Fifa está indo longe demais com projeto de 'vender a Copa do Mundo'?
Ler matéria →'Na prisão, descobri que presos e guardas éramos vítimas de uma cúpula que mantém Cuba sequestrada': o artista renomado que passou 5 anos encarcerado

Crédito, WALTER FOJO/BBC
- Author, Atahualpa Amerise
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 6 minutos
- Tempo de leitura: 12 min
Luis Manuel Otero Alcántara caminha pelas ruas de Miami, no Estado americano da Flórida, com uma sensação estranha: ninguém o detém, nem o vigia.
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O artista cubano de 38 anos é um dos principais dissidentes da ilha.
Mas Otero Alcántara não se sentia realmente livre há muito mais tempo.
Ele foi levado em 2021 para a prisão de segurança máxima de Guanajay (a cerca de 30 km a oeste de Havana), mas já havia passado por anos de vigilância permanente, dezenas de prisões e noites de calabouço por suas manifestações artísticas contra o regime cubano. Leia também: O que explica os ventos de 100 km/h que causaram mortes, destruição e apagões
Otero Alcántara é um dos fundadores do Movimento San Isidro, um coletivo de artistas e ativistas de oposição ao governo de Cuba. Ele transformou a arte da performance em arma para desafiar o poder.
Ele carregou por um mês a bandeira cubana como parte de uma de suas obras, criou o Museu da Dissidência e protagonizou greves de fome. Suas ações o transformaram na principal figura não partidária da oposição cubana e uma das maiores dores de cabeça do governo do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
Sua última prisão ocorreu durante os históricos protestos contra o governo de Cuba, ocorridos em julho de 2021.
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Seu julgamento a portas fechadas, um ano depois, e suas greves de fome nos cinco anos que passou atrás das grades chamaram a atenção de organizações de defesa dos direitos humanos, artistas, intelectuais e governos democráticos.
A Anistia Internacional declarou Otero Alcántara como prisioneiro de consciência e a revista Time o incluiu na sua lista anual das 100 pessoas mais influentes do mundo.
Após cumprir sua condenação, as autoridades cubanas condicionaram sua libertação ao exílio. Os Estados Unidos concederam a ele um visto humanitário e a Embaixada americana em Havana possibilitou sua viagem a Miami. Leia também: Mercurocromo: o remédio tóxico que quase todo mundo usava para machucados
Otero Alcántara recebe a BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, de camiseta e traje de banho, no hotel onde está temporariamente hospedado em Miami, perto do popular bairro Pequena Havana.
Confira abaixo a entrevista de Luis Manuel Otero Alcántara à BBC, editada para maior concisão e clareza.

Crédito, Getty Images
Sou artista visual, artista plástico, e coloquei a arte a serviço das mudanças de que Cuba precisa. Mas existe ali uma ditadura que não permite que a arte seja crítica, nem proponha mudanças sociais.
Houve um momento em que tudo o que eu fazia resultava em calabouço. Estive mais de 90 vezes em um calabouço, ao longo de três ou quatro anos.








