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Monique Medeiros depõe e acusa Jairinho de agressões em júri do caso Henry

Em nono dia de julgamento no Rio, a mãe do menino chora ao relatar série de violências do ex-vereador contra a criança e contra ela mesma; Jairo Souza Santos Júnior foi retirado

Monique Medeiros depõe e acusa Jairinho de agressões em júri do caso Henry

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e ré no processo que apura a morte da criança em 2021, iniciou seu interrogatório nesta terça-feira (2), por volta das 10h30, no nono dia do júri do caso. Durante seu depoimento, Monique chorou ao relatar uma série de agressões supostamente cometidas por Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, seu então namorado e corréu, tanto contra Henry quanto contra ela mesma. Jairinho foi retirado do plenário no início do interrogatório de Monique, conforme relatado pelo G1.

Agressões a Henry e o alerta do pai

Monique Medeiros afirmou, em seu depoimento, que Henry inicialmente demonstrou apreço por Jairinho, que costumava presenteá-lo. Contudo, a situação mudou no final de janeiro de 2021, quando o pai da criança, Leniel, a alertou sobre um "abraço apertado" de Jairinho. Segundo Monique, Leniel pediu que ela interviesse, e ela acatou, conversando com Jairinho. O relato descreve que, após o pedido, Jairinho e Leniel fizeram um "aperto de mão amistoso" (G1).

A mãe de Henry também mencionou um episódio ocorrido em novembro de 2020, cinco meses antes da morte do menino, quando Henry teria dito que o "Tio Jairinho me deu uma banda, me deu uma moca, falando que eu era bobalhão e mimado". Monique, contudo, minimizou o incidente, dizendo que Jairinho afirmou ter apenas segurado o menino pelos braços. Após esse evento, a relação entre Henry e Jairinho teria se deteriorado. Leia também: Panorama Nacional: Saúde, Segurança e Notícias Regionais

Relacionamento turbulento: ciúmes e infidelidade

Além das acusações de violência contra Henry, Monique Medeiros detalhou uma relação conturbada com Jairinho. Ela contou que, logo no início do namoro, foi alertada por Débora, que afirmava estar em um relacionamento com o ex-vereador há seis anos. Apesar das desconfianças e de Débora enviar prints alegando agressões e perseguição, Monique disse ter acreditado em Jairinho e continuado o relacionamento (G1).

Monique também relatou ter sido vítima de agressão por parte de Jairinho. Em novembro de 2020, ela afirmou ter acordado sendo enforcada por ele na casa de seus pais, em Bangu, Zona Oeste do Rio. O ataque teria sido motivado por uma crise de ciúmes, após Jairinho acessar o telefone de Monique e ver mensagens de Leniel. A mãe de Henry revelou que não tinha acesso ao celular de Jairinho e que posteriormente descobriu que ele se relacionava com outras mulheres enquanto estavam juntos. Jairinho, segundo Monique, pediu desculpas no dia seguinte, alegando embriaguez, e o relacionamento prosseguiu.

Negações e a estratégia da defesa

Durante o interrogatório, Monique se emocionou e chorou ao negar que a babá Thayná Ferreira a tivesse alertado sobre as agressões de Jairinho em . "Ela falou que me contou no mesmo dia, e isso é mentira. Eu nunca ia deixar isso acontecer, eu nunca deixaria os dois juntos", declarou Monique, conforme apurado pelo G1. Mais de noticia

A defesa de Monique Medeiros, representada pelo advogado Hugo Novais, argumenta que a ré foi levada a júri por "machismo e misoginia". Novais afirmou que "por uma visão distorcida, por uma ótica de misoginia, de machismo, se atribuiu uma responsabilidade penal a uma mulher", citando como exemplo a crítica ao fato de Monique ter ido ao salão após o enterro do filho. Os advogados de Monique, Rodrigo Faucz e Alanis Matzembacher, conseguiram a decisão da 7ª Câmara Criminal do Rio de que Jairinho só seja interrogado após Monique, argumentando que o depoimento dela é crucial para que a defesa de Jairinho conheça integralmente as acusações. Leia também: Delegado e Agentes da Civil são Presos em Operação contra Tráfico na PB

Próximos passos do júri

Após o interrogatório de Monique, o próximo a ser ouvido será Jairinho. Em seguida, terá início a fase de debates, onde o Ministério Público e os assistentes de acusação terão entre 2h30 e 3h para apresentar suas teses aos jurados. As defesas terão o mesmo tempo, que será dividido entre as duas bancas. Posteriormente, haverá réplica da acusação, com até 2h, e tréplica das defesas, também com até duas horas (1h para cada réu). Somadas, essas etapas podem ultrapassar dez horas.

Finalizada a fase de debates, os sete jurados do Conselho de Sentença responderão a quesitos sobre a materialidade e autoria dos crimes, formulados distintamente para cada réu. A decisão final será tomada por maioria de votos, e então a juíza Elizabeth Machado Louro anunciará o veredito.

O que se sabe até agora:

  • Monique Medeiros foi interrogada nesta terça-feira (2) no júri do caso Henry Borel.
  • Ela acusou Jairinho de agressões físicas contra Henry e contra ela mesma, além de infidelidade.
  • Monique negou ter sido alertada pela babá Thayná Ferreira sobre as agressões ao filho.
  • Jairinho foi retirado do plenário e será ouvido após Monique, por decisão judicial.
  • A defesa de Monique alega que a ré está sendo julgada por "machismo e misoginia".
  • Após os interrogatórios, o júri prosseguirá com debates entre acusação e defesa, réplicas e tréplicas.
  • A juíza Elizabeth Machado Louro conduzirá a etapa final com os jurados para o veredito.

O julgamento do caso Henry Borel continua a mobilizar a atenção pública, enquanto a Justiça busca esclarecer as circunstâncias da morte do menino em 2021. As revelações e estratégias das defesas e da acusação serão cruciais para a decisão final dos jurados, moldando a compreensão sobre a tragédia que chocou o país.

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