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Nike e Adidas travam disputa pelo futuro do futebol na Copa

Uma barcaça da Adidas, com a imagem do jogador espanhol Lamine Yamal, navega pelo East River durante um evento “Adidas Home of Soccer”, no Brooklyn Bridge Park, em Nova

Nike e Adidas travam disputa pelo futuro do futebol na Copa
Uma barcaça da Adidas, com a imagem do jogador espanhol Lamine Yamal, navega pelo East River durante um evento “Adidas Home of Soccer”, no Brooklyn Bridge Park, em Nova York, em 26 de junho de 2026 (Emma Rose Milligan/The New York Times)
Uma barcaça da Adidas, com a imagem do jogador espanhol Lamine Yamal, navega pelo East River durante um evento “Adidas Home of Soccer”, no Brooklyn Bridge Park, em Nova York, em 26 de junho de 2026 (Emma Rose Milligan/The New York Times)

Enquanto partidas da Copa do Mundo são disputadas pelos Estados Unidos, Nike e Adidas, as duas maiores empresas de artigos esportivos do mundo, estão gastando milhões de dólares em um duelo pelo futuro do futebol no país.

As rivais de longa data veem o torneio, realizado em 11 cidades americanas, como a maior oportunidade em mais de 30 anos para elevar o perfil do esporte e vender mais produtos de futebol a um mercado valioso.

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O futebol se tornou um dos esportes de crescimento mais rápido nos Estados Unidos, impulsionado pelo avanço do interesse na Major League Soccer (MLS). Mais de 62 milhões de pessoas acompanham o esporte no país, formando a quarta maior base de fãs de futebol do mundo, segundo relatório da consultoria Nielsen. E isso foi antes de bares e casas ligarem suas TVs para assistir aos jogos da Copa.

Pelo menos uma dúzia de marcas esportivas— entre elas Puma, Umbro e Reebok— disputaram atenção ao longo dos 39 dias do torneio, mas nenhuma fez tanto quanto Nike e Adidas.

“Isso é crítico para nós”, disse Camilo Andrade, vice-presidente global e gerente-geral de futebol da Nike. “É um acelerador de crescimento.” Leia também: Economia: Ações, Imóveis e Cenários Globais em Destaque

Chris Murphy, vice-presidente sênior de marketing de marca da Adidas, expressou sentimento semelhante sobre o potencial do evento. “É difícil exagerar a importância disso”, afirmou. “É gigantesco.”

A Adidas patrocinou 14 seleções na Copa do Mundo. A Nike patrocinou 12. As duas realizaram eventos ligados ao futebol nos Estados Unidos, no México e no Canadá, os países-sede. As duas lançaram comerciais caros, grandiosos e estrelados, além de apresentarem chuteiras, camisas e equipamentos exclusivos. Ambas esperam sair vitoriosas dentro de campo e atrair mais consumidores para suas marcas nos próximos anos.

Nenhuma quer ficar em segundo lugar. Mas a Nike, em particular, não pode se dar ao luxo de sofrer outra derrota.

Sediada em Beaverton, no Oregon, a Nike vem enfrentando dificuldades para retomar o crescimento das vendas desde 2024, quando entrou em uma longa fase de fraqueza após uma série de erros estratégicos. A empresa apostou demais em linhas de produtos de lifestyle e negligenciou investimentos no tipo de inovação técnica em calçados que definiu a marca por décadas.

O nome e o logotipo da Nike aparecem em uma estação de metrô próxima ao Bryant Park, em destaque para um evento de futebol da marca, o Nike Toma, em Nova York, em 27 de junho de 2026 (Emma Rose Milligan/The New York Times)

Em junho, a Nike divulgou seus resultados trimestrais e apresentou uma perspectiva cautelosa para os seis meses seguintes. Elliott Hill, CEO da companhia, transformou o futebol em uma das principais prioridades da empresa e em peça central de seu plano de recuperação, ao lado de basquete e corrida. Mais de economia

“A Copa do Mundo é sempre um momento de provar nosso valor”, disse Hill a analistas em teleconferência. “É um dos campos de batalha mais difíceis do esporte, e estamos chegando com o que temos de melhor.”

Enquanto a Nike patinava, a Adidas embalou. A empresa alemã reportou crescimento contínuo de vendas em abril, com resultados fortes tanto em produtos de lifestyle quanto em itens de performance, e levou esse impulso para a Copa do Mundo. A companhia reiterou a previsão de que suas vendas devem crescer neste ano em um percentual na faixa de um dígito alto.

“Queremos garantir que estaremos muito, muito bem posicionados durante a Copa do Mundo— que venceremos esse evento e o usaremos como plataforma para a marca como um todo”, disse Harm Ohlmeyer, diretor financeiro da Adidas, a investidores em abril. Leia também: Por que roubo de celular pesa mais no voto do que estatísticas da violência?

Poder das estrelas

A última vez que executivos do setor esportivo ficaram tão empolgados com o futebol nos Estados Unidos foi em 1994.

A FIFA, entidade máxima do futebol mundial, escolheu os Estados Unidos como sede da Copa do Mundo, embora a popularidade do futebol profissional estivesse muito atrás da do futebol americano, do beisebol e do basquete.

“Isso praticamente mudou a trajetória do futebol neste mercado”, disse Murphy, sobre a Copa de 1994 e seu legado.

Jogadores competem durante um evento “Adidas Home of Soccer”, no Brooklyn Bridge Park, em Nova York, em 26 de junho de 2026 (Emma Rose Milligan/The New York Times)

Como parte crucial da candidatura americana para sediar o torneio de 1994, a FIFA exigiu que a Federação de Futebol dos Estados Unidos criasse uma liga profissional para ajudar o esporte a crescer. Essa liga, a MLS, estreou em 1996 e ganhou tração ao longo dos anos com contratações internacionais. Em 2007, o LA Galaxy chamou atenção ao contratar David Beckham, astro inglês já perto do fim da carreira. Em 2023, o Inter Miami trouxe Lionel Messi, lenda argentina, dando à liga um novo patamar de atenção global. Ambos têm contratos com a Adidas.

Picos de participação doméstica costumam aparecer no ano seguinte a uma Copa do Mundo, e o desempenho da seleção masculina dos EUA no cenário global pode influenciar a popularidade do esporte. Mas, em 2018, quando o país não se classificou para o torneio, o engajamento com o futebol caiu, segundo a Sports & Fitness Industry Association, entidade do setor.

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