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O dilema da Arábia Saudita para se manter fora da guerra entre EUA e Irã

O dilema da Arábia Saudita para se manter fora da guerra entre EUA e Irã Crédito, AFP via Getty Images Legenda da foto, O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed

O dilema da Arábia Saudita para se manter fora da guerra entre EUA e Irã
O dilema da Arábia Saudita para se manter fora da guerra entre EUA e Irã
Mohammed bin Salman está com a mão no queixo, em atitude pensativa. Veste trajes tradicionais árabes, incluindo um lenço vermelho e branco na cabeça. Também usa uma capa preta com detalhes dourados nas bordas

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, passou a conduzir o país segundo um plano conhecido como Visão 2030
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    • Author, Frank Gardner
    • Role, Correspondente de Segurança da BBC News
  • Published 30 julho 2026, 07:57 -03
    Atualizado Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 6 min

A Arábia Saudita enfrenta um difícil dilema. Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro deste ano, os sauditas têm procurado se manter fora do conflito.

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Mas depois de sofrer ataques vindos de três frentes, os sauditas perderam a paciência. Nesta semana, o país realizou, em conjunto com os EUA, ataques contra milícias apoiadas pelo Irã no Iraque que, segundo os sauditas, vêm lançando drones contra o reino saudita.

O dilema para a Arábia Saudita agora é decidir se continuará revidando para tentar impedir novos ataques ou se buscará reduzir as tensões, talvez fazendo pagamentos a alguns de seus adversários.

Primeiro, um pouco de contexto. De modo geral, há dois lados no conflito que atinge o Golfo e outras regiões do Oriente Médio há cinco meses. Leia também: Como entrada da Arábia Saudita em ataques no Iraque reforça ideia de guerra

De um lado estão o Irã, especialmente o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, e seus aliados, como os houthis, no Iêmen, grupo tribal que assumiu o controle de grande parte do país em 2014.

O Irã também apoia as Forças de Mobilização Popular (PMF) no Iraque, grupo paramilitar que teria realizado 30 ataques com drones contra a Arábia Saudita e que agora foi alvo de retaliação.

Há ainda o Hezbollah (grupo político e militar xiita que opera no Líbano), que continua sendo uma força relevante, mas atualmente mantém um perfil discreto.

Escombros no chão diante de um prédio destruído. Ao fundo, há árvores atrás da área devastada

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Os EUA e a Arábia Saudita realizaram ataques contra uma instalação das Forças de Mobilização Popular (PMF), grupo paramilitar do Iraque

Do lado oposto do conflito estão os EUA, com as poderosas forças de seu Comando Central (Centcom, na sigla em inglês), além dos países árabes do Golfo e da Jordânia, envolvidos em diferentes graus.

Israel continua sendo um aliado próximo dos EUA, mas atualmente não participa ativamente da guerra. Leia também: O que brasileiros pensam de influenciadores que fazem publicidade de bets

Mais recentemente, o Irã tem concentrado seus ataques com drones e mísseis contra Jordânia, Kuwait e Bahrein. O país também ataca navios comerciais que tentam atravessar o estreito de Ormuz sem seguir as novas regras e rotas impostas pelo Irã.

A participação de milícias iraquianas e dos houthis é um fenômeno relativamente recente e mostra que, sem um acordo de paz duradouro entre os EUA e o Irã, a região corre o risco de se envolver cada vez mais em um conflito em expansão.

Há vários motivos para a Arábia Saudita tentar evitar ser arrastada para uma guerra em larga escala.

O governante de fato do país, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman— MBS, como é popularmente conhecido—, lançou uma estratégia conhecida como Visão 2030.

O objetivo é reduzir a dependência do reino das receitas do petróleo e desenvolver setores nacionais modernos e dinâmicos, capazes de oferecer empregos com boas perspectivas às centenas de milhares de jovens que concluem a escola ou a universidade e entram no mercado de trabalho todos os anos.

Mapa do estreito de Ormuz
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