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Morre aos 98 anos Luiz Carlos: o detalhe que mais repercutiu

Morre Luiz Carlos Barreto, ícone do cinema brasileiro, aos 98 anos Produtor de cinema é responsável por longas como “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976) e “ O

Morre aos 98 anos Luiz Carlos: o detalhe que mais repercutiu

Morre Luiz Carlos Barreto, ícone do cinema brasileiro, aos 98 anos Produtor de cinema é responsável por longas como “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976) e “ O Quatrilho” (1985)

Morreu nesta quarta-feira (22) o diretor Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos, no Rio de Janeiro. O veterano estava internado no Hospital Copa Star, na Zona Sul carioca. A informação foi confirmada pelo Copa Star à CNN Brasil.

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" O Hospital Copa Star lamenta o falecimento do fotógrafo e cineasta Luiz Carlos Barreto e expressa suas condolências à família", diz a instituição em nota. Neta do produtor, Helena Barreto comentou à reportagem: "

Vovô teve uma vida plena e gigante". Neto de Luiz Carlos, Davi Barreto lamentou a morte do avô por meio de uma publicação nas redes sociais. "

De alguma forma, achei que você viveria mais do que todos nós. Ele era um gigante na nossa família e no Brasil, uma verdadeira Estrela Guia na minha vida. Meu Deus, vovô, que saudade", escreveu o músico. Leia também: ‘A Odisseia’ terá exclusividade nas salas IMAX do Brasil até agosto; vale

"Estou com minha família no Brasil em espírito e queria tanto poder chorar a sua perda e celebrar a sua vida com eles neste exato momento. Em breve estarei aí, mas agora está sendo excepcionalmente difícil estar tão longe dessa família incrível", seguiu. Luiz Carlos Barreto era casado com a também produtora de cinema

Lucy Barreto. Ele teve 3 filhos— Fábio (1957-2019), Paula, e Bruno —, além de 9 netos e 8 bisnetos.

A assessoria de imprensa da família Barreto informou que o velório acontecerá no Palácio da Cidade, no bairro de Botafogo, às 11h. Depois, a cremação será no Memorial do Carmo, no bairro do Caju, somente para a família. Leia a nota da família do produtor na íntegra:

O país perdeu Barretão. É o mesmo que dizer: o cinema brasileiro perdeu um de seus arquitetos, o mais apaixonado de todos. Mas, cada vez que uma câmera apontar para um pedaço esquecido deste território, haverá um pouco daquele cearense de sorriso largo a dizer que ainda falta muito para a gente conhecer o Brasil por inteiro.

Aos 98 anos, o artista que o Brasil aprendeu a admirar no aumentativo, Luiz Carlos Barreto, morreu em decorrência de uma pneumonia, pouco depois das duas da manhã de hoje, no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por familiares. Ele estava internado desde segunda-feira (20) e vinha com a saúde fragilizada desde março de 2024, quando sofreu uma queda durante uma visita ao Ceará, seu estado natal, onde receberia uma homenagem. Mais de entretenimento

Deixa a companheira com quem foi casado por setenta e cinco anos, a produtora Lucy Barreto, sua parceira de vida e de cinema; os filhos Paula e Bruno Barreto; netos e uma legião de admiradores. Deixa também uma obra que ajudou a definir a imagem do Brasil dentro e fora do país. Antes de ser produtor, Barretão foi repórter.

Em 1950, começou sua trajetória nos Diários Associados, passando pela revista “ A Cigarra” e, depois, por “O Cruzeiro”, onde se tornou um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileiro. Correspondente em Paris, formou-se em Letras pela Universidade Sorbonne, e foi na capital francesa que ampliou seu olhar para uma linguagem que mudaria sua vida: o cinema.

Num trabalho para “ O Cruzeiro”, acompanhou as filmagens de “Barravento”, de Glauber Rocha. Ali, diante da câmera e da efervescência criativa do Cinema Novo, o jornalismo encontrou a sétima arte. Leia também: A Odisseia tem conexão com Duna;: o detalhe que mais repercutiu

O olhar documental, a inquietação política e a busca por uma representação mais profunda do país passaram a orientar sua trajetória. Usou a experiência das ruas, das reportagens e das imagens capturadas pelo visor fotográfico para participar de “Assalto ao Trem Pagador” (1962), de Roberto Farias, como coautor do roteiro e coprodutor. No ano seguinte, assinou a fotografia e produziu “Vidas Secas”, obra-prima de Nelson Pereira dos Santos, baseada no romance de Graciliano Ramos.

A secura da paisagem, a luz brutal do sertão e o realismo das imagens transformaram a fotografia do cinema brasileiro. Ao lado de Lucy Barreto, construiu a LC Barreto Produções Cinematográficas, uma das empresas mais importantes da história do audiovisual brasileiro, que serviu de escola para uma legião de profissionais das mais variadas gerações. A produtora atravessou décadas de transformações políticas, econômicas e estéticas, ajudando a criar uma filmografia que se confunde com a própria memória do país.

A lista de realizações é uma cartografia do Brasil. O marco zero, “Garrincha, Alegria do Povo” (1963), de Joaquim Pedro de Andrade, marcou a estreia da empresa. Obras mundialmente aclamadas, como “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha, e “Bye Bye, Brasil” (1979), de Cacá Diegues, foram gestadas por ela, em meio a sucessos a granel.

O maior de todos: “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), de Bruno Barreto, o primogênito de um lar de artistas. Seu público: 10,7 milhões de pagantes. É a quinta maior bilheteria de nossa história nas telas.

Sempre ligado à política cultural, desafiando a hegemonia de mercados estrangeiros sobre nossas telas, Barretão consegue um feito histórico para as Américas: num período de dois anos, emplaca duas indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, com “O Quatrilho” (1995), de Fábio Barreto, e “O Que É Isso, Companheiro? ” (1997), também de Bruno Barreto. Seu nome também foi citado nas telas de Cannes, Berlim e outros grandes festivais do mundo, consolidando uma imagem do Brasil que escapava aos cartões-postais e mergulhava em seus conflitos, suas paisagens e suas diferenças.

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