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Não é só pelo ômega-3: peixes são grandes aliados da saúde cardiovascular

Não é só pelo ômega-3: peixes são grandes aliados da saúde cardiovascular Além da celebrada gordura, os pescados têm proteínas de alto valor biológico e outras

Não é só pelo ômega-3: peixes são grandes aliados da saúde cardiovascular

Não é só pelo ômega-3: peixes são grandes aliados da saúde cardiovascular Além da celebrada gordura, os pescados têm proteínas de alto valor biológico e outras características que ajudam a prevenir doenças cardíacas Quando se fala em pescado e saúde cardiovascular, a primeira associação costuma ser com o ômega-3.

De fato, os ácidos graxos presentes especialmente em peixes marinhos têm papel importante na prevenção de doenças cardiovasculares. No entanto, reduzir os benefícios desse grupo alimentar apenas a esse nutriente significa ignorar uma riqueza nutricional muito mais ampla e relevante para a saúde. Essa foi uma das reflexões debatidas durante o Simpósio de Nutrição em Cardiologia, realizado dentro da programação do último Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

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Apesar de o Brasil apresentar crescimento expressivo na produção aquícola e possuir enorme potencial para ampliar a oferta de pescado, o consumo pela população ainda permanece abaixo do recomendado. A produção nacional de peixes de cultivo ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de toneladas em 2025, resultado de um crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o consumo aparente de pescado no país gira em torno de 10 a 11 kg por habitante ao ano, abaixo da recomendação mínima da Organização Mundial da Saúde, de 12 kg anuais.

Em países tradicionalmente consumidores, como Portugal, Japão e Espanha, esse número supera os 40 kg por pessoa ao ano. + A questão que discutimos durante o simpósio foi justamente esta: por que consumimos tão pouco um alimento tão rico nutricionalmente e tão associado à prevenção de doenças crônicas?

A resposta passa por fatores culturais, hábitos alimentares e, muitas vezes, pela falta de informação. Isso porque os benefícios do pescado vão muito além do conhecido ômega-3. Os pescados oferecem proteínas de alto valor biológico, excelente digestibilidade, baixo teor de gordura saturada e uma combinação de vitaminas, minerais e compostos bioativos que atuam de forma integrada na manutenção da saúde cardiovascular, muscular, óssea e metabólica. Leia também: Em países ricos, pessoas com obesidade sofrem menos com colesterol alto

Entre as espécies mais acessíveis aos brasileiros estão a tilápia, a sardinha e o camarão-branco, cada uma com características nutricionais particulares e extremamente interessantes. Tilápia: a campeã da produção nacional A tilápia é hoje o pescado mais cultivado no Brasil, respondendo por cerca de 70% da produção nacional.

Sua popularidade se deve não apenas à ampla disponibilidade, mas também ao excelente perfil nutricional. Em 100 gramas de filé cru, a tilápia fornece aproximadamente 18 gramas de proteína de alta qualidade, com baixo teor de gordura e apenas cerca de 124 calorias. Mas seus diferenciais vão além da proteína.

O pescado apresenta quantidades relevantes de magnésio e potássio, minerais associados ao controle da pressão arterial e ao adequado funcionamento cardiovascular. Também contém taurina, composto bioativo relacionado à regulação da contratilidade cardíaca e ao metabolismo energético. Outro destaque é o ácido oleico, a mesma gordura monoinsaturada encontrada no azeite de oliva, que contribui para um perfil lipídico mais favorável.

Seu baixo teor natural de sódio torna a tilápia uma excelente opção para pessoas que precisam controlar a hipertensão arterial. Sardinha: densidade nutricional e baixo custo Se existe um alimento que reúne alta densidade nutricional, acessibilidade e excelente custo-benefício, esse alimento é a sardinha. Conhecida por ser uma das principais fontes alimentares de ômega-3, ela oferece muito mais do que isso. Mais de saude

Em apenas 100 gramas, fornece mais de 18 gramas de proteína, além de cálcio, selênio, zinco, iodo, vitamina D e taurina. O cálcio e a vitamina D atuam em conjunto na saúde óssea, mas também desempenham funções importantes no sistema cardiovascular e muscular.

O selênio e o zinco participam dos mecanismos antioxidantes do organismo, ajudando a combater o estresse oxidativo, um dos processos envolvidos no desenvolvimento da aterosclerose. O iodo é essencial para a função tireoidiana adequada, enquanto a taurina vem sendo estudada por seus efeitos favoráveis sobre a pressão arterial, o metabolismo e a proteção cardiovascular. A combinação desses nutrientes faz da sardinha um dos alimentos mais completos para a promoção da saúde, especialmente quando inserida regularmente em uma alimentação equilibrada.

Camarão-branco: praticidade e saúde vascular Muito consumido na Região Nordeste, o camarão-branco cultivado também merece destaque quando o assunto é nutrição cardiovascular. Com cerca de 16 gramas de proteína por 100 gramas e menos de 1 grama de gordura, apresenta elevado valor nutricional e baixa densidade energética. Entre seus principais diferenciais está a presença de arginina, aminoácido precursor do óxido nítrico. Leia também: Verdades à mesa ganha destaque após novo desdobramento em verdades à mesa

Essa substância promove a dilatação dos vasos sanguíneos, contribuindo para uma melhor função vascular e para a manutenção da saúde cardiovascular. O camarão também é fonte de cálcio, magnésio, manganês e zinco. Esses minerais participam de processos relacionados à contração muscular, metabolismo energético, defesa antioxidante e funcionamento adequado do coração e dos vasos sanguíneos.

Trata-se de um alimento que reúne praticidade, sabor e uma composição nutricional capaz de complementar estratégias de prevenção cardiovascular. + Uma matriz alimentar a favor do coração

As evidências científicas mostram de forma consistente que padrões alimentares que incluem pescado regularmente estão associados a menor risco de doenças cardiovasculares, melhor qualidade da dieta e maior aporte de nutrientes essenciais. O pescado funciona como uma verdadeira matriz alimentar, na qual proteínas, vitaminas, minerais e compostos bioativos atuam de forma sinérgica para promover saúde. Ampliar o consumo de espécies acessíveis, como tilápia e sardinha, e valorizar a diversidade de pescados produzidos no país representa uma oportunidade não apenas para fortalecer a cadeia produtiva brasileira, mas também para melhorar a qualidade da alimentação da população.

Em um país que possui uma das maiores reservas de água doce do mundo, extensa costa marítima e produção aquícola em franca expansão, aumentar o espaço do pescado no prato do brasileiro pode ser uma das estratégias mais simples, saborosas e eficientes para cuidar do coração. * Nagila Damasceno é nutricionista e coordenadora geral do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

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