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Novo tarifaço vem aí? Como decisão dos EUA pode afetar Bolsa, juro e câmbio

Embora o mercado já tenha reagido ao avanço das discussões e parte do risco esteja incorporada aos preços dos ativos, especialistas avaliam que ainda existe uma grande

Novo tarifaço vem aí? Como decisão dos EUA pode afetar Bolsa, juro e câmbio no

A expectativa pela decisão dos Estados Unidos sobre uma possível tarifa de 25% sobre produtos brasileiros até a próxima quarta-feira (15) tem mantido investidores em estado de alerta. Embora o mercado já tenha reagido ao avanço das discussões e parte do risco esteja incorporada aos preços dos ativos, especialistas avaliam que ainda existe uma grande dose de incerteza, sobretudo em relação à lista final de produtos atingidos, às exceções que poderão ser concedidas e à possibilidade de continuidade das negociações entre os dois países.

O consenso entre os analistas é que o impacto imediato tende a ser negativo para Bolsa, câmbio e curva de juros, mas longe de representar um choque sistêmico para a economia brasileira. O tamanho da reação dependerá menos do percentual anunciado e mais da abrangência da medida.

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“Uma tarifa anunciada é uma coisa; o impacto econômico efetivo pode ser bastante diferente”, resume Aloisio Teles, CIO da 18Ib Capital.

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Mercado já precificou o risco?

Para os analistas do mercado, a precificação nos mercados é parcial. Segundo Caio Ignácio, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, os investidores convivem com esse risco desde junho, quando o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação com base na Seção 301.

“Eu diria que está parcialmente precificado. O mercado está precificando a expectativa de uma exceção de última hora, não o tarifaço em si”, afirma. Leia também: Durigan: MDIC está em contato com representantes dos EUA sobre tarifaço

Na avaliação do especialista, ainda não está claro se a tarifa de 25% será aplicada isoladamente ou se poderá ser somada a outras taxas discutidas em processos paralelos, o que mantém um grau de incerteza relevante.

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Lucas Cavalcante, fundador da Gus Consultoria, segue linha semelhante. Ele lembra que o Ibovespa chegou a cair mais de 2,7% em uma semana após o anúncio inicial da proposta, enquanto o dólar se valorizou mais de 5% no mesmo período.

“O risco já está no radar e já está gerando movimento nos ativos. Mas a precificação continua incompleta porque o mercado reage ao desfecho e não apenas ao processo”, afirma.

Para Anderson Kuntzler, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, existe uma diferença importante entre antecipar um evento e mensurar suas consequências.

“O mercado já incorporou uma parcela relevante da probabilidade de implementação do tarifaço, mas ainda não precificou completamente seus efeitos”, diz. Mais de economia

Bolsa pode sofrer, mas impacto deve ser desigual

Os especialistas apontam que uma eventual confirmação das tarifas deverá resultar em aumento do prêmio de risco dos ativos brasileiros, pressionando principalmente empresas exportadoras com forte dependência do mercado americano.

Segundo Heitor De Nicola, especialista em renda variável da AVIN, os setores potencialmente mais impactados incluem siderurgia, papel e celulose, alimentos e indústria.

Já Bruno Guimarães, planejador financeiro CFP pela Planejar, destaca que o efeito não será uniforme entre as empresas. Leia também: Deschamps questiona arbitragem após eliminação da França: ‘Ele é bom

“O risco real e imediato concentra-se em empresas de bens manufaturados e autopeças que não possuem produção local”, afirma.

Para Aloisio Teles, a composição do próprio Ibovespa ajuda a limitar uma eventual correção generalizada.

“O índice tem peso relevante de bancos, petróleo, mineração e empresas domésticas. Provavelmente, veremos muito mais dispersão entre ações do que uma queda uniforme do mercado”, avalia.

Caio Ignácio acrescenta que os efeitos mais relevantes podem aparecer nos resultados corporativos dos próximos trimestres, especialmente em segmentos como açúcar e etanol, mais do que em uma reação imediata de pânico após o anúncio.

Dólar e juros devem ser os principais canais de transmissão

Embora os reflexos sobre a Bolsa possam ser seletivos, o câmbio aparece como o principal canal de transmissão do choque para a economia brasileira.

Os três cenários para a decisão americana

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