Rio Grande do Sul: Chuva de agosto será acima da média e traz riscos
Ler matéria →Muito além do azeite: descubra os benefícios da azeitona para a saúde Matéria-prima do ingrediente que leva toda a fama, o fruto da oliveira também concentra substâncias protetoras e pode ser incluído em um cardápio equilibrado Vem do seu nome de batismo grego, elaia, a palavra “óleo”, tão frequente em nosso vocabulário culinário. E é justamente pelo alto teor gorduroso— algo raro entre frutos— que a oliva se tornou fonte de um dos produtos mais festejados do mundo da nutrição e figura central da dieta mediterrânea.
Afinal, sem azeitona não tem azeite. “Ela aparece tradicionalmente como complemento alimentar e, embora não seja protagonista desse cardápio, está integrada ao dia a dia dos povos mediterrâneos, em saladas e outros pratos”, conta a nutricionista Juliana Watanabe, que pesquisou o famoso menu na Universidade Internacional de Valência, na Espanha. Também surge à mesa como aperitivo, papel que cumpre com maestria, acrescentando pitadas de substâncias preciosas, caso de gorduras monoinsaturadas, fibras e compostos com ação antioxidante e anti-inflamatória— embora, alertamos desde já, seja preciso tomar cuidado com o teor de sódio das conservas.
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+ A seguir, entenda mais sobre esse alimento e conheça as suas benesses e desafios. Nesta matéria, você lê:
A composição da azeitona foi tema de uma nova revisão de estudos encabeçada pela Universidade Católica de Múrcia, também em terra espanhola. Um dos destaques da análise é seu potencial benefício diante de processos inflamatórios e dolorosos como a osteoartrite. “Substâncias presentes nas azeitonas, nas folhas de oliveira e no azeite extravirgem têm despertado interesse como possíveis estratégias complementares para modular algumas das vias envolvidas na dor e na deterioração articular”, relata a nutricionista Desirée Victoria Montesinos, autora do trabalho.
Um dos componentes celebrados é o ácido maslínico, que ajuda a mitigar a degradação da cartilagem das juntas. Contudo, as grandes estrelas encontradas na azeitona são os compostos fenólicos, entre os quais estão os ácidos vanílico, cafeico e gálico, além dos flavonoides, caso da antocianina, pigmento que dá a coloração escura ao alimento quando ele amadurece. E ainda tem a oleuropeína, potente antioxidante que confere sabor amargo ao fruto cru e, na natureza, impede que bichos mastiguem a semente, contribuindo para a perpetuação das árvores. Leia também: Novos padrões cerebrais são identificados em pessoas autistas; entenda
É por causa dela que as azeitonas têm de passar pelo processo de cura, que reduz o amargor e estende a validade com o acréscimo de sal. “ Não à toa, devem ser consumidas com moderação, especialmente por hipertensos.
A frugalidade, aliás, é uma das características da dieta mediterrânea”, diz a nutricionista Evangelia Damigou, da Universidade Harokopio, em Atenas, na Grécia. + “
A azeitona é, na verdade, uma drupa”, define o engenheiro-agrônomo Vagner Brasil Costa, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul. Significa que, assim como o pêssego, a cereja, o damasco e a nectarina, apresenta polpa suculenta, envolvida em casca finíssima, e contém um caroço que resguarda uma única semente. Mas, diferentemente dos outros frutos doces, que podem ser devorados direto no pé, a oliva é intragável.
Além da grande quantidade do composto que confere amargor, o teor açucarado é baixíssimo. Só para comparar: enquanto o pêssego tem por volta de 12% de açúcar, a azeitona soma entre 2 e 5%. Então, quem teve a ideia de consumi-la?
Tudo indica que a história de sucesso tem relação com sua fração oleosa, ou seja, está atrelada à extração do azeite, processo que também não se sabe ao certo como se iniciou. Relatos arqueológicos revelam restos de artefatos de pedra, utilizados para esse fim por civilizações que viveram na Grécia no período que varia entre 1600 e 1200 a. C. Mais de saude
Esse mesmo local continua sendo um dos maiores produtores (e consumidores) das olivas, inclusive na forma de azeitonas de mesa, o termo preferido pelos experts para se referir ao tipo em conserva. Acredita-se que foi nessa região, ao redor do Mar Mediterrâneo, que a oliveira foi domesticada. “
O centro de origem da espécie é a região de Irã, Síria e Palestina, no Oriente Médio”, afirma o engenheiro-agrônomo Pedro Henrique Abreu Moura, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). + Para os antigos egípcios, entretanto, a árvore foi presente da deusa Ísis, enquanto na mitologia romana veio pelas mãos do poderoso herói Hércules.
O fato é que, com as grandes navegações, a planta atravessou o oceano, chegou à América e foi introduzida no Brasil por volta de 1800. “Naquela época, era cultivada nas proximidades das igrejas e seus ramos utilizados nas festividades religiosas”, conta o pesquisador. Cheia de simbolismo, a oliveira remete a prosperidade, força, abundância, paz e longevidade. Leia também: 7 frutas brasileiras que protegem contra o envelhecimento, segundo novo estudo
“ Além da importância na produção de azeitonas e de azeite, a espécie é de uma beleza singular, com folhagem prateada, tronco de formas sinuosas, fazendo com que seja cada vez mais valorizada no paisagismo”, elogia Moura. E tem se dado muito bem no solo desta mãe gentil, sobretudo nas montanhas da Serra da Mantiqueira e nos pampas gaúchos.
Para onde vai e como é produzida Por aqui, as safras são designadas à fabricação de azeite, o que, na realidade, acontece em grande parte do mundo. Estima-se que apenas entre 10 e 20% da produção mundial é destinada às azeitonas de mesa. Como existem mais de 2 mil variedades catalogadas, alguns detalhes ajudam a determinar seu destino.
“Considera-se, por exemplo, o rendimento do conteúdo de gorduras”, aponta Costa. Na prática, os especialistas avaliam o percentual lipídico, ou seja, a quantidade de gorduras presente na azeitona. Segundo o professor, a literatura mostra que, em geral, esse teor fica entre 20 e 35% na polpa e de 0,5 a 3% na semente do fruto.
Quanto maior o número, mais chances de servir como matéria-prima para o azeite. E olha que são necessários de 5 a 10 kg de oliva para extrair 1 litro de óleo. Grande parte dos ácidos graxos, as tais partículas de gordura, é do grupo dos monoinsaturados.
“ Com destaque para o ácido oleico, que é associado à proteção cardiovascular”, repara o médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). +


