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Ler matéria →O REENCONTRO (regular) (Sage Femme) O universo feminino é tema de predileção do diretor francês Martin Provost, que escreveu o roteiro de " O Reencontro" para duas sólidas atrizes, a veterana Catherine Deneuve e Catherine Frot, infelizmente pouco conhecida no Brasil.
Elas interpretam personagens radicalmente opostas. Deneuve é a decadente –mas ainda charmosa– Béatrice, uma aventureira frívola, alcoólatra e viciada em jogo. Frot é Claire, uma parteira abnegada que vive um tanto isolada e criou o filho sozinha.
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Seu único passatempo é cultivar legumes num terreno entre o rio Sena e um viaduto. No momento em que a existência regrada de Claire é abalada pelo fechamento da maternidade onde trabalhava há anos, Béatrice ressurge bruscamente. Mulher do pai de Claire, ela o abandonou de maneira repentina há mais de 30 anos, levando-o ao suicídio.
Sofrendo de uma grave doença, com dificuldades financeiras, Béatrice se reaproxima de Claire em busca de ajuda e redenção e, logicamente, acaba trazendo à tona velhas mágoas e fantasmas, evocados com engenho por Provost sem o batido recurso aos flashbacks. Da rejeição à aceitação e daí ao amor –esse é o trajeto de Claire. A reaproximação com Béatrice provoca outra mudança na parteira, que se reencontra com sua feminilidade e com o desejo ao lado de Paul (Olivier Gourmet), um caminhoneiro.
Provost vai fundo na oposição entre ambas, combustível para os embates quase constantes, que não cessam nem quando Claire passa a cuidar de Béatrice, que não pretende renunciar aos excessos mesmo com a morte à espreita. Tudo repousa em dualidades do tipo vida/morte, dar/receber, virtude/vício, introversão/extroversão, que soam por vezes mecânicas, demasiado calculadas. Esse maniqueísmo onipresente evacua parte do mistério, dá previsibilidade aos personagens e às situações –que felizmente não caem no sentimentalismo. Mais de entretenimento
Mas a história se aproxima da fábula que ilustra preceitos morais e perde força. O melhor do filme é o trio principal. Deneuve encarna com a desenvoltura de sempre seu enésimo personagem de burguesona glamorosa, enquanto Frot –mais habituada a personagens cômicos– se sai muito bem num papel mais dramático. Leia também: Entretenimento: O que marcou a semana | Panorama Folha
Gourmet dá o tom justo a seu personagem, caracterizado sem clichês, que entra timidamente na história e conquista seu lugar ao lado das duas. Comentários Ver todos os comentários
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