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No Corinthians, Diniz se perdeu do dinizismo

Se tem uma torcida que saberia lidar com o modelo de jogo que ele implementa em seus times essa torcida é a corintiana

No Corinthians, Diniz se perdeu do dinizismo
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Garro e Villagra disputam em lance entre Internacional e Corinthians
Garro e Villagra disputam em lance entre Internacional e Corinthians Imagem: Roberto Vinicius/AGIF

Fernando Diniz chegou ao Corinthians e eu pensei: ele chegou em casa. Se tem uma torcida que saberia lidar com o modelo de jogo que ele implementa em seus times essa torcida é a corintiana. Mas eis que, no Timão, Diniz se perdeu do dinizismo. O que estaria acontecendo?

Antes de responder a essa pergunta vamos falar sobre os valores do dinizismo. Trata-se de um sistema de jogo contra-hegemônico. O medo dá lugar à ousadia, a dinâmica do futebol de rua engole esquemas táticos rígidos, o grupo se sobrepõe ao individualismo. Diniz trabalha a potência máxima de todos os seus atletas, tira valores de meia onde só víamos volâncias, recua marcadores para a zaga, libera a criatividade e exige solidariedade. É um Deus nos acuda, mas é um modelo vivo que respeita a inteligência da classe trabalhadora. Leia também: Eala aparece exuberante para sessão de fotos com o troféu

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Quem não entende o que está em campo reduz o diizismo a saídas de bola com toques curtos. É uma análise simplória e superficial. O dinizismo é o nosso futebol sendo resgatado. É a coragem que supera o medo. É a emoção que se agiganta à razão. É o universo das coisas subjetivas ganhando do das coisas objetivas. Nem sempre funciona, mas quando funciona tem a força de uma supernova.

No Corinthians, Diniz se distanciou do dinizismo. O time joga espaçado, Garro não assumiu que é um 10 jogando com a 8, o time parece desconcentrado e atomizado. Não tem nem mesmo a saída de bola que muitos acham que é a totalidade do esquema. Diniz teria cansado de remar contra a maré? Teria aberto mão de seus valores para dialogar com o medo que rege tudo a nossa volta? Ou o barulho extra-campo que reina em Itaquera não está deixando Diniz trabalhar? Leia também: Futebol: Panorama da Semana com Decisões na Copa do Brasil e Estaduais Mais de esporte

A torcida corintiana dançaria seu poropopó para o dinizismo. Saberia sofrer, saberia sonhar, saberia cantar. Quem sabe uma virada heroica sobre o Inter na quinta-feira traga de volta o dinizismo de Fernando Diniz? Contemos com os céus para iluminar esse elenco.

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