7 frutas brasileiras que protegem contra o envelhecimento, segundo novo estudo
Ler matéria →Novos padrões cerebrais são identificados em pessoas autistas; entenda Estudo publicado em periódico de referência sugere que há duas formas principais de conexão neural dentro do espectro Uma pesquisa divulgada na prestigiada Nature Neuroscience trouxe novas percepções sobre o transtorno do espectro autista (TEA).
Ao analisarem o cérebro de modelos animais e compará-los com ressonâncias magnéticas de quase 2 mil pessoas neurotípicas e neurodivergentes, os cientistas identificaram que o cérebro de quem está no espectro se divide em dois subtipos principais de comportamento: hipo ou hiperconectados. Isso significa que eles apresentam redes neurais que se comunicam mais ou menos umas com as outras— o que interfere na manifestação do autismo. “
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A pesquisa abre caminho para o que os autores chamam de ‘psiquiatria de precisão’”, avalia Anita Brito, coordenadora do Centro de Neurodesenvolvimento e Reabilitação do Instituto Jô Clemente (IJC). “No futuro, provavelmente teremos ferramentas de neuroimagem e biomarcadores para complementar a avaliação clínica. ”
Diagnóstico em pauta Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,4 milhões de brasileiros estão no espectro autista. Atualmente, o diagnóstico é feito apenas com base nos sinais manifestados pelos pacientes, mas os médicos acreditam que, em breve, outras formas de examiná-los garantirão maior exatidão e até melhor adaptação às intervenções terapêuticas. Leia também: 7 frutas brasileiras que protegem contra o envelhecimento, segundo novo estudo
Até lá, entretanto, mais estudos serão necessários. “ A aplicação clínica dessas descobertas ainda requer uma validação extensa”, pondera Brito.
Compare Hipoconectividade Associada a desafios na abertura socioemocional, no processamento da linguagem e na percepção da voz. Hiperconectividade Observada em circuitos relacionados ao hiperfoco, ao raciocínio lógico-visual e à hipersensibilidade sensorial. Palavra de Especialista
A neurocientista Anita Brito, do IJC, explica como o estudo pode impactar o diagnóstico e o tratamento do TEA VEJA SAÚDE: Hoje, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) é baseado na apresentação clínica. Estudos como esse podem ajudar a criar outras formas de diagnosticar o transtorno no futuro?
Anita Brito: Atualmente, o diagnóstico depende muito do saber dos profissionais envolvidos na jornada diagnóstica e fundamentado em critérios estabelecidos pelos manuais médicos. O diagnóstico foca na identificação de déficits persistentes na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, sem a exigência de biomarcadores neurológicos ou genéticos específicos. Mais de saude
Os sinais e sintomas devem estar presentes desde a primeira infância e não podem ser mais bem explicados por outra condição ou doença. No entanto, a marcante heterogeneidade fenotípica do TEA tem desafiado pesquisadores a buscarem bases neurobiológicas que expliquem a diversidade de apresentações clínicas. Estudos como esse são promissores para o desenvolvimento de modelos de estratificação diagnóstica no futuro, pois, ao identificar subtipos de conectividade funcional e associá-los a vias biológicas distintas, a pesquisa abre caminho para o que os autores chamam de “psiquiatria de precisão”, seguindo o modelo de “medicina de precisão”.
Isso significa que provavelmente, em breve, teremos ferramentas de neuroimagem e biomarcadores moleculares que poderão complementar a avaliação clínica comportamental. A quais tipos de comportamento/desafios a hipo ou a hiperconectividade dominante podem estar relacionadas? A relação entre padrões de conectividade funcional e perfis comportamentais no autismo é extremamente complexa e objeto de intenso debate na literatura neurocientífica e médica. Leia também: Vacina contra sarampo ganha destaque após novo desdobramento em vacina
Historicamente, a hipoconectividade, especialmente a redução na comunicação ao longo do eixo anteroposterior e na DMN (Rede de Modo Padrão), tem sido associada a desafios na cognição social, déficits na reciprocidade socioemocional e dificuldades no processamento da linguagem e da percepção da voz. Esse estudo associa a hipoconectividade a disfunções nas vias sinápticas, o que sugere um comprometimento na comunicação neuronal eficiente, refletindo-se possivelmente nas dificuldades centrais de interação social. Por outro lado, a hiperconectividade tem sido observada frequentemente em redes locais e em circuitos relacionados a processos sensoriais, atenção e memória.
Evidências sugerem que o aumento de conectividade pode estar relacionado a comportamentos como hiperfoco, habilidades aprimoradas em tarefas de raciocínio lógico-visual e sensibilidade atípica a estímulos sensoriais, características frequentemente presentes no TEA. É fundamental ressaltar que a relação entre conectividade e comportamento não é determinística, e muitos indivíduos podem apresentar um mosaico de hipo e hiperconectividade em diferentes redes cerebrais. Qual é a importância dos testes em animais para modelar e avaliar a condição?
A utilização de modelos animais, particularmente camundongos geneticamente modificados, é uma pedra angular na neurociência translacional e na pesquisa sobre o transtorno do espectro autista. O TEA é caracterizado por uma etiologia altamente complexa, envolvendo uma interação intrincada de múltiplos fatores genéticos e influências ambientais. Essa heterogeneidade torna extremamente difícil isolar mecanismos biológicos causais estudando exclusivamente populações humanas.
Modelos animais permitem aos pesquisadores contornar esse obstáculo, oferecendo um controle experimental rigoroso sobre o ambiente e a genética. Os modelos murinos [de camundongo] funcionaram como uma espécie de “Pedra de Roseta” biológica: os pesquisadores puderam mapear os mecanismos biológicos nos animais e, em seguida, procurar assinaturas de conectividade análogas em grandes bancos de dados de neuroimagem humana. Portanto, os testes em animais são essenciais não para mimetizar a totalidade da experiência autista humana, mas para dissecar os mecanismos biológicos fundamentais, testar hipóteses e pavimentar o caminho para intervenções terapêuticas direcionadas a alvos moleculares específicos.
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