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Ler matéria →O legado controverso de Margaret Sanger, 'mãe' do controle de natalidade que mudou planejamento familiar no mundo

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"Mães! Você tem condição financeira de ter uma família grande? Você quer mais filhos? Se não, por que você os tem? Não mate, não tire a vida, mas faça a prevenção. Informações seguras e inofensivas podem ser obtidas com enfermeiras treinadas..."
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A contracepção era polêmica e ilegal na época. A clínica logo foi fechada, e Sanger foi presa na sequência. Mas quando ela morreu, 50 anos depois, seu trabalho estava mudando o planejamento familiar em todo o mundo.
Aclamada pela imprensa e estudiosos como "a mãe do controle de natalidade", Sanger foi a responsável pelo desenvolvimento da pílula anticoncepcional.

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Personalidade polêmica
"O legado de Sanger é realmente misto", diz Sanjam Ahluwalia, professora de história e estudos femininos e de gênero na Universidade do Norte do Arizona, nos EUA, e autora do livro Reproductive Restraints: Birth Control in India, 1877-1947.
"Não acho que seu legado seja apenas de libertação [das mulheres], mas acho que cancelar alguém como Sanger é muito simplista... É preciso ler a sua obra no contexto da história e criticamente", disse ela à BBC.

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Pobreza
Sanger nasceu em 1879 no Estado de Nova York, a sexta de onze filhos. Seu pai, Michael, era um pedreiro nascido na Irlanda. A família era pobre e morava em um barraco. Sua mãe teve 18 gestações, incluindo sete abortos espontâneos.
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Sanger começou como enfermeira de cuidados paliativos, função na qual viu uma mulher morrer de complicações na gravidez e também testemunhou as consequências de abortos clandestinos.
"Estavam em vigor leis de Comstock que proibiam o uso do sistema postal para distribuir controle de natalidade, informações ou dispositivos contraceptivos. Também havia leis contra a contracepção em muitos Estados", diz Elaine Tyler May, professora de estudos e história americana na Universidade de Minnesota, nos EUA. Leia também: 4 grandes mudanças no Reino Unido 10 anos após o Brexit (e quais as chances
Sanger também precisou lidar com a poderosa Igreja Católica, que via a contracepção como um pecado.
Em março de 1914, Sanger publicou The Woman Rebel, que defendia o direito de praticar o controle de natalidade. O livro logo virou alvo do sistema jurídico americano. Para evitar ser presa, ela viajou para a Inglaterra.
No país, ela foi influenciada pelos trabalhos de Thomas Robert Malthus, que argumentava que os recursos da Terra não seriam capazes de suportar o crescimento populacional descontrolado. Ele recomendava autocontrole e adiamento do casamento.
Mas ativistas conhecidos como neomalthusianos faziam campanha a favor de métodos contraceptivos.
"Ela também começou a criar outra narrativa... [dizendo] que o controle da natalidade era a forma de manter a paz e [evitar] a escassez de alimentos", diz Caroline Rusterholz, historiadora da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, com foco em população, medicina e sexualidade.

Primeria clínica


Tragédia
Eugenia


'Pílula mágica'

Legado de Sanger
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