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Crédito, Getty Images
- Author, Asma Khalid
- Role, Coapresentadora do podcast The Global Story
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 13 min
Há 16 anos, Abdi Nor Iftin era um refugiado somali que vivia em uma das favelas mais pobres do Quênia quando descobriu que havia sido contemplado em um sorteio que mudaria sua vida.
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Entre quase 8 milhões de candidatos em 2013, ele estava entre os 50 mil selecionados para receber um visto americano por meio do programa de vistos de diversidade, criado pelo governo dos Estados Unidos na década de 1990.
Iftin sonhava havia muito tempo em se mudar para os EUA. Era tão obcecado pelo país que os amigos de infância chegaram a apelidá-lo de "Abdi América", depois que ele aprendeu inglês assistindo a filmes de Hollywood.
"Passei a vida inteira apaixonado pelos EUA, o melhor país do mundo, a terra dos sonhos, a terra das oportunidades", disse em entrevista à BBC em 2014. Leia também: Haaland e Gabriel Magalhães: a rivalidade que nasceu no campeonato inglês
Naquele ano, Iftin, hoje com 41 anos, chegou aos EUA, se estabeleceu em uma pequena cidade no Estado do Maine, conseguiu um emprego instalando isolamento térmico e se tornou cidadão americano.
Mas, agora, suas expectativas deram lugar à realidade. Neste ano, ele perdeu o emprego em uma agência de reassentamento de refugiados e, com isso, também o plano de saúde.
Às vésperas do aniversário de 250 anos dos EUA, Iftin, como muitos americanos, vê com apreensão o futuro de seu país.
"Eu sinto que o sonho americano continua vivo, mas está longe de estar bem."

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Pesquisas realizadas às vésperas do aniversário de 250 anos da fundação dos EUA mostram que muitos americanos acreditam que o "sonho americano", a promessa de que qualquer pessoa no país pode construir um futuro melhor, está perdendo força.
Uma pesquisa recente da Associated Press-NORC mostrou que apenas um terço da população acredita que o sonho americano ainda existe. O resultado se repete em diversos levantamentos. Leia também: Haaland ou Vini Jr? No interior de Goiás, norueguesa adotou o Brasil
Um estudo recente do centro de estudos Pew Research Center concluiu que a maioria dos americanos considera que os melhores dias do país já ficaram para trás.
O aniversário de 250 anos dos EUA também acontece em um momento de forte polarização política, de uma profunda divisão partidária.
'Não é apenas um sonho de carros'
Nos primeiros anos após a Guerra da Independência dos EUA e ao longo dos séculos seguintes, o que passou a ser conhecido como o "sonho americano" atraiu milhões de imigrantes para essa nova nação, vista como um lugar de esperança, otimismo e individualismo.
Operários, agricultores, garimpeiros e pioneiros migraram para os EUA acreditando que poderiam construir uma nova identidade, a de "americano", livre dos sistemas de classe da Europa.
Historiadores lembram que o "sonho americano" nunca incluiu todos: certamente não os povos indígenas, as pessoas escravizadas, nem mesmo as mulheres. Ainda assim, a ideia persistiu.

O 'sonho americano' interrompido

Aspiração versus realidade


Mantendo vivo o sonho americano

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