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Ler matéria →Uma missão da NASA dedicada a estudar em detalhes Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, celebra um marco importante neste domingo (5). Desenvolvida e operada pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), a sonda Juno entrou em órbita do gigante gasoso há exatos 10 anos, dando início a uma nova fase de observações sobre sua atmosfera, estrutura interna e campo magnético.
Diferentemente de missões anteriores que apenas sobrevoaram o planeta, a Juno foi concebida para permanecer em órbita e realizar observações repetidas e de alta precisão.
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Para isso, ela foi equipada com um conjunto de nove instrumentos científicos capazes de analisar a atmosfera, o campo gravitacional, o campo magnético e o ambiente de radiação ao redor do planeta. Entre seus objetivos principais estão medir a quantidade de água e amônia nas camadas profundas da atmosfera e compreender a estrutura interna de Júpiter. Leia também: México x Inglaterra: onde assistir, horário e escalação das oitavas de final

Viagem até Júpiter levou quase quatro anos
A missão foi lançada em, a bordo de um foguete Atlas V 551, partindo da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. Após uma longa viagem interplanetária, que incluiu correções de trajetória e uma assistência gravitacional da Terra em 2013, a espaçonave finalmente se aproximou de seu destino. Mas o momento mais crítico da missão não foi a chegada, e sim a inserção em órbita ao redor de Júpiter.
Essa manobra marcou a entrada definitiva da sonda no sistema joviano. Para ser capturada pela gravidade do planeta, a Juno precisou acionar seu motor principal por cerca de 35 minutos. O início da queima ocorreu às 00h18 de 5 de julho (horário de Brasília), com o término da manobra acontecendo às 00h53.

A inserção foi um sucesso e colocou a Juno em uma órbita polar altamente elíptica, permitindo que ela passasse regularmente sobre os polos do planeta– uma região pouco explorada e essencial para entender o campo magnético joviano.
Inicialmente, a órbita tinha período de 53 dias, com passagens próximas (os chamados perijoves) durante as quais a sonda sobrevoava as camadas superiores das nuvens. Ao longo da missão, no entanto, sucessivos sobrevoos por grandes luas de Júpiter, especialmente Ganimedes, alteraram sua trajetória. Atualmente, a Juno completa uma órbita em cerca de 33 dias e já realizou 76 perijoves, mantendo aproximações periódicas que permitem a coleta de dados científicos. Mais de tecnologia

NASA estendeu missão Juno para muito além do previsto
Júpiter é um mundo colossal. Hoje, o planeta possui 101 luas confirmadas. As quatro maiores– Io, Europa, Ganimedes e Calisto– foram descobertas em 1610 por Galileu Galilei, com Ganimedes sendo não só a maior lua do Sistema Solar, como também maior até do que o planeta Mercúrio.
Ao redor desse gigante gasoso, a sonda Juno enfrenta um ambiente extremo. A radiação intensa é um dos maiores desafios da missão, capaz de danificar sistemas eletrônicos e instrumentos científicos. Para suportar essas condições, a espaçonave foi projetada com uma blindagem especial e tem demonstrado grande resistência ao longo dos anos. Leia também: “À la Batman”: carro elétrico é o primeiro do mundo a dirigir de cabeça
Os nove instrumentos a bordo trabalham de forma integrada:
- Radiômetro de Micro-ondas (MWR): investiga as camadas profundas da atmosfera de Júpiter, medindo a quantidade de água, amônia e a temperatura.
- Mapeador Auroral Infravermelho (JIRAM): registra imagens das auroras e analisa a composição da atmosfera superior do planeta.
- Magnetômetro (MAG): mede o intenso campo magnético de Júpiter e ajuda a entender a estrutura de seu interior.
- Experimento de Ciência da Gravidade (GS): revela como a massa está distribuída dentro do planeta por meio de pequenas variações nos sinais de rádio enviados pela sonda.
- Experimento de Distribuição Auroral Joviana (JADE): analisa partículas de baixa energia presentes nas auroras de Júpiter.
- Detector de Partículas Energéticas de Júpiter (JEDI): estuda partículas de alta energia encontradas nas auroras do planeta.
- Sensor de Ondas de Rádio e Plasma (Waves): detecta ondas de rádio e de plasma produzidas pela interação entre o campo magnético e partículas carregadas.
- Espectrógrafo Ultravioleta (UVS): observa as auroras em luz ultravioleta para ajudar os cientistas a compreender como elas se formam.
- JunoCam: registra imagens detalhadas das nuvens, tempestades e polos de Júpiter, além de aproximar o público das descobertas da missão.
Originalmente prevista para durar até julho de 2018, de acordo com a NASA, a missão foi prorrogada sucessivas vezes devido ao excelente desempenho e ao alto valor científico dos dados coletados. Dez anos após entrar em órbita de Júpiter, a sonda continua enviando informações e imagens que ajudam os cientistas a compreender melhor o maior planeta do Sistema Solar.
Flavia Correia
Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.
Tags:
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