Morte de Kyle Busch: campeão da NASCAR teve pneumonia que virou sepse em horas A sepse, que causou a morte do piloto de 41 anos, é uma emergência médica. Entenda sua rápida evolução a partir de infecções
Fãs do automobilismo foram pegos de surpresa, na quinta-feira passada (21), com a notícia da morte de Kyle Busch, piloto duas vezes campeão da NASCAR, principal categoria de stock car dos Estados Unidos. Aos 41 anos, Busch seguia em atividade, e havia corrido pela última vez na prova de Watkins Glen, em Nova York, no último dia 10 de maio. Ao contrário do que costuma acontecer em tragédias envolvendo corredores, a morte de Busch nada teve a ver com um acidente, e sim por uma complicação de saúde sem relação com o esporte: no final de semana, foi revelado que o piloto tinha um quadro de pneumonia que, em poucas horas, evoluiu para uma sepse fatal.
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Entenda melhor como isso pode acontecer. O que exatamente é a sepse A sepse ou septicemia é resultado de uma resposta exagerada do organismo humano a uma infecção que, no início, pode ser bem localizada. Leia também: Ana Claudia Quintana Arantes: “O Brasil é um dos piores países do mundo para
É o que parece ter ocorrido no caso de Kyle Busch: seus problemas mais sérios começaram nos pulmões, algo indicado pela pneumonia, mas em pouco tempo evoluíram para afetar o corpo inteiro. Suspeita-se que ele também já estivesse com uma sinusite não curada anteriormente. Em condições normais, uma infecção faz com que o sistema imune reaja para combater o agente causador do problema.
Isso desencadeia um processo inflamatório, parte necessária do enfrentamento à doença. Mas, em algumas situações, o corpo reage de forma extrema, gerando inflamações também em órgãos distantes da infecção original. A sepse é o que muita gente conhece como “infecção generalizada”, mas o termo nem sempre é preciso: a resposta inflamatória pode ocorrer mesmo em tecidos que não foram contaminados pelo microrganismo que causou os problemas em primeiro lugar.
De todo modo, a reação do corpo é semelhante à que ocorre quando a infecção realmente chega a essas áreas. Sem o tratamento adequado, a sepse evolui até o chamado choque séptico, quando há falência de órgãos vitais, o que pode matar em pouco tempo. Cerca de um terço dos casos de choque séptico começa com pneumonias, como no caso de Kyle Busch, e até 40% dos pacientes que têm essa evolução acabam morrendo. Mais de saude
Quanto tempo leva para uma infecção virar sepse? Uma sepse deve sempre ser encarada como uma emergência médica. Quando os sinais de que o corpo está entrando em choque séptico começam a aparecer, o tratamento deve ser imediato e intensivo – em algumas situações, a morte pode ocorrer em menos de 12 horas após o agravamento dos sintomas, que incluem febre persistente, falta de ar, tremores e palpitações.
No entanto, o tempo para uma infecção evoluir para uma sepse pode variar muito de pessoa para pessoa. Boa parte dos pacientes com choque séptico normalmente já está hospitalizada quando o problema é identificado, mas em situações raras é possível desenvolver uma infecção com sintomas menos óbvios que, ainda assim, estão produzindo um agravamento ao longo de vários dias. Quando se trata da pneumonia, uma possibilidade é a chamada pneumonia silenciosa (por vezes também referida como “pneumonia assintomática”), que não produz os sintomas típicos do quadro e pode demorar para ser diagnosticada já em um estado avançado. Leia também: Polícia de SP identifica mandante de roubo na Mário de Andrade: 3 presos
Na ligação ao 911 (sistema de emergência norte-americano) divulgada à imprensa, a pessoa que socorreu Kyle Busch relatou que ele estava consciente, mas apresentando falta de ar e tremores, além de estar vomitando sangue. No momento final do problema, a evolução foi muito rápida, característica do choque séptico: ele foi hospitalizado em 21 de maio e acabou falecendo no mesmo dia. Há indícios, porém, de que a sepse tenha sido resultado de uma infecção mais longa, não curada, que se desenvolveu ao longo de dias.
Segundo informações divulgadas preliminarmente, o piloto já estaria enfrentando uma sinusite quando correu em Watkins Glen no dia 10. Nas comunicações de rádio com a equipe, ele chega a mencionar que precisaria receber uma “injeção” de um médico após a corrida. Embora a conexão entre os problemas de saúde ainda não tenha sido confirmada, é possível que a infecção que começou como uma sinusite tenha depois rendido a pneumonia, que finalmente se complicou de forma irremediável.
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