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'Nunca perdi a esperança', 'a paz retorna': familiares de vítimas do voo 447

Crédito, Acervo pessoal Legenda da foto, A jornalista Adriana Francisca Van Sluys, uma das vítimas do voo 447, estava viajando para a Coreia do Sul a trabalho Article

'Nunca perdi a esperança', 'a paz retorna': familiares de vítimas do voo 447
A jornalista Adriana Francisca Van Sluys, uma das vítimas do voo 447.

Crédito, Acervo pessoal

Legenda da foto, A jornalista Adriana Francisca Van Sluys, uma das vítimas do voo 447, estava viajando para a Coreia do Sul a trabalho
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    • Author, André Bernardo
    • Role, Do Rio de Janeiro para BBC News Brasil
  • Published Há 7 minutos
  • Tempo de leitura: 5 min

Mas ela nunca desembarcou no Aeroporto Charles de Gaulle, na capital francesa. O Airbus A330 em que viajava caiu, em meio a uma tempestade, quando fazia o trajeto entre o Rio de Janeiro e Paris. Adriana foi uma das 228 vítimas do voo 447 da Air France.

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Quase 17 anos depois da tragédia, que matou 216 passageiros e 12 tripulantes, a Justiça francesa condenou por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) a companhia aérea e a fabricante de aeronaves.

"Era uma decisão que aguardávamos ansiosamente desde 2023, quando as duas empresas foram inocentadas. Tínhamos todas as razões para crer na reversão daquela decisão absurda", afirma o administrador de hotelaria Maarten Van Sluys, de 66 anos, irmão de Adriana.

"No meu caso, nunca perdi a esperança. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, a justiça seria feita. Para isso, atuamos de forma resiliente e estratégica." Leia também: Como foi o último 'The Late Show', de Stephen Colbert, que pôs fim a décadas de

Quem também estava no voo 447 da Air France era a médica Bianca Machado Cotta, de 25 anos, e o marido, o procurador federal Carlos Eduardo Lopes de Mello, de 33. Recém-casados, estavam em viagem de lua de mel para a França.

Renato Machado Cotta com a filha Bianca, uma das vítimas do acidente.

Crédito, Acervo pessoal

Legenda da foto, Renato Machado Cotta com a filha Bianca, uma das vítimas do acidente

"Recebi a notícia com serenidade. Sabia que, um dia, as evidências prevaleceriam. Como nada traria minha filha e meu genro de volta, continuei ao longo dos anos as pesquisas no tema que deflagrou o acidente. Esperava pelo momento de encerrar o ciclo do meu luto", afirma o engenheiro Renato Machado Cotta, de 66 anos, pai de Bianca.

"Agora que tudo foi esclarecido e adequadamente atribuído, a paz retorna em meu íntimo. Estou particularmente feliz pelas famílias dos pilotos."

Vice-presidente da Associação de Familiares das Vítimas do Voo Air France 447, Maarten declarou que ainda não está claro se cabe recurso. "Essa demanda judicial reabre feridas. Mas a vontade de lutar por nossos familiares supera todas as dores que sentimos a cada nova etapa."

"O recurso é um direito das empresas. Pelo que entendi, na Corte Suprema, não são reanalisadas as provas, mas o processo legal em si e a aplicação da lei. Talvez o tempo não se estenda tanto", pondera Renato. Leia também: A disparada do custo de vida e dos imóveis em João Pessoa com chegada de jovens

A Air France e a Airbus foram condenadas a pagar, cada uma, uma multa de 225 mil euros, o equivalente hoje a cerca de R$ 1,3 milhão. Segundo Maarten, esse é o valor estabelecido pela Justiça francesa para essas situações.

"Muito além dos valores monetários, trata-se de uma questão moral", afirma Maarten. "Queremos acordar todas as manhãs sabendo e podendo dizer quem foram os culpados pela tragédia. Aliás, insisto em não chamar o que aconteceu de acidente. Foi um homicídio, como agora a Justiça determinou em sentença."

"O valor é simbólico, mas a condenação em si, não. Tanto que as empresas já se manifestaram quanto a intenção de recorrer. Efeitos econômicos colaterais devem ocorrer", acrescenta Renato.

Queda do avião da Air France matou 228 pessoas em 2009

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Queda do avião da Air France matou 228 pessoas em 2009

Dos 216 passageiros a bordo, 59 eram brasileiros

"Adriana era uma pessoa adorável. Era jornalista e defensora de causas humanitárias", descreve Maarten. "Caso eu estivesse naquele avião, ela faria tudo que fiz para conseguir justiça."

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