, Raúl e outros cinco cubanos foram indiciados em uma corte federal da Flórida por suspeita de homicídio e destruição das duas aeronaves.
Em entrevista por telefone à BBC News Brasil, o escritor Fernando Morais recorreu a sua condição de "autor de livro e consultor de filme" sobre o assunto para justificar o "espanto" com a medida contra Raúl Castro.
Prestes a completar 80 anos no próximo dia 22 de julho, dos quais 50 dedicados à cobertura jornalística de assuntos cubanos, o jornalista e escritor atribuiu a decisão de uma juíza federal da Flórida a "mais uma manifestação delirante do presidente [Donald] Trump".
13 anos para escrever
Nono livro de Morais, Os últimos soldados é também um ponto fora da curva em sua obra.
Observador atento da realidade do país ao qual consagrou seu primeiro título, A ilha (1976), Morais virou sua atenção para o caso pela primeira vez em 1998. A bordo de um táxi, ele ouviu pelo rádio a notícia da prisão de cinco cubanos acusados de espionagem nos Estados Unidos. Mais de mundo
O sinal verde para consultar arquivos cubanos do caso ocorreu apenas em 2005, quando Fernando Moraes estava às voltas com O mago, biografia do romancista Paulo Coelho.

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O início efetivo do trabalho só ocorreria três anos depois, quando o jornalista teve tempo e recursos de sua editora, Companhia das Letras, para uma série de viagens a Cuba e Estados Unidos.
No meio da investigação, o trajeto São Paulo-Havana-Miami consumiu todo o dinheiro.
Os últimos soldados da Guerra Fria só veio a lume graças à compra do argumento para o cinema pelo produtor Rodrigo Teixeira, que também co-produziria Ainda estou aqui (2024).
A providencial venda de direitos para a tela grande custeou a conclusão do livro. A obra revela Morais no auge de seus poderes de narrador, capazes de conduzir o leitor por uma magistral reportagem histórica em ritmo de thriller.
Meses antes do lançamento, o autor recebeu a ligação de um repórter que acabara de ler a prova de divulgação do livro distribuída pela editora.

Derrubada de aviões

A derrubada
Raúl e Fidel
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