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Morre Marjane Satrapi, a voz iraniana no exílio que transformou 'Persépolis'

Marjane Satrapi, a voz iraniana no exílio que transformou 'Persépolis' em literatura universal Crédito, AFP via Getty Images Legenda da foto, Marjane Satrapi, autora

Morre Marjane Satrapi, a voz iraniana no exílio que transformou 'Persépolis' em
Marjane Satrapi, a voz iraniana no exílio que transformou 'Persépolis' em literatura universal
A autora Marjane Satrapi está em pé, segurando um canudo com uma mão e com a outra, faz o sinal da paz com os dedos.

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, Marjane Satrapi, autora franco-iraniana da história em quadrinhos 'Persépolis'
Published Há 2 horas
Tempo de leitura: 3 min

Marjane Satrapi, artista franco-iraniana e autora da graphic novel Persépolis, morreu aos 56 anos.

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A agência France-Presse divulgou nesta quinta-feira (4/6), a notícia de sua morte, citando pessoas próximas à autora.

Em comunicado enviado à AFP, a família declarou: "Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida."

Ripa, produtor, ator e roteirista sueco, morreu em 8 de abril do ano passado. Uma série de publicações recentes na conta de Instagram de Marjane Satrapi repetia a mensagem: "Perdi o amor da minha vida." Leia também: A revolta provocada pelo caso de jovem esfaqueado que morreu algemado por

Crítica aberta do regime iraniano, Satrapi chegou à França em 1994 e obteve a nacionalidade francesa em 2006.

Foi com a graphic novel e a animação cinematográfica de Persépolis que a iraniana alcançou fama mundial. Na obra, a autora narra parte da própria infância e adolescência em Teerã. Naquele período, ela enfrentava as restrições impostas no Irã após a Revolução Islâmica de 1979, antes de ser enviada pelos pais à Europa.

A graphic novel e, posteriormente, a animação, conquistaram o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2007 e o César de Melhor Roteiro Adaptado em 2008.

No ano passado, Satrapi recusou a Ordem Nacional da Legião de Honra, a mais alta condecoração da França, em protesto contra o que chamou de "hipocrisia" do governo francês nas relações com o Irã. Ela criticou ainda as políticas de visto da França, que dificultam a saída de dissidentes iranianos rumo ao país europeu.

A artista afirmou que a recusa não era contra a França, mas que tinha a esperança de que o país se mantivesse fiel a seus princípios e valores. Mais de mundo

Em sua mensagem, ao apontar o que chamou de "contradição" nas políticas francesas, disse que enquanto os filhos dos oligarcas do regime iraniano podem facilmente passar férias e se divertir na França, os jovens iranianos que lutam por liberdade não conseguem nem visto de turista.

Marjane Satrapi deixa uma vasta obra. Era conhecida sobretudo pelos livros e filmes Persépolis, Frango com Ameixas e Bordados.

Legenda da foto, Satrapi recusou a Ordem Nacional da Legião de Honra, a mais alta e prestigiada condecoração da França.

Persépolis recebeu vários prêmios na França e no exterior, entre eles o Prêmio de HQ do Ano da Feira do Livro de Frankfurt e o Prêmio Alex, da Associação de Bibliotecas dos Estados Unidos. O livro foi traduzido para cerca de 20 idiomas, vendeu mais de 400 mil exemplares na França e atingiu 1,2 milhão de cópias no mundo todo.

Para alguns, o sucesso de Satrapi vem de sua capacidade de dar concretude a conceitos completamente abstratos. Essa habilidade deu ao livro uma linguagem universal e permitiu que leitores no mundo todo se conectassem com Persépolis e o universo de sua narradora.

Amini era uma jovem curda iraniana de 22 anos que morreu em setembro de 2022 sob custódia da polícia da moralidade do Irã, após ser detida por supostamente descumprir o código de vestimenta islâmico. Sua morte desencadeou os protestos "Mulher, Vida, Liberdade", uma das maiores ondas de mobilização contra o regime iraniano em décadas.

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