Quando instituições são reconstruídas
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Fabio Victor
Rio de Janeiro
Em 2024, muito antes de vir à tona que o Rioprevidência fez operações milionárias suspeitas no Banco Master, o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSD) denunciou ao TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) a estranheza dessas aplicações. Até publicou a denúncia em suas redes sociais.
Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro pela PF indicam que o ex-banqueiro tentou pressionar o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para que retirasse do ar um vídeo de Luiz Paulo sobre o tema. O vídeo segue no ar.
Leia no AINotícia: Americanas: PF avança na Operação Disclosure e Justiça bloqueia R$ 54 bilhões
O deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSD-RJ) discursa no plenário da Alerj (Assembléia Legislativa do RJ)
- Divulgação
Em meio a mais uma onda de investigações e prisões que colocou a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) no centro da crise institucional no estado, Luiz Paulo afirma achar injusto que o Legislativo fluminense tenha virado a Geni da política nacional –aquela da canção de Chico Buarque em que todo mundo joga pedra. Leia também: Quando instituições são reconstruídas
"É o patinho feio, leva porrada de todo mundo. Mas, como todos os Poderes, o Parlamento tem lados positivos e negativos. Incomoda o estigma criado pela generalização. Não tem corrupção que não passe pelo Executivo. O STF, por sua vez, foi importante no 8 de Janeiro e na defesa da democracia, mas tem muito com o que não concordo [no tribunal]", disse.
Questionado por que tantos presidentes e deputados da Alerj foram presos, recorre a um conceito da teoria política, o do "marco de poder": grosso modo, é uma baliza interpretativa que não está nas leis, mas organiza a percepção da realidade; um conjunto de regras do jogo que define quem manda, como manda e o que nem chega a entrar em discussão. "Por que os governadores tentam eleger o presidente da Alerj? Nunca vi um sem bênção do governador. É o marco de poder errado."
Para Luiz Paulo, uma mudança só seria possível com rearranjo institucional e alteração no marco de poder, para atender a quem está fora da regra do jogo. Ele defende, por exemplo, que a base do serviço público deve ser o servidor concursado, não o comissionado, e atribui o aumento da estrutura da Alerj ao esquema das rachadinhas, que segundo ele teve início durante a gestão de Jorge Picciani. "Aumentou-se o número de cargos sem aumentar o gasto."
Como mostrou reportagem da Folha, a Alerj é uma das Assembléias do país que superam a relação entre deputado e comissionado da Câmara dos Deputados, em Brasília. Com 5.277 comissionados (vice-campeã nacional em números absolutos, atrás só de Goiás), a Alerj tem 75,4 desses servidores por deputado. Mais de politica
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Aos 80 anos ("23,5 anos de mandato sempre na oposição"), Luiz Paulo é workaholic assumido e, pela loquacidade e energia, aparenta uns dez anos menos. No fim do sexto mandato seguido e pré-candidato à reeleição, é o decano da Alerj. Carlos Minc (PSB) entrou lá antes e teve mais mandatos, mas é mais novo (74 anos) e se licenciou para ser secretário estadual (2006-2008) e ministro do Meio Ambiente (2008 a 2010, governo Lula 2).
Engenheiro especialista em urbanismo e transportes, Luiz Paulo foi secretário municipal e estadual da área e vice-governador (de 1995 a 1999, na gestão de Marcello Alencar, do PSDB) antes de virar deputado. Os pôsteres de Getúlio Vargas e Leonel Brizola em seu gabinete indicam sua extração trabalhista –define-se como "social-democrata". Leia também: Decano da Alerj denunciou aplicações milionárias do Master no Rioprevidência
Relaciona-se bem com deputados de todos os matizes, e costuma cunhar frases de efeito como "corrupção na despesa é varejo; na receita, é atacado" ou "existe vida inteligente entre os extremos".
Como demonstra o episódio do Master/Rioprevidência, tem no orçamento público seu principal foco como parlamentar, tema que leciona na Elerj (Escola do Legislativo do RJ).
Sobre o episódio do Master, seu colega Flávio Serafini (PSOL) –outro raro deputado que esteve sempre na oposição aos últimos governos– reuniu assinaturas para criar uma CPI na Alerj para investigar investimentos do Rioprevidência e da Cedae no banco. Como nada aconteceu, Serafini pediu ao TJ-RJ que obrigasse a Casa a instalar a comissão, mas o tribunal negou o pedido liminar.
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