O árbitro da Fifa que foi barrado nos EUA e ficará fora da Copa do Mundo
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Crédito, Getty Images
- Author, Edison Veiga
- Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
- Published Há 33 minutos
- Tempo de leitura: 9 min
Não são delírios infundados, mas sim a crença futurológica de um dos maiores economistas da história, o britânico John Maynard Keynes (1883-1945).
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Em 1930 ele publicou o ensaio Possibilidades Econômicas para Nossos Netos, um texto em que procura desconstruir o pessimismo econômico de sua época— para ele, um exagero, uma "interpretação grosseiramente errônea" da realidade.
Diretora-adjunta do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a economista Patrícia Pelatieri ressalta que se trata de um dos textos clássicos de Keynes.
"O ensaio foi apresentado em uma conferência em 1928, foi ampliado em uma palestra apresentada em Madri, em junho de 1930, e publicado em formato literário em outubro do mesmo ano, em pleno contexto da Grande Depressão", contextualiza ela, recordando da grande crise que abalou a econômica mundial no final daquela década de 1920. Leia também: Por que a entrada da SpaceX na bolsa pode ser a maior aposta de Elon Musk
Para o economista John Keynes, professor na Universidade de Cambridge, a crise e o desemprego das primeiras décadas do século 20 não indicavam um declínio permanente das sociedade capitalista, mas sim uma fase de transição precipitada pela rapidez das transformações tecnológicas e econômicas.
Keynes aponta que, durante milênios, o padrão de vida da humanidade havia mudado muito pouco— e a combinação entre acumulação de capital, juros compostos e avanços científicos acabou desencadeando um crescimento sem precedentes desde a Revolução Industrial— ocorrida na Inglaterra a partir da segunda metade do século 18.
Com base nessa tendência histórica, Keynes prevê que, em cerca de cem anos, os países mais desenvolvidos alcançariam um nível de riqueza muito superior ao de sua época.
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O progresso tecnológico permitiria produzir muito mais com muito menos trabalho humano, embora isso criasse temporariamente o chamado "desemprego tecnológico".
No longo prazo, porém, ele acreditava que a humanidade resolveria seu principal problema histórico: a escassez econômica.
As necessidades materiais básicas seriam amplamente satisfeitas, reduzindo a centralidade da luta pela sobrevivência. Leia também: PEC da Liberdade ou Escravidão? O que pode mudar no regime de trabalho por hora
A parte mais original do ensaio é a reflexão sobre as consequências humanas dessa abundância. Keynes reflete sobre uma consequência imediata dessa transformação.
Quando o trabalho deixar de ser uma necessidade vital, as pessoas enfrentarão um novo desafio: encontrar propósito para suas vidas e usar bem o tempo livre.
Ele imagina jornadas de trabalho muito curtas, talvez de apenas quinze horas semanais, e uma sociedade menos obcecada pela acumulação de riqueza.
Quase uma utopia.
Nesse cenário, valores como cultura, prazer, convivência e desenvolvimento pessoal ganhariam mais importância do que o dinheiro, permitindo que os seres humanos se dedicassem à "arte de viver" em vez de apenas trabalhar para sobreviver.

A escola Keynes


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