← Economia
1 pessoa lendo agora Economia

MP-SC diz que cão Orelha não morreu por agressão e pede arquivamento do caso

Reprodução Instagram via @porvcorelha Publicidade Após a análise de cerca de 2 mil documentos, o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) concluiu que o cão

MP-SC diz que cão Orelha não morreu por agressão e pede arquivamento do caso
Reprodução Instagram via @porvcorelha
Reprodução Instagram via @porvcorelha

Publicidade

Após a análise de cerca de 2 mil documentos, o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) concluiu que o cão comunitário Orelha, que morreu em janeiro deste ano na Praia Brava, em Florianópolis, não foi vítima de agressões por parte de adolescentes e que o animal já sofria de uma doença grave. A manifestação foi protocolada na Justiça na última sexta-feira, 8, por três Promotorias, que pediram o arquivamento do caso.

Leia no AINotícia: Panorama Econômico: Mercados, Empresas e Investimentos da Semana

Informações preliminares da polícia apontavam que quatro adolescentes teriam agredido Orelha e Caramelo, outro cão comunitário, na capital catarinense. Com o avanço das investigações, apenas um adolescente passou a ser apontado como autor das agressões contra Orelha, enquanto outro grupo foi responsabilizado por tentar afogar Caramelo, que teria sobrevivido às agressões.

Ao concluir as investigações, em fevereiro, a Polícia Civil chegou a solicitar a internação do agressor e indiciou outros três adultos pelo crime de coação a testemunhas. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

BAIXE AQUI DE GRAÇA

Contudo, quando o caso chegou ao MP-SC, a 10ª Promotoria de Justiça de Florianópolis, da área da Infância e Juventude, e a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, da área criminal, apontaram a necessidade de esclarecimentos adicionais sobre o caso. Chegaram, inclusive, a solicitar a exumação do corpo do cão comunitário. Leia também: Fim da Taxa das Blusinhas

Em março, o MP-SC chegou também a instaurar um inquérito civil para investigar a conduta do ex-delegado-geral do Estado, Ulisses Gabriel, que foi alvo de denúncias por abuso de autoridade, violação de sigilo funcional ou ato de improbidade administrativa. O delegado, que deixou o cargo para lançar sua pré-candidatura a deputado estadual, negou as acusações na época.

Agora, finalizada a análise dos documentos, que incluiu laudos e imagens de câmeras de monitoramento, o MP-SC concluiu que Orelha e o suposto agressor não estiveram no mesmo local ao mesmo tempo, ao contrário do que sustentava a investigação da Polícia Civil, segundo a qual ambos teriam permanecido simultaneamente na praia por cerca de 40 minutos.

Continua depois da publicidade

“A reanálise detalhada do material probatório, contudo, revelou inconsistências temporais que modificaram substancialmente essa narrativa”, afirmou o Ministério Público catarinense.

Para chegar a essa conclusão, foram analisadas imagens de câmeras de monitoramento do condomínio onde o adolescente mora, além de registros do sistema público de segurança de Florianópolis, que captaram, respectivamente, o jovem e o animal. Mais de economia

Ao comparar os registros, a promotoria identificou uma defasagem de aproximadamente 30 minutos entre os dispositivos. “Essa diferença de horário é nitidamente perceptível pelas condições de luminosidade solar”, destacou.

Além disso, os promotores apontaram que, enquanto o adolescente foi filmado nas imediações do deck da praia, Orelha estava a cerca de 600 metros de distância. “Dessa forma, não se sustenta a tese de que ambos tenham compartilhado o mesmo espaço por aproximadamente 40 minutos, como afirmado nos relatórios policiais”, afirmou o MP-SC.

O Ministério Público também destacou que imagens do cão comunitário caminhando pela rua cerca de uma hora após a suposta agressão, com “plena capacidade motora e padrão de deslocamento normal”, enfraquecem a tese de que o animal teria sido agredido na praia e retornado debilitado em razão de “agressões recentes”. Leia também: Morgan projeta Ibovespa a 240 mil em 12 meses e potencial bilionário com novos

As promotorias também afastaram a hipótese de que Orelha tenha morrido por traumatismo craniano provocado por maus-tratos. Isso porque, após o laudo pericial obtido com a exumação do corpo do animal, não foi “constatada qualquer fratura ou lesão compatível com ação humana”.

Continua depois da publicidade

Além disso, afirma o MP-SC, o laudo identificou sinais de osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea crônica. “As imagens do crânio anexadas aos autos demonstram uma lesão profunda e antiga, com perda de pelos, descamação e inflamação compatíveis com infecção de evolução prolongada”, dizem os promotores. “A localização da ferida, abaixo do olho esquerdo, é compatível com o edema observado pelo médico veterinário que atendeu o animal”.

As provas apontam que o cão não tinha cortes, rasgos ou fraturas, conforme apontado pela polícia, mas apenas um inchaço “acentuado na região esquerda da cabeça e ocular”.

“As Promotorias de Justiça reforçam que, diante desse conjunto de provas, a hipótese de que o cão ‘Orelha’ tenha sucumbido a um quadro clínico grave – e não a uma agressão – foi a mais bem sustentada pelos elementos produzidos nos autos”, diz o MP-SC.

Cão Caramelo

Justiça arquiva inquérito que apurava coação

Tópicos relacionados

  • Brasil
  • Política
  • Cão orelha
  • Ministério Público
Fim da Taxa das Blusinhas
Economia

Fim da Taxa das Blusinhas

Ler matéria →

Leia também