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Novos livros de W.E.B. Du Bois reacendem mercado editorial brasileiro

25.jul.2025 às 16h14 Atualizado: 28.jul.2025 às 13h10 Edição Impressa Erramos Ouvir o texto Diminuir fonte Aumentar fonte Um dos principais intelectuais dos Estados

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Novos livros de W.E.B. Du Bois reacendem mercado editorial brasileiro
25.jul.2025 às 16h14 Atualizado: 28.jul.2025 às 13h10
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Um dos principais intelectuais dos Estados Unidos, W.E.B. Du Bois vai ampliando tardiamente sua presença no Brasil, após passar em torno de um século com o grosso de sua obra inédita por aqui.

E um sinal da ampla demanda pelo pensamento do sociólogo negro é que sua obra seja publicada por três editoras diferentes neste segundo semestre, após iniciativa do Projeto Du Bois, do Afro-Cebrap.

retrato antigo de homem negro calvo com cavanhaque
O sociólogo William Edward Burghardt Du Bois, conhecido como W.E.B. Du Bois - Divulgação

A Boitempo vai editar seu ambicioso "Reconstrução Negra", análise de mais de 700 páginas sobre o papel do povo negro no período que se seguiu à abolição e à guerra civil no país, cobrindo de 1860 a 1880.

Publicado em 1935, o livro bateu de frente com a historiografia dominante da época ao enxergar os escravizados como agentes protagonistas da mudança e ao usar uma lente marxista para discutir relações de raça e classe. A obra vem com tradução de Murillo van der Laan, revista e acrescida de notas e apresentação de Sávio Cavalcante e Matheus Gato.

Gato também coordenou a tradução, na Perspectiva, de "Penumbra da Aurora", um livro de 1940 que funciona como autobiografia —mas num memorialismo híbrido que emprega conceitos de análise histórica e sociológica ao contar a vida de um dos autores mais influentes do movimento negro. Os outros tradutores são Fabiana Sousa, Isaac Palma, Luiza De Carli e Sara Souza. Leia também: 'A Longa Marcha' e filme com Sadie Sandler: o que ver na TV e streaming no sábado

Já a Fósforo, que havia editado seu conto "O Cometa", vai publicar "Água Escura", coletânea de ensaios, ficções curtas e poesia que demonstra a amplitude literária alcançada por Du Bois. A tradução é de André Capilé, Floresta e Nina Rizzi.

Mais livros do autor, aliás, saíram há pouco por outras editoras —"As Almas do Povo Negro" ganhou edição na Veneta, a Autêntica lançou "O Negro da Filadélfia" e a Recriar publicou "A Igreja Negra".

A capa do livro apresenta uma ilustração com formas abstratas, destacando cactos em tons de verde e amarelo, sobre um fundo em tons terrosos. O título 'Adélia Prado' está em letras brancas na parte superior, e o título do livro 'o jardim das oliveiras' está logo abaixo, também em letras brancas. A arte é simples e evocativa, refletindo um estilo contemporâneo.
A capa de 'O Jardim das Oliveiras', livro da poeta Adélia Prado que sai em agosto pela Record, foi feita a partir da tela 'Cactus', da artista mineira Fani Bracher - Divulgação

MORRER PARA GERMINAR A Companhia das Letras publica em 2026 o novo livro da americana Siri Hustvedt, que costura os diários que a autora passou a escrever desde que soube da doença de seu marido, o também escritor Paul Auster, até o dia da morte dele, em abril de 2024, por um câncer de pulmão. "Histórias de Fantasma" inclui ainda bilhetes trocados pelo casal durante todo o relacionamento e as últimas 35 páginas escritas por Auster para um projeto que nunca se completou, compondo um amplo panorama dessa história de amor.

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SEMEADURA O escritor Silviano Santiago viaja a Portugal para participar, neste sábado, da Festa do Livro de Oeiras, onde promove a edição lusitana de seu "Mil Rosas Roubadas". O autor diz que releu o livro de 2014 pela primeira vez e se deu conta "de que são até divertidas as ‘memórias póstumas’ do Zeca Jagger". O vencedor do prêmio Camões também está reeditando na Rocco seu "O Falso Mentiroso", de 2004, e fechou com a Companhia das Letras uma edição revista de "Viagem ao México", romance de 1995 protagonizado por Antonin Artaud. Leia também: 'Os Testamentos' supera dúvidas e entrega obra delicada e incisiva

IMENSO MONOLITO Falando em Rocco, a casa vai publicar as cartas inéditas de Primo Levi com o tradutor alemão de seu clássico "É Isto um Homem?", que também ganha nova edição agora em agosto. O italiano se correspondeu por mais de 30 anos com o tradutor Heinz Riedt e abordou questões relevantes sobre mercado editorial, política e memória ao tentar escolher as melhores palavras para definir os horrores que viveu durante o Holocausto. Sai em 2026.

Erramos: o texto foi alterado
25.jul.2025 às 19h05

Por erro da assessoria das editoras, versão anterior da coluna dizia que os livros de ​W.E.B. Du Bois que serão lançados na Perspectiva e na Fósforo tiveram tradução de Matheus Gato. Na verdade, o da Perspectiva foi traduzido por Gato, Fabiana Sousa, Isaac Palma, Luiza De Carli e Sara Souza. O da Fósforo, por André Capilé, Floresta e Nina Rizzi. O texto foi corrigido.

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