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Novos ataques do Irã revelam mudança na estratégia de guerra?

Novos ataques do Irã revelam mudança ganha peso no noticiário por causa dos desdobramentos mais recentes.

Novos ataques do Irã revelam mudança na estratégia de guerra?
Novos ataques do Irã revelam mudança na estratégia de guerra?
Judeu ultraortodoxo se afasta dos restos de um míssil balístico iraniano em campo aberto, no vale do rio Jordão

Crédito, EPA

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    • Author, Amir Azimi
    • Role, Editor, BBC News Persa
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 6 min

Quando o Irã lançou mísseis e drones contra Israel na noite de 7 de junho, em resposta aos ataques israelenses ao Hezbollah, no Líbano, a impressão era que o significado militar imediato do ataque era limitado. Mas o seu significado político pode ser muito maior.

Leia no AINotícia: Mundo: Panorama com tensão Irã-Israel e visita de Xi Jinping

Teerã agiu após um ataque contra um dos seus aliados— uma investida israelense contra o que seria uma construção ligada ao Hezbollah no sul da capital libanesa, Beirute.

Por que os líderes iranianos sentiram que aquele era o momento certo de tomar a iniciativa, mesmo correndo o risco de sofrer novas ações militares israelenses e, possivelmente, prejudicar suas frágeis negociações de paz com os Estados Unidos?

Parte da resposta pode estar na avaliação dos líderes do Irã sobre a posição do país, após meses de conflito. Leia também: O polêmico resort que filha de Trump quer construir em ilha paradisíaca de país

A República Islâmica saiu da guerra enfraquecida em alguns aspectos. Mas também fortaleceu seu senso de resiliência.

Mesmo com as extensas pressões militares israelenses e americanas, aliadas a sanções econômicas e um bloqueio naval dos Estados Unidos, o Estado iraniano sobreviveu.

O governo do país segue no poder, seu aparato de segurança permanece intacto e não houve levantes em massa, apesar das repetidas previsões dos seus opositores.

Esta experiência pode ter alterado os cálculos de Teerã. Em vez de agir como parte vulnerável, buscando evitar confrontos a todo custo, o Irã pode cada vez mais se considerar uma potência, que já passou pelo pior e, agora, tem condições de impor novos limites.

Mísseis iranianos nos céus de Hebron, na Cisjordânia, na noite de 7 de junho

Crédito, Anadolu via Getty Images Mais de mundo

Legenda da foto, Mísseis iranianos lançados em direção a Israel sobrevoam a cidade de Hebron, na Cisjordânia, na noite de 7 de junho

Por isso, o ataque a Israel pode ter sido um ato menos de retaliação e mais de dissuasão. Teerã pode ter sinalizado que as investidas contra seus aliados regionais não serão mais tratadas como algo diferente de ataques contra o próprio Irã. Leia também: Mundo: Panorama com tensão Irã-Israel e visita de Xi Jinping

Esta mensagem seria particularmente importante para o Hezbollah, para as milícias do Iraque e para outros membros da rede regional iraniana, conhecida como "Eixo da Resistência".

A força da influência iraniana sempre dependeu, em parte, da confiança de que Teerã sairia em defesa dos seus parceiros. E deixar de reagir depois de ter alertado Israel publicamente poderia prejudicar sua credibilidade.

Deste ponto de vista, o ataque iraniano não se dirigia apenas a Israel, mas também aos aliados israelenses e americanos espalhados na região, que observavam atentamente se o Irã iria cumprir suas ameaças.

Outro ponto igualmente intrigante é o momento do ataque.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou recentemente que um acordo pode estar próximo. Por isso, a lógica convencional sugeriria que o Irã evitasse ações que pudessem colocar a diplomacia em risco.

O que pensam os iranianos?

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