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Crédito, Exército do Equador
- Author, Alejandro Millán Valencia
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 8 min
Poucos dias atrás, autoridades equatorianas informaram sobre o resgate de uma menina de 10 anos que havia sido vítima de tráfico de pessoas no Peru, através da fronteira, para ser entregue como esposa.
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A operação foi realizada na cidade de Espejo, na província de Pastaza (Amazônia equatoriana). Ali, foi capturado um homem de 50 anos que pretendia se casar com a menor, segundo a Promotoria do Equador.
O indivíduo foi acusado de tráfico humano para casamento servil. Esta prática consiste em receber uma mulher, muitas vezes menor de idade ou contra a sua vontade, para se casar ou conviver com ela.
A operação ocorreu depois de uma investigação que durou dois meses. Nesse período, as autoridades fronteiriças acompanharam as pistas de mais dois casos de tráfico de menores. Leia também: O que faz Cuba depender do exterior para alimentar sua população
O anúncio colocou em evidência uma problemática recorrente naquela região e em outras partes da América Latina: os casamentos infantis que, em alguns casos, são também forçados, como ocorreu no Equador.
A prática do casamento infantil também é conhecida como união precoce. Segundo a Unicef, uma em cada quatro menores da América Latina e do Caribe foi objeto de casamento infantil ou iniciou uma união precoce, com menos de 18 anos.
Mas, além dos dados absolutos, a estatística mais preocupante para os especialistas é que a América Latina é a única região que não verificou redução significativa destes casos, em comparação com outras partes do planeta.
A África subsaariana, por exemplo, é a região do mundo com o maior número proporcional de casos, com quatro a cada 10 menores. Mas a tendência é de queda e, nos últimos 25 anos, foram impostos controles e proibições que conseguiram reduzir o número de "casamentos precoces".

Crédito, Getty Images Mais de mundo
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"Um dos principais motivos é que, devido à pobreza, ao acesso limitado à educação e às poucas oportunidades econômicas, além da exposição à violência, muitas meninas procuram segurança, estabilidade econômica ou maior autonomia nas suas uniões", declarou à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Alma Burciaga González, porta-voz da organização Girls Not Brides ("Meninas, não noivas", em tradução livre) para a América Latina e o Caribe. Leia também: Laura Cardoso morreu aos 98 anos sem nunca se aposentar, com método 'doído'
Burciaga afirma que, se não forem encontradas soluções eficazes para evitar este tipo de união, as consequências continuarão sendo prejudiciais para gerações inteiras de meninas.
"A união precoce é frequentemente esquecida nos debates públicos e na coleta de dados que podem ser contabilizados", prossegue ela.
"Mas ela pode acarretar muitas das mesmas consequências do casamento formal para as meninas, como a interrupção da educação, a gravidez precoce, maior exposição à violência de gênero e redução das oportunidades para desenvolver seu potencial."
Problema muito antigo
Documentos históricos indicam que a prática dos casamentos infantis vem de longa data na América Latina.
Algumas comunidades pré-hispânicas contemplavam o casamento com meninos e meninas. Mas também se sabe que o próprio direito canônico católico, que prevaleceu durante séculos no território americano, permitia o casamento a partir dos 12 anos para as mulheres e dos 14 para os homens.

Pobreza e desigualdade

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Pobreza e abusos estimulam casamentos infantis no Brasil9 setembro 2015
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