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Ler matéria →Morte de Oliver Tree e Gaspi: Como pilotos de helicóptero voam 'na base do olho'

Crédito, Tércio Teixeira/AFP via Getty Images
- Author, Vitor Tavares
- Role, da BBC News Brasil em São Paulo,
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- Author, Pedro Martins
- Role, em Londres
- Published 16 junho 2026Atualizado Há 7 horas
- Tempo de leitura: 5 min
A colisão de dois helicópteros no ar do Rio de Janeiro no domingo (14/06) virou notícia nos principais jornais do mundo. Não só porque deixou entre os mortos figuras famosas, como o cantor americano Oliver Tree, mas também pela forma que aconteceu, já que acidentes como esse são considerados raros na aviação.
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O acidente, em pleno voo e registrado por testemunhas, levantou uma série de dúvidas até mesmo entre especialistas sobre como duas aeronaves puderam ocupar a mesma trajetória no espaço aéreo da segunda maior metrópole do Brasil.
Não houve sobreviventes. Ao todo, seis pessoas morreram. Cinco delas estavam em uma das aeronaves— além de Tree, havia o youtuber argentino Gaspar Prim, o produtor musical Lucas Frota, o diretor argentino Lucas Vignale e o piloto Alexandre Souza. No outro helicóptero, havia apenas o piloto, Charles Marsillac.
Na avaliação de João Paulo Eguea, professor de engenharia aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, no interior paulista, as investigações em andamento no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), precisam elucidar uma série de fatores que, somados, levaram ao acidente. Leia também: Por que o acordo entre EUA e Irã é pesadelo político para o premiê de Israel
"É importante destacar que isso [colisão no ar entre helicópteros] é uma coisa muito rara de se acontecer. Não temos histórico", afirma.
O ponto-chave na investigação é entender como e por que um dos helicópteros— ou os dois— saíram das chamadas "avenidas virtuais" no ar, acrescenta Raul Marinho, diretor da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG).
"O que pode ter acontecido é que uma das aeronaves invadiu a pista da outra ou as duas estavam no lugar onde não deveriam estar", diz.
Para entender como isso pode ter acontecido, é preciso entender como funciona o controle de voo de um helicóptero.
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De modo geral, os helicópteros não fazem "voo controlado por instrumentos", como é chamada a modalidade em que o piloto controla a aeronave com base nos instrumentos de bordo e nas orientações do controle de tráfego aéreo, sem dependência da visibilidade externa.
A maioria voa no chamado "regime visual", em que o piloto tem autonomia para definir trajetos e evitar outras aeronaves por observação direta. Em outras palavras, o piloto navega principalmente olhando para fora da cabine. Leia também: Por que é improvável que brasileiro preso pelo governo Trump seja chefe do PCC
"É a mesma coisa que um carro. Você vê o carro na rodovia, diminui a velocidade, desvia. Se for virar, vê se tem alguém do seu lado. Só que no ar, além da dimensão de um lado e para o outro, tem para cima e para baixo", ele explica.
Eguea, da USP, acrescenta que esse modelo não é exclusivo de helicópteros, sendo um padrão adotado até na aviação de aeronaves menores, como as de treinamento, presentes em aeroclubes.
Mas funcionar "na base do olho" não quer dizer que não há nenhum tipo de controle. Primeiro, se as condições meteorológicas comprometem a visibilidade ao longo da rota, o voo visual fica proibido pelas regras de aviação.
Essas rotas têm pontos demarcados em sua trajetória, explica Marinho. Se um piloto está no ponto "A" e vai em direção ao ponto "B", ele precisa fazer avisos através do rádio da aeronave.
"Quem está voando no mesmo lugar é obrigado a manter a sintonização na mesma frequência. O outro piloto ouve e tem uma consciência situacional sobre o que está acontecendo naquele ambiente", explica Marinho.

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