Acionada após crise com Michelle, mulher de Flávio Bolsonaro foi denunciada
Ler matéria →É de difícil solução a crise inédita em que Javier Milei mergulhou as relações diplomáticas entre a pátria de Enzo Fernandes e o Brasil, ao ofender no sábado (25) em São Paulo, em evento de apoio ao candidato Flávio Bolsonaro, algumas das maiores autoridades da República com termos como "ladrão", "presidiário" e "lixo careca".
Depois de convocar a Brasília o embaixador brasileiro em Buenos Aires, o Itamaraty se dedicou a avaliar prós e contras de se engajar numa guerra verbal pueril com o estranho e mal-ajambrado governante do país vizinho.
Leia no AINotícia: Política: Roundup de Notícias da Semana
Segundo fontes do governo, alguns ministros dedicaram os últimos dias a assistir a velhos esquetes do Monty Python, a fim de anotar insultos que pudessem adaptar à atual situação geopolítica mundial.
"Sua mãe era um hamster e seu pai fedia a sabugueiro", o antológico ultraje dirigido ao Rei Arthur por um soldado francês no "Cálice Sagrado", foi considerado enigmático demais para a realidade regional. Leia também: Quilombo nos Parlamentos, que reúne 150 pré-candidatos negros, é lançado em São
Não por unanimidade, mas por segura maioria, a diplomacia brasileira concluiu ainda que chamar o presidente argentino de "gambá oleoso criado no esgoto do inferno" em nota oficial contribuiria para agravar o problema.
O mesmo veto recaiu sobre expressões como "vigarista deformado de porta de mafuá de quinta", "rebotalho de sete gerações de endogamia" e "piolho moral de careca neonazista com caspa". Todas foram descartadas como politicamente explosivas e descritivamente insuficientes.
Nada dividiu mais as opiniões do que o epíteto de "criatura mais constrangedora da política contemporânea". Os candidatos a esse posto citados nos debates foram numerosos demais para que se chegasse a um acordo.
Outra fórmula de retaliação que acabou descartada foi a de comparar o "libertário" a uma sanguessuga ou carrapato que habita a região genital de Donald Trump. Diversas construções nesse sentido caíram após cuidadosa análise. Mais de politica
"A diplomacia é a arte de maquiar a verdade, e além do mais alguém precisa agir como adulto nesse mundo cada dia mais infantilizado pela retórica de dois neurônios da extrema direita", explicou um experiente diplomata protegido pelo anonimato.
Outra preocupação foi a de não incentivar a onda de antiargentinismo que varreu o planeta após a exibição da seleção de Scaloni e de sua torcida na final da Copa do Mundo —e que a aposentadoria do simpático Messi, jogador argentino de exceção, promete agravar nos próximos anos. Leia também: Milei e os limites da diplomacia adulta
Após longas deliberações, optou-se por um estilo mais contido. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi enfim autorizado a chamar Milei de "palhaço", mas apenas depois que a Associação Nacional de Palhaços recebeu um pedido de desculpas prévio pela comparação ofensiva.
Com exceção da frase de Durigan e dos efeitos da Copa, o que vai acima sobre a crise com o país vizinho é ficção, claro. Mas será mesmo tão claro assim? Que não seja simples distinguir entre sátira e jornalismo é uma das desgraças desse mundo adoecido por Trumps, Mileis e outras superbactérias extremistas resistentes a antibióticos.
Tópicos relacionados
Leia tudo sobre o tema e siga:
- América Latina
- Argentina
- Dario Durigan
- diplomacia brasileira
- Donald Trump
- Estados Unidos
- Itamaraty
- Javier Milei
- Leia outros artigos desta coluna
- Envie sua notícia
- Erramos?
- Ombudsman
Leia também no AINotícia
- Responsabilidade por tarifaço divide brasileiros de acordo com região, dizPolitica · 12h atrás
- Acionada após crise com Michelle, mulher de Flávio Bolsonaro foi denunciadaPolitica · 4h atrás
- Aliados de Cleitinho dizem que ele insistirá com Republicanos para serPolitica · 4h atrás
- Dificuldade para obter dados sobre honorários da AGU gera reclamaçãoPolitica · 8h atrás


