
Crédito, Acervo pessoal
- Author, André Bernardo
- Role, Do Rio de Janeiro para BBC News Brasil
- Published Há 7 minutos
- Tempo de leitura: 5 min
Mas ela nunca desembarcou no Aeroporto Charles de Gaulle, na capital francesa. O Airbus A330 em que viajava caiu, em meio a uma tempestade, quando fazia o trajeto entre o Rio de Janeiro e Paris. Adriana foi uma das 228 vítimas do voo 447 da Air France.
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Quase 17 anos depois da tragédia, que matou 216 passageiros e 12 tripulantes, a Justiça francesa condenou por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) a companhia aérea e a fabricante de aeronaves.
"Era uma decisão que aguardávamos ansiosamente desde 2023, quando as duas empresas foram inocentadas. Tínhamos todas as razões para crer na reversão daquela decisão absurda", afirma o administrador de hotelaria Maarten Van Sluys, de 66 anos, irmão de Adriana.
"No meu caso, nunca perdi a esperança. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, a justiça seria feita. Para isso, atuamos de forma resiliente e estratégica." Leia também: 'Ameaça à segurança nacional', drones, Raúl Castro indiciado: os sinais de que
Quem também estava no voo 447 da Air France era a médica Bianca Machado Cotta, de 25 anos, e o marido, o procurador federal Carlos Eduardo Lopes de Mello, de 33. Recém-casados, estavam em viagem de lua de mel para a França.

Crédito, Acervo pessoal
"Recebi a notícia com serenidade. Sabia que, um dia, as evidências prevaleceriam. Como nada traria minha filha e meu genro de volta, continuei ao longo dos anos as pesquisas no tema que deflagrou o acidente. Esperava pelo momento de encerrar o ciclo do meu luto", afirma o engenheiro Renato Machado Cotta, de 66 anos, pai de Bianca.
"Agora que tudo foi esclarecido e adequadamente atribuído, a paz retorna em meu íntimo. Estou particularmente feliz pelas famílias dos pilotos."
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Vice-presidente da Associação de Familiares das Vítimas do Voo Air France 447, Maarten declarou que ainda não está claro se cabe recurso. "Essa demanda judicial reabre feridas. Mas a vontade de lutar por nossos familiares supera todas as dores que sentimos a cada nova etapa."
"O recurso é um direito das empresas. Pelo que entendi, na Corte Suprema, não são reanalisadas as provas, mas o processo legal em si e a aplicação da lei. Talvez o tempo não se estenda tanto", pondera Renato. Leia também: A disparada do custo de vida e dos imóveis em João Pessoa com chegada de jovens
A Air France e a Airbus foram condenadas a pagar, cada uma, uma multa de 225 mil euros, o equivalente hoje a cerca de R$ 1,3 milhão. Segundo Maarten, esse é o valor estabelecido pela Justiça francesa para essas situações.
"Muito além dos valores monetários, trata-se de uma questão moral", afirma Maarten. "Queremos acordar todas as manhãs sabendo e podendo dizer quem foram os culpados pela tragédia. Aliás, insisto em não chamar o que aconteceu de acidente. Foi um homicídio, como agora a Justiça determinou em sentença."
"O valor é simbólico, mas a condenação em si, não. Tanto que as empresas já se manifestaram quanto a intenção de recorrer. Efeitos econômicos colaterais devem ocorrer", acrescenta Renato.

Crédito, Reuters
Dos 216 passageiros a bordo, 59 eram brasileiros
"Adriana era uma pessoa adorável. Era jornalista e defensora de causas humanitárias", descreve Maarten. "Caso eu estivesse naquele avião, ela faria tudo que fiz para conseguir justiça."
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